Como se tornar um lifelong learner

Lá no insta do @alemdafacul, eu e Gui Junqueira (@guijunqueira), fundador da Gama Academy, batemos um papo mega importante sobre o que futuro nos reserva como profissionais e o porquê de modelos tradicionais de aprendizado não fazerem mais jus aos desafios do mercado digital.

E um dos tópicos mais bacanas que surgiram na nossa conversa foi sobre o lifelong learning – ou o aprendizado vitalício.

Lifelong learners são as pessoas que nunca param de aprender. Mas, para se tornar um, é preciso questionar crenças e modelos que te acompanharam a vida inteira.

Por isso, preparei um texto especial, inspirado por essa live, sobre o que é ser um lifelong learner e compartilhando algumas dicas sobre o que é necessário para desenvolver essa mentalidade. 

Vamos lá?

O que é ser um lifelong learner

Ser um lifelong learner é se livrar das crenças promulgadas pelo modelo tradicional de educação, onde rola essa noção de que, uma vez terminada a escola e, depois, a faculdade, você está pronto para a vida. 

Mas, sendo um lifelong learner, a pessoa pressupõe que vai passar a vida inteira aprendendo, estudando. Essa é uma mentalidade diferente de aprendizado.

O modelo tradicional é linear no sentido de que você escolhe uma especialização e, teoricamente, segue essa especialização para sempre. Você se dá bem em Física, então obrigatoriamente você vai ter que ser um Físico, um Engenheiro, porque é para isso que a escola está te preparando. Só que, hoje, isso está ainda mais distante da nossa realidade como profissionais e seres humanos. 

Nós temos diferentes recursos a nosso alcance, diferentes caminhos. Eu não necessariamente preciso abdicar de outros caminhos para seguir um só, eternamente. 

Se a vida não é uma linha reta, por que a aprendizagem seria?

Ser um lifelong learner significa não fazer faculdade?

Muita gente tem essa dúvida – fazer ou não faculdade? –  justamente por conta desses pontos levantados. A faculdade não é mais uma obrigação. Você pode ter uma carreira de sucesso sem um canudo.

Porém, é recomendável? A faculdade não é mais necessária?

A verdade é que depende muito – de cada pessoa e das skills que cada um quer desenvolver.

Há ocupações que exigem um curso regulado – Medicina, por exemplo -, porque lidam com o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos regulados. Não dá pra fazer Medicina online, recebendo uma cobaia na sua casa e praticando operação cirúrgica à distância, né?

Mas existem outras skills que hoje vale muito mais a pena você saber aplicá-las, entender a necessidade de resolução de problemas em diferentes contextos, e usar essas skills, do que necessariamente você ter um pedaço de papel atestando que você sabe usar essas skills. 

Entre o conhecimento absorvido e a prática realizável, é onde está o aprendizado. Ele vem desse esforço de você aprender a teoria e praticar, se esforçando e tendo resultado, seja positivo ou negativo.

Logo, em vários casos você não precisa de uma faculdade para ter essa iniciativa de ir atrás de um conhecimento, absorvê-lo, colocá-lo em prática e colher os resultados. 

A vantagem da faculdade é você ter um espaço de curadoria desse conhecimento e contar com facilitadores para o entendimento e aplicação desse conhecimento. É um espaço para você fazer networking, fazer amigos – nossos amigos da vida muitas vezes vêm da faculdade, porque depois que você começa a trabalhar, é mais difícil construir determinadas relações -, então de forma alguma a faculdade é descartável.

O que é fundamental (e isso de parte tanto das universidades quanto dos alunos) é entender que o modelo tradicional – linear, focado em hard skills, por exemplo – não é favorável ao tipo de adulto e de profissional que precisamos formar hoje.

O custo-benefício da faculdade vem sendo muito questionado por isso. A gente precisa partir do pressuposto de que o aluno, principalmente o aluno adulto, é capaz de ir atrás do seu próprio conhecimento e faz isso ativamente. A gente está o tempo inteiro consumindo conteúdo, por exemplo. Como a universidade, então, pode complementar e desenvolver essa dinâmica, enriquecendo o conhecimento do aluno, estimulando-o a colocá-lo em prática dentro da sua própria realidade?

Porque, esse é outro ponto, o modelo tradicional de educação muitas vezes é excludente. Cada aluno vem de uma realidade – umas mais favoráveis, outras nem tanto. Como desenvolver um caminho de aprendizagem que permita a diferentes perfis de alunos absorver e praticar esse conhecimento?

Fazer uma faculdade continua sendo um passo importante para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional na medida que facilita o processo de aprendizagem, oferecendo insumos para seus alunos e criando oportunidades para que seu conhecimento seja aplicado. 

É muito recomendável que você se matricule em uma universidade e pegue o seu canudo – sabendo, porém, que de forma alguma ele determina suas capacidades ou dita o caminho que você vai percorrer pelo resto da vida.

Com faculdade ou sem faculdade: faça sua própria ementa

A heutagogia é parte fundamental do lifelong learning.

Isso porque a heutagogia, também conhecida como aprendizagem autodirecionada, é uma estratégia de aprendizagem centrada no aluno, que enfatiza o desenvolvimento da autonomia, da capacidade e do desenvolvimento de habilidades particulares, em diferentes contextos de conhecimento.

Nesse caso, os alunos contam com mentores, em vez dos professores tradicionais. Além disso, em vez de simplesmente concluir as tarefas atribuídas por professores, esses alunos procuram áreas de incerteza e complexidade nas disciplinas que estudam. Os mentores ajudam fornecendo contexto para a aprendizagem e criando oportunidades para que os mentorados explorem completamente seus assuntos de interesse.

Ou seja, heutagogia é planejar suas trilhas de desenvolvimento e criar seu próprio caminho

E ela se diferencia da Pedagogia e da Andragogia justamente nesse ponto: você determina o seu aprendizado, ao invés de seguir um caminho pré-estabelecido. 

Para te ajudar a construir sua ementa e desenhar sua jornada, arranje um mentor que esteja a um ou, no máximo, dois níveis acima de você (para não haver muita discrepância) ou um par que esteja no mesmo nível e que tenha motivação intrínseca e tempo disponível para um puxar o outro ao longo da jornada de aprendizagem. 

O nome dessa técnica é follow the path, e pode ser aplicada tanto em contextos acadêmicos – na faculdade – quanto profissionais, no seu dia a dia de trabalho.

Eu escrevi um artigo onde falo sobre como encontrar um mentor e estruturar uma mentoria. Dá uma lida!

Slash de carreira: os benefícios de ser um lifelong learner

O conceito de slash de carreira é outro que vai na contramão da noção de que se você escolheu uma profissão, vai praticá-la, linearmente, pelo resto da vida.

Na verdade, estamos caminhando para um futuro cada vez mais populado de profissionais slash.

O profissional slash é aquele que tem sua renda oriunda de múltiplas carreiras, com o objetivo de equilibrar o que “ama” com o que “precisa fazer”. O termo foi popularizado pela escritora nova-iorquina Marci Alboher no livro “Uma pessoa / Múltiplas Carreiras: O Guia Original das Carreiras Slash”

Isso significa que múltiplos aprendizados serão combinados para criar profissionais únicos, com diferentes cruzamentos de conhecimento.

Um profissional de vendas apaixonado por Cinema, por exemplo, pode cruzar seus conhecimentos de storytelling com as skills necessárias para ser um bom vendedor e encantar seus prospects com um pitch completamente original.

Um educador que manja de edição de áudio para podcasts tem, nas mãos, uma oportunidade única de usar formatos variados para promover a aprendizagem e, por que não?, criar o seu próprio podcast sobre Educação.

Mais e mais somos capazes de combinar diferentes aptidões e paixões para desenvolver serviços, produtos e modelos únicos no mercado. A mentalidade do lifelong learner vai se diferenciar justamente porque cria essa disposição para aprender, testar e cruzar conhecimentos constantemente.

Por que ser um lifelong learner

Sendo um lifelong learner, você:

  • Desenvolve hard skills e soft skills de forma equilibrada, favorecendo múltiplas habilidades
  • Se torna um profissional com capacidades diversas, podendo trilhar diferentes caminhos
  • Trabalha a sua autonomia, se apropriando dos seus conhecimentos de forma mais efetiva
  • Pode transformar suas paixões em fontes de renda
  • Se torna mais independente, como profissional e como pessoa
  • Está mais preparado para o futuro

O processo de aprendizagem vem favorecendo o fator humano, social e emocional, estimulando a troca, a convivência, a interação, a criatividade e o questionamento.

Para ser um lifelong learner, encare o aprendizado não como um fim, mas como um caminho que deve se estender por toda a vida! 

Quer ver na íntegra a troca super valiosa que tive com o Gui Junqueira? Dá play no vídeo abaixo!

3 comentários em “Como se tornar um lifelong learner”

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