Se você busca vaga em startup, não perca esse vídeo!

Tive a honra de receber o convite do Diego Marrara Ranciaro e do Mark Facciolla, do Distrito.me, em que pude compartilhar algumas dicas valiosas sobre como se portar em entrevistas de emprego em startups. Procurei trazer insights e vivências relevantes para ajudar vocês! Vejam no vídeo abaixo. Se tiverem alguma dúvida, não deixem de me enviar um direct pelo Instagram @vabo23.

Os 7 principais erros que cometi como empreendedor

Tive a honra de receber o convite da prof. Luiza Martins, da PUC-Rio, para dar uma palestra no curso EMP1200 (Introdução ao Empreendedorismo) do domínio adicional de empreendedorismo, na graduação, quando pude contar minha trajetória empreendedora sob o ponto de vista dos meus erros e também compartilhei minha visão para a educação no Brasil. Confiram no vídeo abaixo. Espero que gostem!

15 dicas para gerir e expandir seu negócio com sucesso, segundo o fundador da Stone

Muitos me perguntam como é a cultura e o método de gestão da Stone e por que eu acredito que ela será uma das maiores e melhores empresas do MUNDO em alguns anos!

A resposta está no texto a seguir, escrito pelo André Street, meu sócio e fundador da Stone, originalmente publicado na revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Leia na íntegra abaixo!


Como diria o professor Steve Blank em seu memorável talk show na Universidade de Columbia: “Uma startup é uma organização temporária tentando descobrir um modelo de negócio repetível”.

Uma vez encontrando tal modelo de negócio, nasce uma empresa que, se bem desenvolvida, pode se tornar uma grande companhia com potencial de melhorar radicalmente uma indústria, a vida das pessoas e, consequentemente, o país.

1) Conheça profundamente o problema que deseja resolver com sua empresa

Gaste o máximo de tempo para entender as dores para as quais irá dedicar uma vida inteira com seu trabalho. As oportunidades surgem, inevitavelmente, de problemas. A partir deles, as soluções criadas e sistematizadas (em serviços ou produtos) tornam-se o que chamamos de empreendimento.

Parafraseando Uri Levini, amigo israelense e fundador do Waze, “Apaixone-se pelo problema e não pela solução”. Dessa forma, você terá diversas boas abordagens para a resolução de uma falha e poderá criar um negócio com fundações sólidas.

2) A missão de uma empresa é servir seus clientes

Se fizer isso de maneira economicamente sustentável e em escala, você terá uma empresa. Se informatizar sua atividade, investir em tecnologia, automatizar parte do trabalho essencial para seu cliente e se empenhar para ser melhor que seus concorrentes, terá uma grande companhia. Saiba ouvir, conheça bem a persona do seu cliente, quem ele é, como se comporta e quais são suas motivações para consumir o que você e seu negócio têm para oferecer. Para isso, é necessário I) Empatia; II) Humildade genuína. Se utilizadas constantemente e se tornarem características da uma sólida cultura empresarial, seu negócio terá vida longa e uma clientela cativa.

3) À medida em que sua empresa resolver, continuamente, um grande problema, dará uma colaboração significativa para a sociedade

A partir disso, institua um propósito e mobilize pessoas em torno de sua causa. Materialize esse propósito em palavras e exemplos. Naturalmente, mais apoiadores vão aparecer para se unirem a você e seus sócios. Como dizemos na Stone, “a missão chama o missionário”. Essa atitude promoverá um senso de pertencimento enorme em todo o time e se tornará uma espécie de mantra, seguido pelas boas pessoas ao seu redor. Crescendo com esses princípios, além de gerar empregos, seu negócio encorajará o mesmo comportamento em outros empreendedores e na comunidade.

4) Contrate pessoas melhores do que você e enfatize o crescimento de cada uma delas na empresa

Novas ideias, melhorias em serviços e produtos nascem por meio do esforço das pessoas que nelas trabalham. Engenheiros de software devem ser sempre bem-vindos na concepção de uma empresa. Mas, em especial, contrate pessoas com I) Inteligência; II) Energia; III) Integridade. Selecione os melhores para compor seu time. Valorize quem não se vitimize, trabalhe duro e os que desejam aprender constantemente.

Como disse David Ogilvy, lendário fundador da empresa que leva seu nome: “Se cada um de nós contratar pessoas menores do que nós, teremos uma empresa de “anões”. Mas, se contratarmos pessoas maiores do que nós, teremos uma empresa de gigantes”.

5) Invista 30-40% de seu tempo para entrevistar e conhecer pessoas para trabalhar em sua empresa

Conheça pessoas que tenham as habilidades que você precisa para contribuírem com o crescimento do seu negócio. Dedique-se a entrevistar e conhecer pessoas. Desempenhe esse papel com critério e sobrará tempo. Por ano, eu entrevisto cerca de 800 pessoas e, atualmente, invisto um enorme tempo em conversas para entender suas motivações e decisões tomadas no trabalho que desenvolvem na companhia.

6) Fomente uma cultura de excelência e qualidade nos serviços prestados ao cliente

Esse é um ponto de extrema importância e que deve ser instituído e associado à sua marca. As empresas montadas somente para ganhar dinheiro terão uma grande desvantagem em relação a sua. Você, genuinamente, criou algo cuja causa mobiliza seu time? Criou uma empresa que coloca o cliente no centro das discussões da administração? Isso irá se transformar na cultura do seu negócio que, quando crescer, enquanto seus concorrentes estiverem discutindo cargos e estruturas corporativas, você e sua equipe estarão planejando como servir melhor o cliente, criando novos produtos e serviços. Isso será percebido por sua agilidade no desenvolvimento de soluções e na qualidade de sua prestação de serviço. Seja rigoroso.

7) Ao escolher pessoas para sua equipe, interesse-se genuinamente pelo desenvolvimento delas

O aprendizado e o estudo duram para sempre, portanto, assegure que seu time esteja fazendo “ginástica cerebral”. Leitura é fundamental para o crescimento profissional e pessoal. Fomente esse hábito e dê o exemplo.

8) Dê ao seu time metas e objetivos audaciosos

Estimule seus colaboradores a saírem da zona de conforto de forma que, para atingirem os objetivos propostos, todos tenham que I) Cooperar; II) Estudar; III) Fazer um grande esforço. Ao alcançarem suas metas, celebrarão esse feito. Se o propósito for fácil, não se sentirão estimulados como equipe, visto que a tarefa poderia ser resolvida por um time mediano.

Proponha novos desafios para que o estímulo seja frequente e se transforme em hábito. Fomente o planejamento, inspire-se no método americano. Empresas que desempenham bem seu papel fazem planos maiores ao aprimorarem seus processos. Dessa forma, os grandes desafios ficarão cada vez mais interessantes.

9) Desenvolva métodos para medir a produtividade da equipe e recompense os melhores pelo mérito

Imagine que no time do professor Bernardinho (ex-técnico da seleção brasileira de vôlei, campeã mundial e olímpica) os melhores jogadores são escalados como titulares e, os que mais se destacarem em suas funções, serão melhor remunerados. Se o método é visto com normalidade no meio esportivo, por que não o reproduzir em uma empresa de alto desempenho?

Com isso em mente, pense em sua equipe como um time com potencial olímpico e se coloque no lugar do técnico. Caso não remunere seus “atletas” por mérito, prejudicará a cultura de excelência de sua empresa e seus clientes. Seja rigoroso na mesma medida que o cliente e o mercado são rigorosos com sua companhia. Mas não confunda rigor com rispidez. É possível ser rígido sem ser rude, facilmente.

10) Não tolere em seu time quem trabalha sem espírito de equipe

Nenhum interesse individual pode superar o propósito da equipe. Se o time trabalha em prol do cliente, esse deve ser o espírito predominante na empresa. Quem subverter a mentalidade e cultura da companhia deve ser identificado e desligado o quanto antes.

Como pode ser visto no livro e curso Extreme Ownership, de Jocko Willink, “It is not what you preach, it is what you tolerate” (“Não é o que você prega, é o que você tolera”, em tradução livre). Ao notar algo de errado, aprofunde-se na situação, resolva e ensine ao seu time porque determinado comportamento não deve ser tolerado naquele ambiente. Situações como essa constroem a cultura do seu negócio e ditará o tom para o futuro.

11) Toda conversa difícil é uma oportunidade de ensinar seu time sobre o caminho correto a ser seguido

Com transparência e empatia as relações ficam ainda melhores após uma eventual conversa difícil. Seja verdadeiramente interessado pela evolução de sua equipe e, com o passar do tempo, esse será o mantra e objetivo de todos ao redor. Para aprender a lidar com esses momentos, recomendo a leitura do livro “Conversas Difíceis”, escrito pelos professores da Universidade de Harvard, Sheila Heen, Douglas Stone e Bruce Patton.

Quando uma oportunidade aparecer, não a deixe escapar. Efeitos de comportamentos negativos devem ser corrigidos rapidamente, sempre com empatia e respeito aos integrantes do time. É importante lembrar que cada pessoa tem personalidades e estilos diferentes. Se apegue somente ao for essencial e possa agregar a cultura de sua empresa.

12) Ao escalar e expandir seu negócio, precisará, cada vez mais, aprimorar seus conhecimentos em administração

Se planeja ser um grande empresário, é necessário saber o mínimo de finanças e contabilidade. Ao contrário do que muitos pensam, esses dois assuntos não devem ser de interesse apenas de contadores, mas também de empresários que se preocupam com a saúde e continuidade de seu negócio.

Busque entender o essencial e exercite-se conhecendo empresários de outros setores. Leia sobre empresas no Brasil e do exterior. Aprenda ou aprimore seu inglês para consultar materiais internacionais enriquecedores e aprofundados sobre o tema.

13) Fique atento ao retorno do seu investimento

Calcule continuamente o custo de aquisição do cliente a partir dos investimentos que você precisará fazer no seu negócio. Esse exercício permitirá que você aprenda a respeito do payback (indicador do tempo de retorno de um investimento) e irá oferecer sinais de como melhorar a relação “cliente-companhia” em reuniões periódicas de planejamento ou revisão.

Para isso, é preciso relembrar o item 2 desta lista e ressaltar a importância de conhecer seu público-alvo. A partir daí, será possível atender o cliente de maneira assertiva, com o custo correto e continuar aprimorando suas ofertas para beneficiá-lo a longo prazo. Se acertar o canal de distribuição do seu negócio, conhecer as necessidades do cliente e atendê-lo com excelência, no futuro, terá ainda mais oportunidades de oferecer novos produtos que aperfeiçoem e fidelizem a experiência com sua marca.

Com um serviço bem prestado ou um produto de boa qualidade e preço justo, você ganhará o melhor “vendedor” que poderia ter em sua companhia: o cliente que aprova e indica seus serviços.

14) Mantenha a administração do seu negócio simples

O que importa é contratar um time que pense nos clientes e que se dedique aos objetivos da empresa. Na prática, com o crescimento de uma empresa, não deveríamos perder tanto tempo nos importando com estruturas corporativas e hierarquias. Metas audaciosas com responsáveis claros, cultura de excelência e espírito de equipe devem ser de grande valor para a administração. Adicione isso a uma dose mínima de organização empresarial e a um “sistema de sociedade” para seus melhores funcionários.

O importante é manter os empreendedores-executivos em contato constante com o cliente e buscar melhorias contínuas – o máximo possível com o uso de tecnologia. Administre uma grande companhia como se ela fosse pequena e não permita que problemas “pequenos” cresçam, desviando o foco do verdadeiro objetivo do seu negócio.

15) Acompanhe diferentes setores do mercado e tendências de outros países

Muitas vezes, você encontrará ensinamentos para o seu negócio em uma indústria diferente da sua. Pense grande desde cedo – você terá o mesmo trabalho se pensar pequeno – e, dessa forma, atrairá pessoas com o mesmo espírito disruptivo para sua equipe.

Pensar grande significa ter grandes objetivos para que os pequenos obstáculos do dia a dia se tornem menores na sua cabeça e para sua equipe. Mas não se esqueça: somente com trabalho duro e contínuo é possível chegar a algum lugar.

André Street é fundador da Stone, uma das principais adquirentes de cartão de crédito e débito do Brasil. A empresa é listada desde 2018 na bolsa de valores eletrônica de Nova Iorque, Nasdaq, com valor de mercado de mais de R$ 48 bilhões. A Stone.Co também conta com a Pagar.me e Mundipagg, que, juntas, processaram mais de 50% das transações do comércio eletrônico brasileiro em 2019.

Link para o texto original

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Empresas Unicórnio são uma fábrica de burnout: precisamos falar sobre esse elefante na sala

O que chamamos de “sucesso”?

Nosso mundo ágil, dinâmico e inquieto exige constantes adaptações e serve como combustível para inovações nos mais diversos setores. 

Porém, no mercado de trabalho, esse cenário, ao invés de promover melhores condições, transformar nossa relação com o trabalho e usar o fruto de nosso esforço para nos favorecer, pelo contrário, parece estar tendo o efeito oposto.

Estresse, depressão e ansiedade tomam conta das empresas. E, nas Startups e Scaleups Unicórnios, que despontam como “o futuro dos negócios”, os índices de burnout – o esgotamento mental devido ao trabalho – só crescem. 

Precisamos falar sobre esse elefante na sala, antes de que seja tarde demais.  

O que são Empresas Unicórnio?

Empresas Unicórnio são startups que conseguiram ser avaliadas em 1 bilhão de dólares  – um feito tão raro que justifica sua associação a esta criatura mítica.

O termo foi cunhado pela investidora-anjo Aileen Lee, m 2013, no artigo Welcome To The Unicorn Club: Learning From Billion-Dollar Startups. À época, poucas empresas recebiam o título – uma realidade que, felizmente, por um lado, vem mudando gradativa de lá pra cá.

Por outro, Empresas Unicórnio não são magníficas como a criatura que lhes dá nome. Na verdade, as Scaleups, ao passo que se tornam Unicórnios, podem se tornar fábricas de burnout!

Por quê? Vem que eu te explico desde o começo:

O que são Scaleups?

Se você não está familiarizado com o conceito de Scaleup, vamos começar desde o começo. Mas se você já sabe o que são Scaleups, pode passar para o próximo tópico!

Se há um tempo só se falava de Startups nas rodadas de investimento e em ambientes propensos à inovação no mercado de trabalho, agora a bola da vez são as Scaleups. Inclusive, a transição foi tanta que parecem sinônimos.

Porém, Startups e Scaleups não são termos intercambiáveis; na verdade, eles descrevem duas fases distintas do crescimento de uma empresa:

O que é uma Startup?

A Startup é uma empresa em seus estágios iniciais que tem, como objetivo, desenvolver ou aprimorar um modelo de negócio, preferencialmente escalável e repetível, permeada por algum tipo de inovação. 

O que é uma Scaleup?

A Scaleup pode ser definida como uma empresa que já validou seu produto no mercado e provou que o modelo de negócios da sua matriz é sustentável, podendo ser escalado. Tornar-se uma Scaleup é o “passo seguinte” das Startups. O foco aqui é no crescimento.

Exemplos de Scaleups brasileiras: Nubank, Stone, 99, iFood/Movile, Quinto Andar, Creditas.

5 diferenças entre Startups e Scaleups

Como estão em momentos de negócio distintos, Startups e Scaleups têm suas particularidades. Afinal, como você deve imaginar, os desafios de gerenciamento, liderança e logística durante cada fase são bem diferentes.

A seguir, elenquei alguns deles:

1. Validação de produto ou modelo de negócios

A diferença mais óbvia entre Startups e Scaleups é o estágio de desenvolvimento do produto ou modelo de negócio: nas Scaleups, os pontos de validação já foram aperfeiçoadas, enquanto as Startups ainda estão entendendo aspectos como segmentação de clientes, CAC e alocação de recursos. 

Em outras palavras, as Scaleups sabem que se colocarem R$X  no negócio, receberão R$ Y em troca. Esse nível de clareza permite investimentos com confiança para fazer o que já estão fazendo em uma escala ainda maior. Por outro lado, as startups ainda podem não ter certeza de que tipo de retorno obterão de seus esforços.

2. Funções do time

Durante os estágios iniciais do crescimento de uma empresa, não é incomum que os membros da equipe assumam várias funções. A maioria das empresas contrata pessoas com um conjunto de habilidades específicas para uma função específica, mas também espera que essas pessoas assumam outros desafios à medida que ele forem surgindo.

Você precisa desse perfil “faz um pouco de tudo” para desenvolver estratégias, sistemas e processos desde o início.

À medida que as Startups vão se expandindo, é importante restringir as funções da equipe. Se isso significa transformar sua equipe de vendas e marketing em dois departamentos separados ou contratar especialistas para cada função nesses departamentos, assim será. As Scaleups se concentram no aprimoramento e especialização, em busca de crescimento.

3. Aversão ao risco

Quanto maior a empresa, maior a sua aversão ao risco. Você tem uma pequena base de clientes, um produto ainda não-validado e tração zero? Então você realmente não tem muito a perder quando confrontado com a perspectiva de buscar uma ideia nova e incomum.

Nos primeiros dias, o sucesso da empresa dependia de sua capacidade de operar rapidamente em resposta aos comentários, dados e insights coletados ao longo do caminho. 

Por outro lado, nas Scaleups, os investidores, clientes e membros da equipe agora esperam aumentos de escala para multiplicar os resultados rapidamente. Quanto mais dinheiro você ganha, mais cuidadoso você tem que ter quando se trata de experimentar novos caminhos.

Podemos começar a observar o início do Dilema do Inovador, descrito pelo Prof. Clayton Christensen.

4. Sistemas e processos

Por natureza, as Startups geralmente têm sistemas muito flexíveis. O processo usado por alguém para elaborar uma campanha de marketing por e-mail, atualizar um aplicativo ou responder a e-mails de clientes está constantemente mudando.

Nesse cenário, os membros de um time geralmente têm liberdade de experimentar vários processos até descobrir o que funciona melhor para eles. Eventualmente, eles são convidados a documentar esse processo em um sistema que pode ser facilmente replicado.

Mas à medida que as Startups evoluem para Scaleups, os sistemas organizados se tornam imperativos para manter o controle de qualidade e concluir os projetos no prazo.

5. Hierarquia de gestão

A liderança necessária para uma empresa em estágio inicial é totalmente diferente daquela necessária para uma empresa que está escalando seu modelo de negócios. Basicamente, quanto mais pessoas você contratar, mais pessoas precisará gerenciar, certo?

Embora a gestão de uma equipe de 10 pessoas seja possível para alguns co-fundadores, supervisionar uma equipe de 30 pessoas pode ser bastante complicado.

À medida que os departamentos se tornam maiores, há mais espaço para erros ao passar projetos de uma função para a seguinte. Se não conseguir gerenciar esses novos desafios corretamente, você poderá ter problemas.

Agora que você já entendeu como as Scaleups se diferenciam das Startups, apresentando desafios ainda maiores e mais complexos, fica mais fácil entender por que o burnout se tornou tão comum nessas empresas.

Vamos aprender um pouco mais sobre as causas dessa síndrome e pensar um pouco sobre o que provocou a “cultura do esgotamento mental”?

A “cultura do Burnout”

Os millennials podem até ser conhecidos como a “geração do burnout”, mas a exaustão no trabalho é história antiga.

Por outro lado, embora o burnout não seja novidade, hoje há mais pesquisas por trás do fenômeno – e mais sugestões para evitá-lo.

O desafio do equilíbrio entre vida profissional e pessoal decorre da ética do trabalho milenar que implica que “sempre devemos estar funcionando”, isto é, “fazendo algo que seja útil”. 

Essa crença de viver para trabalhar se tornou realidade para muitos trabalhadores hoje – incluindo aqueles que não são millennials. 

Por que parecemos mais esgotados hoje?

Devido à necessidade de estarem digitalmente conectados 24 horas por dia, sete dias por semana, e pela ansiedade em relação às perspectivas de desemprego, falta de aposentadoria, mudanças nos modelos de trabalho e à obrigação, muito comum, de equilibrar faculdade e trabalho, o esgotamento está atingindo os trabalhadores mais jovens mais cedo – e com ainda mais impacto.

Embora as gerações passadas tenham sofrido com burnout, pesquisas mostram que a geração dos millennials de fato sente a pressão mais dramaticamente, com um extrato de 84% dessa geração sofrendo desgaste no emprego atual, em comparação com 77% de todos os entrevistados. 

Além disso, quase metade dos millennials dizem que deixaram um emprego especificamente porque se sentiram esgotados, em comparação com 42% de todos os entrevistados.

Mas o burnout não apenas afeta carreiras profissionais: ele também pode ser impiedoso para as relações pessoais e para a saúde. 

Entre os funcionários que estão frequentemente ou sempre esgotados, 63% têm mais chances de passar um dia doente e 23% têm mais chances de visitar o pronto-socorro. Os problemas psicológicos e físicos de colaboradores esgotados custam entre US $ 125 bilhões e US$ 190 bilhões por ano em gastos com saúde nos Estados Unidos, por exemplo.

Não é de surpreender que esses mesmos colaboradores também tenham duas vezes mais chances de concordar fortemente que as demandas de seu trabalho interferem na vida familiar.

Tampouco é à toa que o burnout foi, este ano, oficialmente classificado como uma síndrome pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, são quase 20 milhões de trabalhadores que sofrem com o novo “mal do tempo”.

Em pesquisa conduzida pela USP e divulgada pela ÉPOCA, observou-se que os sintomas do burnout são semelhantes aos da depressão, estresse e ansiedade. O que o diferencia desses transtornos é que, no caso do burnout, embora as áreas cerebrais afetadas sejam as mesmas, a causa é, especificamente, devida ao trabalho.

Além disso, a pesquisa constatou que um em cada cinco trabalhadores brasileiros sofre de burnout. Quando se leva em consideração também os que tiveram ao menos algum dos sinais, mas não “queima total”, fica-se diante de um quadro que atinge metade da força de trabalho do país, de acordo com a matéria.

Como as Scaleups têm contribuído para fomentar o burnout? 

Bom, o modelo de trabalho associado a empresas com esse perfil é propenso a esgotar seus trabalhadores. 

A conclusão da pesquisa conduzida pela USP alerta que “a rotina profissional piorou de tal maneira nos últimos anos — impulsionada por avanços da tecnologia, mudanças na sociedade e no mercado de trabalho e novas dinâmicas empresariais —, que acabou por abalar a saúde mental das pessoas.”

Scaleups são fábricas de burnout: o elefante na sala e por que ninguém fala sobre ele

Pressão.

Se pudéssemos resumir o trabalho em boa parte das Startups e Scaleups em uma palavra, acredito que muitos escolheriam essa.

A pressão ocorre tanto nos estágios iniciais de uma empresa quanto no momento em que ela começa a crescer vertiginosamente. Em parte, isso deve por quase nunca haver dados confiáveis suficientes nos quais os empreendedores possam basear uma decisão crítica, de modo que, conseqüentemente, eles são forçados a agir de acordo com a intuição na maior parte do tempo. 

E o grande número, bem como a rapidez, das decisões necessárias em um dia comum podem estressar ou esgotar os até mesmo os fundadores mais experientes e entusiasmados. Afinal, você nunca se sente seguro de que está, de fato, fazendo o melhor para todos.

É por isso que a maior parte das Startups, ainda que tenham seu produto ou modelo validado, não consegue atingir o primeiro estágio de expansão. Num cenário como esse, existem expectativas de todos os lados sobre como levar o negócio de 0 a 500 milhões de reais – e muitos CEOs precisam abandonar o barco no meio do caminho por conta do burnout. 

E ainda que as Scaleups sejam, por definição,um indicativo de sucesso, a pressão, por outro lado, só aumenta. A transição de uma Startup para uma Scaleup nunca é feita sem impactos significativos sobre os processos da empresa, seus colaboradores, seus executivos, seus fundadores…

Estes precisam cuidar para conter a tensão de modo a não deixá-la vazar para os colaboradores; por outro lado, os colaboradores precisam se adaptar a um modelo de negócio mais ágil sem sucumbir à pressão. 

Ou seja, além de enfrentar uma série de obstáculos para se construir um negócio que faça sentido, o maior desafio interno das Scaleups é superar o ar de “heroísmo” associados às Startups que passam para a fase dois – “uma empresa que venceu as adversidades do mundo dos negócios” – para encarar um modelo mais metódico, e menos romântico, de crescimento. 

A incapacidade de adotar processos coletivos e sistemáticos para substituir o heroísmo individual – por exemplo, continuando a entregar projetos únicos, repletos de identidade, quando seus clientes imploram por soluções padronizadas e repetíveis – causa um estresse incalculável em todos, impactando clientes, parceiros, executivos e, claro, a equipe.

É abalar profundamente uma estrutura que já não era muito segura.

Em resposta à pressão e à necessidade de adaptar colaboradores a esse novo ritmo, muitos adotam uma abordagem perigosa que equipara quantidade de esforço e trabalho a sucesso. Em outras palavras, “quanto mais você trabalhar, mais sucesso teremos”. 

Já os executivos, fundadores e membros do conselho normalmente têm dificuldade em se desligar do trabalho, acostumando-se a viver sob constante pressão – o que, invariavelmente, faz com que ela seja espalhada por outras áreas da vida.

Seria irrealista, porém, dizer que é possível empreender sem pressão, ou que é possível mudar esse cenário com algumas modificações simples. Muito mais do que uma questão de modelo de negócios, é uma questão cultural e psicológica.

Não é, portanto, que as Scaleups sejam o berço de um fenômeno com graves consequências para nosso bem-estar. Mas elas são ambientes que costumam potencializá-los – e não podemos ignorar isso.

Burnout não é sinônimo de sucesso

Pesquisadores da USP definem psicodinâmica do trabalho como “uma área do conhecimento que se desenvolve há cerca de 40 anos, expandindo os discursos anteriores da psicopatologia e colocando-os sob uma perspectiva de emancipação. Através de estudos nessa área, comprovou-se que o trabalho nunca é neutro: ou ele leva o indivíduo a um processo de alienação ou a processos emancipadores, onde se pode crescer mais como profissional e como sujeito dentro de um determinado coletivo”.

Quando falamos de burnout, essa linha é especialmente tênue. 

Isso porque o trabalho parece ter evoluído de uma necessidade para um meio de identidade, criando-se uma cobrança para serem “bem-sucedidas” que vai muito além de aspectos meramente econômicos.

Mas, afinal, como definir, exatamente, o sucesso? Estamos nos concentrando demais na evidência material de sucesso e não na maneira como nos sentimos quando fazemos algo e nos sentimos bem-sucedidos?

Faça um teste. O que vem à sua cabeça quando você ouve ou lê a palavra SUCESSO? E o que vem à sua cabeça quando você ouve ou lê a palavra FELICIDADE?

Embora níveis mais baixos de renda possam impactar os níveis de felicidade, os níveis mais altos de renda não estão necessariamente associados a pessoas mais felizes. 

Felicidade é um conceito complexo que é influenciado por muitas variáveis. O World Happiness Report (2019) analisou o PIB per capita, a expectativa de vida, o apoio social, a liberdade de escolha, a generosidade e as percepções de corrupção e ponderou essas variáveis em relação aos níveis de felicidade de cada país.

Enquanto os Estados Unidos, China e Japão são os três principais PIBs do mundo, isso não equivale necessariamente ao quociente de felicidade da população. De fato, nenhum deles está no Top 10 e os Estados Unidos mal entram no Top 20 (#19), com a China (#93) e o Japão (#58) ficando lá embaixo quando o assunto é felicidade.

Pudera: o modelo chinês 9-9-6 (trabalho de 9h da manhã às 9h da noite, 6 dias por semana) é desumano. Nesta matéria do El País, a jornalista Macarena Vidal Liy pinta um cenário que parece saído direto de uma distopia. 

Por exemplo, como relata um dos entrevistados para o artigo:

“Eu tinha de ficar sempre no escritório trabalhando até tarde e, é claro, sem pagamento extra. Nos fins de semana o chefe podia ligar para você, se houvesse alguma emergência, e você tinha de ir. Se você ia embora cedo, mesmo que não tivesse nada para fazer, isso era mal visto: achavam que você não estava trabalhando duro o suficiente”

Soa familiar? Pois é. O Vale do Silício andou recebendo as mesmas críticas.

Isso ocorre porque ainda alimentamos a ilusão de que felicidade é sinônimo de sucesso e sucesso é sinônimo de bens e luxo. E o burnout reflete essa busca insaciável pela felicidade através do sucesso e pelo sucesso através do trabalho incessante.

Eu acredito que haja, sim, relação entre trabalho, sucesso e felicidade. Mas não nestes termos.

Você não é mais bem-sucedido porque vive cansado. O seu burnout não é indicativo de que você “seu deu bem na vida”. É impossível sermos felizes estando esgotados e não tendo tempo sequer para parar e refletirmos a respeito de nossa felicidade. Esse é um mito propagado por modelos de negócios que se beneficiam da vulnerabilidade  social, psicológica e econômica dos trabalhadores. 

Força de vontade e ambição não devem se manifestar como 12, 14, 16, 20 horas de trabalho diárias. Força de vontade e ambição devem se manifestar como DESEJO e VOCAÇÃO; como AMOR pelo que se faz e consciência de que você faz o que faz porque você tem um PROPÓSITO. Porque tem algo muito maior que move você – e não porque você se sente cobrado – pelo seu chefe ou pela sociedade ou até mesmo por você mesmo –  a “ter sucesso”.

Aí sim, quando fazemos algo com propósito, e nos realizamos através desse propósito, podemos associar sucesso a felicidade. 

Como evitar o burnout? 10 dicas práticas

  1. Faça meditação
  2. Faça terapia
  3. Procure um psicólogo
  4. Alimente-se de forma balanceada
  5. Esteja presente
  6. Pratique exercícios físicos
  7. Faça pausas de descompressão
  8. Respire
  9. Durma pelo menos 7h por dia
  10. Faça exercícios de inteligência emocional

CONCLUSÃO

Se você se sentir esgotado – passando, tendo passado ou à beira de um burnout – eu sugiro que você olhe para o seu trabalho – e para a sua carreira – como se você estivesse a 10.000 metros de altura de si mesmo.

Seu caminho atual te satisfaz? Você sente que trabalha muito mais do que deveria? Você sente que tem condições de buscar uma alternativa melhor? Quando foi a última vez que você se sentiu realizado no trabalho? Você se sente em paz quando deixa o trabalho? Você consegue estabelecer limites entre o trabalho e a vida pessoal?

Não é fácil implementar as mudanças necessárias para evitar a proliferação de crenças e modelos de trabalho nocivos, mas um bom primeiro passo e termos consciência de quais limites precisamos impor. 

O nível de burnout em Scaleups não pode ser encarado como “ossos do ofício”. Abrir mão da saúde mental não deve ser encarado como um “sacrifício”. 

Que a felicidade seja sempre nosso maior indicativo de sucesso. Só assim poderemos, de fato, usar nosso trabalho a favor de um mundo melhor 🙂

Dá uma olhada no Burnout Index: https://burnoutindex.org/

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De executivo a empreendedor: mitos e verdades do empreendedorismo!

*Artigo originalmente publicado na Revista PEGN

Uma pesquisa recente do Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostrou que um empreendedor de 50 anos de idade tem 2,8 vezes mais chances de ter sucesso do que um de 25. O principal motivo é que ter ideias inovadoras é ótimo, mas o que ganha o jogo mesmo é a execução – e isso depende principalmente de experiência.

Empreender após alguns anos em cargos de liderança, portanto, pode ser mesmo uma enorme vantagem. Mas essa não é uma decisão trivial – e é natural que alguns leitores se perguntem: será que esse tipo de aventura é para mim?

Para responder essa desafiadora pergunta, é preciso se aprofundar um pouco no tema “comportamento empreendedor” – o nome da disciplina que leciono no Insper.

Um ponto de partida é: no momento de fazer essa reflexão, livre-se das ideias equivocadas que cercam o tema do empreendedorismo – ou dos “mitos”, como a figura do jovem empreendedor do Vale do Silício desmentida pela pesquisa do MIT.

Vamos a quatro exemplos bem corriqueiros:

Mito: Empreendedor é um tipo que nasce feito.

O espírito empreendedor está nos genes, dizem por aí. Eles inventam negócios em suas garagens aos 15 anos de idade, usam roupas estranhas e são incompreendidos em festas e coquetéis. São geniozinhos desde a adolescência.

Realidade: Ele é uma pessoa comum.

O empreendedor médio tem entre 35 e 45 anos de idade, dez anos ou mais de experiência em uma grande empresa, educação e QI médios e, ao contrário do mito popular, tem um perfil psicológico surpreendentemente normal. Em grupo, comporta-se e fala como você e eu.

Mito: O objetivo do empreendedor é tornar-se milionário.

Os ícones do empreendedorismo fundaram seus negócios porque vislumbraram a chance de ter um iate aos 25 anos, certo? Bem, não.

Realidade: O salário de executivo costuma ser muito melhor.

Relativamente, poucos empreendedores ganham salários milionários, como os altos executivos de hoje em dia. A obsessão real do empreendedor é sua visão, seus clientes, seu produto.

Dinheiro é só o combustível necessário. Os investidores de risco, que são avaliadores minuciosos da capacidade empreendedora das pessoas, sabem descobrir os tipos “quero ficar rico rapidamente” e os evitam fortemente.

Mito: Empreendedores não têm chefe.

Ao contrário dos executivos, empreendedores se tornam donos do próprio nariz, são independentes, fazem os próprios horários… Ou não?

Realidade: Chefe é um conceito amplo.

Muita gente pode ser vista como “chefe” de um empreendedor: sócios, investidores, clientes, fornecedores, empregados, família, comunidade. Mas é verdade que os empreendedores podem eventualmente escolher as exigências que vão atender, quando e de que forma.

Mito: Preciso ser excepcional para empreender.

Muita gente acredita que o empreendedor precisa ter TODAS as competências necessárias a um líder: autoconfiança, automotivação, comunicação, criatividade, energia, negociação, perseverança, relacionamento interpessoal…

Realidade: Ninguém é assim.

Fora das telas do cinema, não existem super-homens ou super-mulheres. Desenvolver-se como empreendedor é, na verdade, tornar-se protagonista de sua própria vida. É ser apaixonado por seu propósito. É ter prazer em expressar seu talento.

Como saber se estou pronto para empreender?

Os mitos e realidades que cercam o empreendedorismo precisam ser levados em conta por qualquer um que pense em empreender. Isso ajuda a enxergar de maneira mais clara o caminho à frente. Mas, para aqueles que têm bons empregos e sonham em largar tudo para abrir um negócio, vamos fazer uma rápida dinâmica.

Funciona assim:

Se você está agora no seguinte momento de vida:

  • Trocando a segurança do emprego pela incerteza de um novo empreendimento
  • Organizando as finanças para ficar sem salário e trabalhar por um sonho
  • Sonhando em viver sem processos definidos, orçamento anual, chefes etc

Deixo abaixo três perguntas para você fazer a si mesmo:

1) Você encontrou um(a) sócio(a) que te complementa?

Existem três atividades fundamentais na vida do empreendedor: vender, entregar o produto, cuidar da gestão e das finanças. Poucos seres vivos são capazes de fazer bem as três coisas. Você precisa encontrar a metade que o complementa nessa aventura.

2) Você prefere planejar ou fazer?

Feito é melhor do que perfeito. Planejamentos longos podem ser perda de tempo. A ordem do dia para o empreendedor é: construa protótipos, valide as hipóteses, saia do prédio, vá para a rua, coloque a mão na massa e repita o processo até que o empreendimento comece a ganhar tração. Se tiver que mudar de rumo, mude. Se tiver que falhar, falhe rápido e toque o barco. Se você não cometer erros, é porque está indo devagar demais.

3) Como anda a sua resiliência?

Você está pensando em empreender no Brasil. Não se engane. Durante seu caminho, você irá encontrar desafios como: pesada carga tributária, burocracia, pouco acesso a crédito, antiquada legislação trabalhista, concorrência desleal, gargalos de infraestrutura, falta de profissionais qualificados, pouca educação empreendedora. Antes de tomar qualquer decisão, portanto, reflita de maneira honesta sobre sua resiliência.

Tudo isso dito, não há motivo algum para pessimismo. Temos que acreditar no Brasil e sonhar em construir um país de empreendedores. Eles são os agentes efetivos de mudança em nossa sociedade.

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Empreender é uma atitude de vida! [VÍDEO]

Muitas vezes a gente confunde empreendedorismo com o ato de abrir uma empresa.

Embora, sim, essa seja uma excelente forma de empreender, não devemos nos limitar a essa definição.

Empreender é uma questão de atitude de vida. Você pode empreender criando a sua própria empresa, você empreender numa empresa grande, você pode empreender no governo e você pode empreender na sua própria vida.

Eu acredito que a partir do momento em que você decide ser protagonista da sua vida, você já está empreendendo. Depois, afortunadamente, você vai encontrar um propósito que seja maior do que você e passará a empreender como uma forma de servir a esse propósito.

Bati um papo super bacana com o Ian Borges, para o LIFEHACKER TALKS, sobre como EMPREENDEDORISMO e VIDA são duas faces de uma mesma moeda e como precisamos transformar a educação para que cada vez mais jovens possam iniciar sua jornada pelo empreendedorismo.

Assiste aí e me conta o que achou!

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Por que vendi minha empresa por 130 milhões? [PODCAST]

Empreendedorismo e educação são as duas forças capazes de mudar o mundo. O grande problema é que o nosso modelo educacional segrega as duas coisas, formando os alunos e futuros empreendedores por professores puramente pesquisadores sem prática no mundo dos negócios.

Conversei com o Hernane Ferreira Jr, do EMCONSTRUcast, sobre o que podemos fazer para transformar essas condições.

Além disso, contei um pouco sobre minha jornada, o que me levou a vender minha empresa por 130 milhões e as novidades que estou preparando para os próximos meses!

Ouve aí!

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Como achar um sócio para o seu negócio?

Ter um sócio em seu negócio é benéfico por uma série de razões.

Os sócios ajudam a compartilhar o estresse associado à abertura de um novo empreendimento, fornecem outro ponto de vista ao contribuir na resolução de um problema e ajudam nas despesas envolvidas.

Os investidores também preferem investir em empresas com pelo menos dois fundadores, porque ajuda na mitigação de riscos. Se um co-fundador sair, isso não significa necessariamente que a empresa não existirá mais.

Diz-se que encontrar um sócio é muito parecido com encontrar um cônjuge: super difícil. Não existe fórmula para responder à pergunta “como achar um sócio?“. Vai depender muito do seu negócio, das suas qualidades e do que você considera importante para que os objetivos em comum sejam atingidos.

Mais especificamente, as qualidades essenciais para procurar em um co-fundador são:

Habilidades complementares

Existem 3 atividades fundamentais na vida do empreendedor, são elas: vender, entregar o produto e cuidar da gestão e finanças. Nenhum ser humano no mundo é capaz de fazer bem as 3 coisas! Encontre um sócio que te complemente!

Alinhamento de paixão e metas de longo prazo

Vocês devem ser apaixonados pelo negócio e estar de acordo sobre quais são os objetivos de longo prazo para a empresa.

Personalidade

Vocês devem se dar bem e serem capazes de resolver quaisquer problemas que surgirem. Ter personalidades compatíveis e compartilhar os mesmos valores facilita o trabalho produtivo em conjunto

Respeito mútuo

Relacionamentos fortes são construídos em base de respeito mútuo. Os fundadores precisam disso para prosperar.

E você? Tem um sócio? Ele(a) possui habilidades complementares às suas e está alinhado(a) com você em sua jornada empreendedora? Me conta nos comentários!

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15 indicações de filmes, séries e vídeos para aprender um pouco sobre soft skills e empreendedorismo

De vez em quando, gosto de unir o útil ao agradável e aproveitar o tempo livre para aprender enquanto, ao mesmo tempo, me entretenho.

Nessa lista, separei alguns dos meus programas, séries e filmes favoritos, ou que despertaram o meu interesse, e que, de quebra, me ajudaram a aprender um pouco mais sobre soft skills e empreendedorismo.

Ela tende a crescer agora que o tema empreendedorismo está tão forte em diversos países.

Embora a maioria seja estrangeira, os vídeos do Day1 e Sonho Grande da Endeavor são especiais por retratarem histórias de pessoas que empreenderam e conquistaram sucesso aqui no Brasil.

Vou atualizando a lista conforme for encontrando mais conteúdos bacanas. Você pode conferir outras indicações na aba #VABOINDICA. Espero que curta!

VÍDEOS

SÉRIES/PROGRAMAS DE TV

  • Men Who Built America, do History Channel
  • Shark Tank, da ABC
  • Bloomberg Game Changers, da Bloomberg
  • Gigantes da Indústria, do History Channel

FILMES

  • A Rede Social (tem na Netflix!)
  • Jobs — o filme
  • Piratas do Vale do Silício
  • Print The Legend (tem na Netflix!)
  • Something Ventured (tem na Netflix!)
  • The Startup Kids
  • Everything is a Remix

Empresa muito forte é aquela que consegue desenvolver internamente as pessoas

Entendemos a importância das trocas de experiência e aprendizados dentro do ecossistema empreendedor, por isso participamos do programa de mentorias, networking e aceleração para empreendedores da Endeavor: o Scale Up.

Sediado em várias cidades ao redor do país e com edições específicas por setor de atividade, o projeto busca conectar empreendedores que sonham grande e lideram empresas Scale-Ups, ou seja, que já apresentam alto crescimento e tem um modelo de negócios inovador e comprovado pelo mercado, a escalarem seus negócios e colocarem em prática os conselhos dos mentores para crescerem ainda mais. A ideia é tornarem-se protagonistas na sociedade e grandes exemplos no Brasil e no mundo.

Como parte da jornada dos empreendedores participantes, são promovidos diversos encontros temáticos com mentores especialistas. Recentemente, tivemos o prazer de receber aqui na Stone um grupo de 30 empreendedores das 15 melhores empresas scale-up do Rio de Janeiro. Os mediadores que ofereceram mentoria a essa turma foram meus sócios André Street e Bernardo Carneiro. Ao longo da tarde, a dupla discutiu com o público diversos temas como Atração e Retenção de Talentos, Cultura, Treinamento & Desenvolvimento, Avaliação de Desempenho, Remuneração Variável e Stock Option. Seguem abaixo os highlights da conversa.

Mentoria Scale Up Endeavor: O dia

A tarde começou com uma palestra breve dada pela Nalini Rincon e Natan Gorin, líderes do time de Relacionamento com o Cliente da Stone, seguida por um tour pelas nossas mesas de atendimento e grupos de encantadores. Isto pôde dar aos empreendedores poderosos insights sobre como investir no relacionamento com seus clientes e torná-lo um diferencial real de seus negócios frente à concorrência.

Em sequência, foi a vez de o André e Bernardo darem as boas-vindas ao público e explicarem sobre nossa cultura e nossos diferenciais: estratégia de polos, relacionamento com o cliente (nosso “Heartware”) e nossa tecnologia.

Atração e Retenção de Talentos

André comentou com os participantes como não gosta da palavra “retenção”, na sua essência, porque acredita que uma empresa não deve tentar reter as pessoas, mas sim encantá-las todos os dias. Para isso, ela deve prover desafios que as deixem estimuladas, uma boa remuneração para que tenham sua vida familiar segura, um time cheio de pessoas boas para se inspirarem, um sistema de avaliação justo, que busque tirá-las da zona de conforto e construir o próximo passo na carreira, e, naturalmente, um programa de sociedade que verdadeiramente enriqueça aquelas que gerarem valor relevante. Nós acreditamos que, se pensarmos nisso associado a um propósito instigador, nem é preciso pensar na palavra “retenção de talentos”, que pode referir-se a “prender alguém contra sua própria vontade”. O sistema tem que ser um pouco tenso nos desafios, mas uma empresa de pessoas fanáticas e apaixonadas dá saltos difíceis de se replicar.

Outro ponto abordado neste tópico foi o conflito entre desenvolver novos talentos X trazer pessoas já experientes do mercado para o time. André falou que a solução é ter um mix entre ambos os perfis.

No entanto, neste ponto é necessário ter atenção ao alinhamento cultural (e motivadores) que deve ser trabalhado nestas pessoas mais experientes e que, provavelmente, já virão com vícios do mercado. Quanto a isso, acreditamos que o processo de mergulhar alguém na cultura (ou seja, no jeito de fazer as coisas) do negócio não é tão difícil assim, já que o próprio time pode ajudar a tornar estas pessoas insiders na cultura do negócio.

O mais difícil é justamente entender o que motiva essas pessoas e o que elas buscam no longo prazo se dedicando ao seu projeto, alinhar isso a remuneração e a um sistema que privilegie o mérito; e explicar a esta pessoa que ensinar os mais novos vale a pena e é chave para essa relação dar certo. Pessoas que não têm prazer em dividir seu conhecimento não devem durar muito em organizações que procuram esse mix.

Na nossa opinião, é importante entender muito bem do negócio e o que a empresa pode oferecer em termos de oportunidades de desenvolvimento; afinal, pessoas boas querem sempre crescer. Apesar disso, André também é otimista sobre este ponto. Na nossa visão, os profissionais das empresas incubentes (tradicionais e não inovadoras) estão acompanhando as insurgentes (disruptivas) e vendo as mudanças acontecerem. Sendo assim, não deve ser tão difícil convencê-las a assumir um sonho e encantá-las com o futuro até onde elas podem e querem chegar, o que querem melhorar na sociedade para os seus clientes e como criarão valor. Sonhos poderosos encantam pessoas boas.

“Empresa muito forte é aquela que consegue desenvolver internamente as pessoas” foi a frase que marcou esse momento. E ao contrário do que muitos podem pensar, André reforça que nem sempre é de fato mais barato investir em talento interno. Demanda muitos treinamentos, mas vale a pena.

Avaliação de Desempenho

André explicou o modelo de avaliação de desempenho que utilizamos na Stone e que foi construído e defendido pelo antigo CEO da GE, Jack Welch, em seu livro Paixão por Vencer. Ao avaliarmos as pessoas pelas entregas e aderência à cultura e divulgarmos publicamente sua performance (as notas de todos são enviadas por e-mail para a empresa inteira), André acredita que o ego das pessoas é demitido todos os dias, o que é especialmente importante para os profissionais mais experientes.

Apesar disso, nós reforçamos a importância do feedback diário e constante, não apenas no período formal de seis meses como muitas empresas praticam. Deve ser um exercício altruísta, que busca de forma genuína melhorar a vida de quem recebe o feedback, e deve estar alinhado com os interesses da empresa.

Treinamento & Desenvolvimento

Este é um ponto crucial na jornada das nossas pessoas. O Onboarding, primeiras semanas e meses do colaborador, é a hora certa de já falar de ética, como a empresa se comporta e, principalmente, o que ela não tolera. Neste momento, André recomendou a leitura do livro Extreme Ownership, do ex-navy seal Jocko Willink.

Outra dica é fazer viagens e acompanhar reuniões com as pessoas de mais alto potencial, bem como dedicar tempo a elas. As imersões de treinamento com todo o time são muito boas, se possível, para reforçar o propósito e os objetivos da empresa e da vida de todos.

Remuneração Variável e Stock Option

Sobre a distribuição de ações entre os colaboradores, André reforçou a importância de não deixar as pessoas comparando valores entre si e alertou sobre aspectos específicos de como fazer um bom programa de ação e incentivos para alinhar os interesses de todos na organização. Para ele, antes de mais nada, o empreendedor deve manter-se imaculado eticamente e não se meter em problema, ou seja, não pegar atalhos de qualquer gênero como PJs, sonegar impostos etc.

“Líder tem que ser exemplo de ética e correção e sua maior missão é dar ao time o melhor ambiente para atingir seus objetivos. O bom líder forma outros líderes e está sempre preocupado com as pessoas. Líder inspira, pega no pé dos bons e reforça o propósito o tempo todo. Os bons líderes que conheço são humildes de verdade, buscam conhecimento e adoram passá-lo adiante. São admiráveis e corretos e cumprem a palavra sempre.”

Por isso, acreditamos em um framework básico de ética que pode orientá-lo em decisões difíceis:

  1. Saiba o que é certo e errado
  2. Analise friamente os fatos
  3. Pergunte-se como isso vai ser percebido por terceiros?

A dica final é: não vá contra seus princípios, não deixe se levar pela emoção ou subjetividade em negócios e não faça nada que não possa contar aos outros ou ler no jornal no dia seguinte.

E você, se pudesse ser um mentor por um dia, que dica daria?

Artigo publicado originalmente no Portal da Endeavor.