Impactos do COVID-19 na Economia: como devemos nos posicionar?

Qual o impacto do COVID-19 na Economia e o que líderes e empreendedores podem esperar do Novo Normal?

Chamei o Andrey Nousi (@andreynousi), que mora no exterior há quase 15 anos, trabalha no mercado financeiro e faz gestão de portfólio para bilionários em um grande banco na Suíça, para bater um papo sobre o tema lá no meu Instagram @vabo23.

Ele trouxe insights super interessantes, que esclarecem um pouco o nosso cenário atual e o que esperar do futuro. Separei alguns deles a seguir:

COVID-19 e a atualidade: o impacto é negativo ou positivo?

Quarentena, lockdown, isolamento social, uso obrigatório de máscaras. 

Todos esses termos e necessidades se tornaram comuns na vida dos brasileiros. A realidade, hoje, é quase que completamente oposta à que estávamos habituados – repleta de encontros, abraços, interações pessoais.

Estamos em uma era de muitas incertezas. E, nesse panorama, o impacto inicial é meio positivo, meio negativo. 

Vivenciamos, todas as semanas, diversas mudanças drásticas. Nessa conjuntura, por exemplo, o futuro do trabalho virou trabalho. Dezenas de processos que iriam demorar anos para acontecer, aconteceram em semanas. 

Por outro lado, existem muitas pessoas com depressão, distúrbios do sono, ansiedade e outros problemas psicológicos. Além do desemprego, claro, que é, sem sombra de dúvidas, uma preocupante questão social. 

Como o governo tem se portado na pandemia? E como deveria se portar?

Isto é, como fazer uma análise da impressão de dinheiro que alguns países têm feito e da agenda da prestação de serviços para a população (em grande número desempregada) pelo governo, ao mesmo tempo em que se usa um mecanismo de proteção da economia?

Precisa-se, em primeiro lugar, diferenciar os países. Economias mais robustas, como os Estados Unidos estão mais aptos a passar por uma crise. 

O conceito de impressão de dinheiro não é o mais recomendado pela premissa inicial de que “dinheiro não nasce em árvore”. 

Desde 2008, em paralelo a isso, a política monetária se reinventou. Não importa quanta moeda imprima-se, sempre vai existir demanda para aquela moeda. Isto é, não vai existir depreciação dela. 

A teoria que aborda essa prerrogativa é a Teoria Moderna Monetária. Nesse ínterim, afirma-se que os governos não deveriam se preocupar com dívidas porque o déficit governamental é um superávit no setor privado, de modo que existirá um equilíbrio. 

Mas é importante lembrar que os mercados não vivem em ilhas isoladas.

No momento em que um déficit em um governo for muito grande (mesmo que o superávit no setor privado seja satisfatório) e os países estrangeiros desconfiarem que ele não conseguirá pagar a dívida externa que ele possui, certamente aplicarão sua moeda em outro lugar e isso destruiria a economia de qualquer governo. 

Para conseguir captar capital estrangeiro, ou atrair investimentos estrangeiros, é preciso ter uma relação de confiança. E o Brasil não possui essa característica no momento, dentro do cenário mundial. 

O sistema capitalista precisa de uma reforma? 

Existe muito dinheiro no mundo. Entretanto, também existe muita desigualdade. A raíz do problema não reside na desigualdade em si, mas sim na base dessa desigualdade.

Muitas pessoas vivem na pobreza e na miséria, sem acesso ao mínimo. Então, sim, o modelo capitalista precisa se reinventar. Até porque a tecnologia não vai deixar de se desenvolver. Com isso, continuará destruindo empregos. 

Será sempre mais barato para empresas fazer automações. Entretanto, caso a população não seja alimentada e não tenha acesso ao mínimo necessário para a sua sobrevivência, ela certamente se revoltará. 

Alguns Estados, inclusive, estão implementando, em suas economias, medidas-teste para garantir que a população tenha esse mínimo, como renda básica universal, imposto de renda negativo, dentre outros. 

Como fazer do Brasil um país sério? 

Através da confiança. 

Quando temos confiança no outro lado, mesmos alinhamentos e interesses, é mais seguro investir. A confiança é uma vertente muito abalada no Brasil, sobretudo quando falamos da crise política. 

Talvez com o tempo, com uma maior estabilidade, posicionamentos mais claros, dinamização da economia e continuidade das reformas, essa confiança seja restaurada. 

Como minimizar os efeitos negativos do corporativismo que impedem que toda a agenda positiva de reformas seja implementada? 

Isso não acontece apenas no Brasil. O problema está muito mais no sistema. É preciso que ele seja criado para inibir situações em que a corrupção ou o lobismo possam ocorrer. 

Dicas para o jovem que vai entrar no mercado no cenário de pós-pandemia?

Seja o melhor que você possa ser. 

Procure estar sempre capacitado; estude, procure formas de aprender constantemente

Direcione sua atenção para o que você pode controlar (seu esforço). 

E o mundo pós-COVID 19, o que esperar dele? 

Sob uma ótica positiva, a disseminação de conteúdo de qualidade nos meios digitais foi algo muito benéfico. Enfim nos demos conta do tesouro que temos em mãos, direto em nossos celulares ou computadores.

E é provável que esse cenário continue, sobretudo no que diz respeito a aulas, palestras e cursos online. 

De igual modo, a sociedade se deu conta de que precisa cuidar dos seus e que é possível fazer isso ao mesmo tempo em que se dedica ao trabalho. Em outras palavras, o home office veio para ficar.

Economicamente, por outro lado, será difícil. O desemprego, como é esperado, aumentará. Políticas públicas provavelmente vão diminuir. Com isso, a segurança pública deve sofrer alguns prejuízos e a violência,como consequência, irá aumentar. 

Entretanto, como é possível comprovar com exemplos em toda história da humanidade, a sociedade sempre se reinventou em situações de crise. 

Certamente sairemos dessa situação muito mais fortes do que entramos, com muitos aprendizados.

Quer ver a live completa? É só dar play abaixo!

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