Q&A: Bernardinho e Vabo respondem dúvidas sobre Liderança!

  • por
bernardinho-e-vabo-lideranca

No Instagram do @alemdafacul, fiz uma dinâmica de Perguntas e Respostas – o famoso Q&A – em comemoração aos 50 mil seguidores do Além da Facul.

Foi praticamente uma mentoria 100% voltada para tirar dúvidas dos alunos que estavam presentes na live! E agora você pode acompanhar parte dessa conversa por aqui!

As expectativas de um líder

Vabo: Hoje vamos responder suas dúvidas na companhia de ninguém mais, ninguém menos do que o grande Bernardinho! E nosso parceiro Tiago Reis já mandou a primeira pergunta: o que você espera de um sócio?

Bernardinho: Primeiro, a questão da lealdade. O cara que está contigo em qualquer situação.

O sócio tem que ter os valores que nos unem; um propósito muito alinhado com o que eu acredito e, principalmente, que ele tenha capacidades que eu não tenho, complementares.

Eu costumo até brincar, pensando na associação técnica como uma sociedade, que em pessoas que tem visões diferentes das minhas e muitas vezes me incomodam, mas é importante que eles me tragam esse incômodo e me questionem muitas vezes.

Empreendedorismo é um esporte coletivo. Mesmo que você comece sozinho, para escalar você precisa de um time com capacidades complementares e valores parecidos.

Vabo: Ou seja, a gente poderia resumir que os sócios precisam ser iguais, mas diferentes. Iguais em princípios, valores, propósito, mas diferentes habilidades, de preferência complementares. 

O bom líder sabe ser exemplo

Vabo: O Mário tem uma pergunta: o que fazer para conquistar seu time?

Bernardinho: Eu acho que a única coisa que conquista as pessoas é o exemplo. É você assumir responsabilidade.

As pessoas contam com você através do exemplo, quando eles veem que você está com eles. Então, você gera confiança. O time vai estar com você a partir do momento em que ele acredita em você.

Não é aquele que diz mil coisas e depois não faz, não tem coerência aquilo que ele diz com o que faz. Em determinadas situações, muitas vezes a gente não sabe o que dizer. Mas o mais importante é o time me ver ao lado deles e assumindo responsabilidades. E isso é um processo.

Você se tornará líder dependendo do caminho que você percorrer com seu time.

Vabo: É aquela velha expressão: eu não consigo ouvir o que você diz, porque suas ações falam mais alto. Liderar pelo exemplo é o único caminho.

Bernardinho: O som das ações é absolutamente muito mais alto do que o das palavras. É como a gente faz os liderados se sentirem. As lembranças têm muito a ver com o sentimento. Eles podem lembrar: foi duro, mas foi justo.

Vabo: Essa é uma dica importante nesse momento em que os líderes precisam tomar decisões mais duras. Mas a forma como essas decisões são tomadas fazem toda a diferença. Se você se preocupa com o “como”, de passar o que foi decidido com cuidado, isso fica marcado.

Bernardinho: É aquela história: ele pode perder o emprego, eventualmente. Mas não pode perder o respeito e a dignidade. 

A motivação X disciplina

Vabo: Duas perguntas aqui sobre um tema em que você é craque. Gustavo e Leandrin perguntaram sobre o tema motivação. A pergunta do Gustavo foi: “como manter o time motivado?” e a do Leandrin: “como motivar uma equipe que se perdeu?

Bernardinho: O tema motivação é extremamente rico, embora eu prefira o tema disciplina. Você tem que pensar na motivação do time ao contratar alguém. O que move aquela pessoa? Qual o propósito dela? Porque se ela não tiver um propósito alinhado com o do nosso time, nossa empresa, vai ser muito mais difícil motivá-la.

Porque ela tem outros sonhos e caminhos. Por exemplo, nós somos uma orquestra e tem uma pessoa que quer ser solista. Mas nós não somos solistas, e sim uma orquestra. Não são valores melhores ou piores, mas diferentes. E a motivação é algo que vem de dentro.

Mas há elementos que são extremamente motivadores para uma equipe. O primeiro é o senso de segurança, onde as pessoas confiam umas nas outras.

E, mais do que a motivação, ter  disciplina, porque nem todos os dias nós acordaremos motivados a fazer aquilo que esperavam ou que nos programamos para fazer. É importante ter disciplina para dizer sim para aquilo que é o nosso propósito maior. Steve Jobs dizia isso: “é muito difícil motivar alguém que não está alinhado ao projeto”.

Agora, como motivar ou resgatar uma equipe que se perdeu? Não dá.

Como ela se perdeu? Se perder é um processo que leva um tempo.  E houve certamente uma falha clara da liderança. Provavelmente uma zona de conforto excessiva, uma permissividade inaceitável. Líderes que muitas vezes buscam a popularidade e aceitação se tornam permissivos.

O segredo para o foco constante

Vabo: Tem uma pergunta aqui do Empório22 que é também uma curiosidade minha, que eu sempre tive desde que te conheci. Eu conheci o Bernardinho dando aula na PUC juntos, quando ele tinha acabado de sair da seleção brasileira, e eu costumo brincar que a gente não estava dando aula juntos, eu era o aluno número 1. E você já ganhou muitas medalhas, tem resultados no esporte, nos negócios… E a pergunta do Empório é: “como se manter focado mesmo chegando tão longe?

Bernardinho: Eu sou movido a desafios. E o meu auto desafio é o seguinte: por que eu vou me acomodar em função de vitória do passado?

É o meu desafio diário. Primeiro, porque eu amo o que eu faço. Eu faço as coisas com paixão. Quando eu acordo às 3:30 da manhã para pedalar, é porque eu tenho um propósito grande, de participar de uma prova que é muito difícil. Se eu não fizer isso, não vou conseguir chegar lá.

E eu sempre digo que o sucesso do passado não garante nada no futuro. E como eu posso dizer para as pessoas não se acomodarem quando eu não dou o exemplo e me acomodo? 

O que eu mais admiro nas pessoas é a vontade de aprender. E eu continuo acreditando que eu sou um trabalho em progresso. Eu quero ser um treinador na próxima temporada melhor do que eu fui na anterior. Isso é o que me move.

A mudança gera crescimento, que gera satisfação. Questionei, mudei, melhorei. E isso me dá satisfação. Eu sempre digo: “encontre o que você ama fazer e morra fazendo aquilo”. 

Há oportunidades em qualquer situação

Vabo: O Tiago tem uma pergunta aqui que eu vou estender a todos os jovens com os quais você tem contato.

Ele perguntou: “o que você diria para quem acabou de se formar em economia e encontra um mercado de trabalho desfavorável?” E qual a mensagem você daria para esses jovens que estão nesse cenário de incerteza e crise econômica?

Bernardinho: Primeira coisa, parabéns para você que se formou em economia. Eu também me formei em economia. E o fato é que você desenvolveu uma série de ferramentas importantes para lidar com diversas situações.

O mercado não é favorável? Muitas vezes também não era para uma competição. E se me perguntar como vai ser o mercado amanhã, eu não tenho muita convicção.

Mas pessoas dispostas continuam a aprender; e as que têm disciplina, trabalham bem em equipe, têm empatia com as pessoas, se comunicam bem…

Com esse arsenal de People Skills, você já tem uma base para aprender nessa nova etapa, que é o “além da facul”.

Pode parecer nebulosa essa situação, mas é preciso estar preparado para as oportunidades. Se desenvolva e tenha resiliência para ouvir os nãos, porque uma hora o sim vai chegar. A sua capacidade de se adaptar a esta nova realidade é o que vai fazê-lo chegar a novos patamares.

O dilema da Cultura X Resultado

Vabo: O Pedro Pipe faz uma pergunta aqui que me lembra um dos principais dilemas que os líderes enfrentam, que é o da Cultura versus o Resultado. A pergunta dele é assim: “você valoriza mais o seu colaborador leal e disciplinado ou aquele que te traz mais resultado? Qual você prefere ter no seu time?”.

Bernardinho: Vamos lá: claro que nós vamos valorizar sempre aquele que é leal e dedicado, mas isso não pode se tornar uma questão de cumplicidade reversa. É preciso dar chances para ele melhorar, mas se continuar sem entrega de resultados, eu não posso mais privilegiá-lo com base nos resultados do passado.

Por outro lado, se você premia aquele que entrega resultado, mas não está alinhado com a cultura da empresa, você está sendo permissivo à transgressão de valores.

Caso isso aconteça, você estará afetando a longevidade da instituição. E que tipo de mensagem você está mandando para o resto da equipe, quando você compactua com esta transgressão?

Certamente, a equipe se perde. Então, é menos difícil – o que não significa que é simples – capacitar e envolver a equipe para ajudar aquela pessoa que ainda não entrega resultados satisfatórios. 

Vabo: Me lembrou a definição do professor Falconi sobre o que é um bom líder. É aquela pessoa que bate metas, isto é, entrega resultados, com o time e fazendo o certo, seguindo os processos e os valores.

Liderança se aprende! E na prática!

Vabo: Tem uma pergunta aqui da Ariane Menezes que é: “Bernardinho, você acha que todos têm o dom para liderar?

Bernardinho: Eu acho que as pessoas não nascem líderes.

Claro que um ambiente com valores compartilhados talvez crie um cenário mais propício para a formação de um líder.

Quando você olha para um líder, o que você admira nele? O carisma, a disciplina? Ele foi desenvolvendo isso ao longo do tempo. Depende da nossa vontade.

E a transparência é algo importante. Inspire-se em líderes, mas seja você mesmo. 

Outro ponto importante: você realmente quer ser um líder? Há o ônus da liderança. Os líderes comem por último. Está disposto a isso ou não? Porque há um desconforto, há decisões duras. É o líder que acorda mais cedo, que está preocupado com o seu time.

Vabo: Existe uma confusão, onde as pessoas acreditam que pelo cargo de autoridade que elas têm automaticamente isso impõe uma condição de liderança. Não necessariamente.

Algo que eu aprendi no curso que eu fiz nos Estados Unidos é que não existem pessoas extraordinárias. Existem pessoas comuns capazes de fazer coisas extraordinárias.

E a gente confunde o fato de a pessoa ter feito algo extraordinário como ela sendo extraordinária e que se alguém conseguiu fazer algo, nós podemos fazer também.

O descanso também é importante

Vabo: Isso se conecta com a próxima pergunta, que é a seguinte: todos nós temos 24 horas por dia, mas uma curiosidade que eu sempre tive de pessoas que chegaram a resultados extraordinários, e sem dúvida você é uma delas, é sobre como que funciona a sua rotina no dia a dia.

Como você divide seu tempo entre suas atividades de aprendizado, esporte, profissionais? Então, a pergunta da Carol é assim: “quantas horas você dorme por dia?” Porque parece que dorme pouco.

Bernardinho: Depende um pouco da época, mas eu tenho dormido muito cedo ultimamente, porque os dias têm sido muito intensos , tenho feito muitas reuniões, lives, preparado aulas, enfim, muitas coisas.

Mas ultimamente eu tenho dormido até um pouco mais. Continuo acordando cedo, mas não às 3:30 para pedalar, porque não pode sair. Mas podem pensar: “ah, não tem ninguém essa hora na rua”. Mas que tipo de exemplo eu vou dar?

Agora, na rotina normal, às vezes tem jogos que começam às 9:30 da noite e não dá para acordar tão cedo. De um modo geral, eu acordo cedo, 6 horas, 5:30 da manhã todo dia, e faço sempre uma atividade física.

Mas, sempre que tenho um intervalo, paro para ler, aprender alguma coisa e medito 15 minutos todos os dias. Geralmente após o banho do exercício matinal. 

Além disso, tento tirar uma hora para não fazer nada, por exemplo, assistir uma série para relaxar, botar uma música e deixar rolar. Eu estou me educando para isso. Não tem a estratégia da leitura? Tem também a estratégia do ócio criativo. É quando a gente permite que as coisas possam fluir mais naturalmente. 

Conselhos para o futuro: acredite e esteja preparado

Vabo: Pessoal, eu quero agradecer a participação de todos! E, Bernardinho, suas palavras finais, o que você vê para o futuro pós-COVID?

Bernardinho: Primeiro, uma mensagem que eu troco sempre com o Bruno: não se esqueça dos 3 F’s. Foco! Foca naquilo que você tem capacidade de controlar, em coisas que são importantes para você.

Força! Determinação, porque não vai ser fácil.

Terceiro, Fé! Vamos em frente. Acreditar que vai passar. Essa é a convicção que a gente tem. Acreditem e se preparem para isso.

E tem um 4º F que de vez em quando a gente usa que é “a sutil arte de ligar o F***-se”. Esquece um pouco de algumas coisas e segue em frente.

Vamos fazer o que está sob nosso controle e trabalhar para fazer o nosso melhor. Se preparem, pois em algum momento lá na frente as oportunidades vão chegar!

Gostou desse papo? Então assista a live completa por aqui, diretamente no Instagram, e deixe seu comentário!

Indique esse artigo para alguém que também pode gostar 🙂

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.