Crise atrás de crise: a educação vai quebrar o Brasil? 

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Atualmente vivenciamos uma grave crise no modelo educacional brasileiro.

Hannah Arendt escreveu em seu texto “A Crise na Educação” que a crise geral que se abate sobre o mundo moderno, responsável por afetar quase todos os setores da vida, manifesta-se diferentemente nos diversos países, e que na América, um dos aspectos mais reveladores é a crise periódica da educação. 

Ela conta que na última década isso se converteu num problema político de primeira grandeza de que os jornais falam quase diariamente: o que é indiscutível.

Abaixo você encontrará um breve panorama sobre a segunda parte da conversa que tive no Roda Viva do Jordão, em que abordamos os desafios da educação no Brasil, e alguns pontos para que mudanças efetivamente aconteçam.

A importância da educação

Todos nós concordamos que a educação é fundamental por inúmeras razões. Além de promover o crescimento e desenvolvimento cultural, ela é essencial para que um país se desenvolva.

Educação de base e evasão escolar

É durante a educação básica que começam a ser formados os profissionais do futuro: essas pessoas serão as responsáveis pelo desenvolvimento de todas as áreas sociais e econômicas do Brasil do amanhã.

Porém, a evasão escolar durante esse período é alarmante.  

Segundo um estudo feito pelo Anuário Brasileiro de Educação Básica, em 2017, 760 mil crianças entre 4 a 14 anos estão fora da escola — e o número cresce quando falamos de jovens entre 15 a 17 anos: são 1,7 milhões!

Os principais motivos para que esse fenômeno aconteça, de acordo com o mesmo estudo são: baixa renda familiar, pouca escolarização dos responsáveis, domicílios localizados em áreas rurais, trabalho informal, discriminação por cor ou gênero e distorção de idade e série.

A questão é que a maioria dos nossos jovens e crianças não estão sendo formados satisfatoriamente, e isso certamente refletirá no futuro.

Até que ponto a família está envolvida na educação? 

É certo que o conceito de família não é mais o mesmo: hoje temos diferentes modelos familiares em constante desenvolvimento. Todavia, independentemente das mudanças que aconteçam no molde tradicional, é nesse ambiente que se tem o primeiro contato com o aprendizado e com os valores humanos, como honestidade, ética e amor.

Assim, a participação dos familiares no processo de educação é importante e necessária.

É fundamental que a família esteja integrada e ciente do que acontece na escola, de como vão as notas, das dificuldades que existem e das melhores maneiras de ajudar: aqui entra a importância da comunicação.

Quais são os desafios da educação brasileira?

Sabemos que falta de investimento, baixo salário dos professores, pais que não participam da educação dos filhos, agressão e abandono escolar dos alunos, desigualdade de oportunidades e a própria estrutura do sistema são fatores que potencializam o cenário adverso vivido nos dias atuais.

Entretanto, muitos não param para analisar outros vetores que inviabilizam mudanças nesse setor tão importante e necessário: as corporações.

Existe um forte interesse por parte dessas organizações em manter o status quo e, nesse cenário, o cidadão não é visto como cliente, o que é um erro. O Estado e as corporações precisam tratar o cidadão como um cliente, pois assim o atendimento sempre será o melhor possível.

Apesar disso, acredito que a agenda se impõe, isto é, em algum momento, uma reforma na educação vai acontecer. Digo isso porque a educação está quebrando o Brasil. A principal riqueza que temos são os nossos jovens, que são a nossa força de trabalho, e quando não investimos em educação ou não damos as condições necessárias para que eles se desenvolvam, estamos jogando nossa riqueza no lixo!

Revolucionar o sistema: as mudanças necessárias

Depois de ler tudo isso, você deve concordar que mudanças precisam acontecer, certo?

Abaixo, seguem algumas delas: 

Capacitações completas

Existem cursos profissionalizantes e técnicos no Brasil, e eu sou a favor que eles existam, pois acho que esse tipo de ferramenta fornece mecanismos para que as pessoas consigam empregos.

Entretanto, de acordo com o Jornal Estado de São Paulo, existem aproximadamente 13 milhões de desempregados no Brasil e 400 mil vagas na área de tecnologia que não conseguem ser preenchidas. 

Isso quer dizer que infelizmente existe um erro neste modelo, pois as capacitações não são completas: as pessoas só estão sendo preparadas para indústria, não para as áreas mais complexas. 

Reinvenção do atual modelo de ensino

Constantemente lido com questionamentos do tipo: “Vabo, será que eu preciso fazer uma faculdade?”

Acredito que sim por dois principais motivos:

  1. É ilusão achar que paramos de estudar um dia: quem para fica obsoleto. A faculdade te apresenta temas que te dão um norte e te mostram por onde começar a sua jornada. Tem muita gente que não sabe direito do que gosta ainda 
  2. A faculdade te faz conhecer pessoas e ampliar a sua rede de contatos

Ainda assim, esse veículo, com exceções, não está preparando as pessoas para o mercado de trabalho, com aulas maçantes e com poucos professores colaborativos que colocam o aluno no foco do aprendizado.

A sala de aula precisa ser um ambiente de aplicação de conhecimento, uma simulação da vida real, não mais repetição de conceitos prontos. Infelizmente, isso não acontece no atual modelo.

O caminho do meio

Estamos no início de uma nova era, em que o “híbrido” deve ser valorizado: o digital e o presencial devem coexistir.  É preciso se reinventar.

Como disse o célebre autor paraibano Ariano Suassuna: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

Precisamos ter esperança na educação apesar de tudo, e buscar soluções para esse problema que apesar de grave pode ser solucionado.

Quer conferir o bate-papo na íntegra? É só dar play abaixo!

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