O que é a empatia: benefícios e conselhos para sermos mais empáticos

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A empatia é uma característica comportamental imprescindível para o autoconhecimento e desenvolvimento das demais People Skills

Por quê? Porque quando somos mais empáticos, nos tornamos mais sensibilizados ao outro e a nós mesmos – aspecto essencial para o desenvolvimento de habilidades sociocomportamentais.

Mas o que é a empatia?

De acordo com uma das definições do dicionário, é “a ação de se colocar no lugar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pensaria ou agiria nas mesmas circunstâncias”.

Essa habilidade nos permite entender diferentes pontos de vista, sermos mais pacientes e compreensivos, além de evitar diversos conflitos. 

Para aqueles que estão em posição de liderança, em qualquer lugar que seja, é essencial exercer a empatia. O ser humano precisa ser acolhido e se sentir participante dos lugares que frequenta. Afinal, sem isso, a automotivação, o propósito, a disciplina desaparecem. 

E também para os que não se encontram em papel de liderança, essa característica pode ser transformadora em muitas áreas da sua vida. E o melhor é que você não precisa “nascer sabendo” ser empático, mas pode aprendê-la e desenvolvê-la!

Vou te contar um pouco mais sobre isso.

Procure primeiro compreender, para depois ser compreendido

Este é o hábito nº 5 de 7 das Pessoas Altamente Eficazes. Inclusive, este conceito vem de um livro que deixarei como recomendação ao final do artigo.

Mas o que este hábito quer dizer?

A essência dele está em ouvir o que as outras pessoas têm a nos dizer. Precisamos entender que ouvir é um ato de humildade. Precisamos urgentemente ser melhores escutadores. 

Quando você ouve atentamente o que uma pessoa tem a dizer, ela pode se sentir mais confiante ao compartilhar o que pensa e sente, pois sabe que você está interessado em escutá-la.

E ao dar espaço para que outras pessoas falem e expressem suas opiniões, desabafem e até mesmo discordem de nós, podemos aprender muito.

Há uma frase de Dalai Lama que diz: “ao falar você apenas repete o que já sabe, mas ao ouvir, talvez possa aprender alguma coisa”.

No meu curso de oratória, achei muito pertinente não focar somente em desenvolver nossa capacidade de falar bem, mas também a de ouvir melhor! Por isso, criei um módulo extra para falarmos exclusivamente sobre “Escutatória”, e lá explico como podemos desenvolver esta habilidade que facilita em muito na comunicação!

Tem outra frase, agora do Rubem Alves, que diz: todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir”

Com a prática da Escutatória, todos têm muito a ganhar. Principalmente em momentos conflituosos, quando todo mundo quer falar ao mesmo tempo e parecem mais interessados em ganhar a discussão do que aprender, de fato.

Mas, se você ouvir primeiro, poderá ter a capacidade de analisar criticamente o que está sendo dito e expor também os seus pontos de vista, de forma a entrar em um consenso.

Isso tem tudo a ver com o comportamento empático, de entender e se colocar no lugar do outro.

Como ser um escutador melhor

Quando alguém estiver falando, é primordial que você preste atenção. Olhe nos olhos da pessoa, mostre interesse na conversa.

Ao ouvir, você naturalmente demonstra empatia. A base fundamental de uma boa relação é a confiança e ela se estabelece por uma comunicação atenta ao emissor. 

O objetivo de escutar melhor é criar conexões com as pessoas de maneira saudável. Só é possível abrir esse caminho ouvindo atentamente.

Nesse sentido, existem regras básicas de comunicação e é importante que você as conheça.

Regra nº 1: É impossível não se comunicar

A todo momento estamos nos comunicando. E o seu comportamento gera efeitos na forma como você se comunica.

Logo, assim como gentileza gera gentileza, comportamento gera comportamento. Reflita sobre como você tem se comportado. ☺

Regra nº 2: A comunicação não-verbal diz mais do que a verbal

A comunicação verbal acontece através da fala e a não-verbal compõe toda a nossa linguagem corporal (gestos e expressões faciais).

Há um estudo do professor Albert Mehrabian, que é o conceito 7, 38 e 55. Ele diz que a linguagem verbal representa apenas 7% da comunicação entre as pessoas; os outros 93% são referentes à linguagem não-verbal (38% característicos do tom de voz e 55% da linguagem corporal).

Ou seja, quando você demonstra uma emoção e sentimento, as palavras importam apenas 7%. O grande erro é que estamos acostumados a pensar somente nas palavras.

Regra nº 3: Toda comunicação define uma relação entre seres humanos

Reflita bem sobre como tem sido a forma como você se comunica e, consequentemente. se relaciona com as pessoas. Se há algum ruído na sua comunicação, a sua relação com os outros pode estar também tendo algum ruído.

Para deixar mais clara a comunicação, é importante saber que a comunicação não é apenas o que é dito, mas o que é dito e como é entendido por quem está ouvindo.

Esta é a conclusão que define que uma boa comunicação foi estabelecida. Se puder testar, converse com alguém próximo a você sobre um assunto específico. Ao final pergunte se ele entendeu o que você disse e peça um peça para ela listar alguns pontos importantes da conversa.

Existem alguns resultados que este teste pode dar: 

1 – a pessoa entendeu o que foi dito;

2 – ela entendeu mais ou menos e teve dificuldades de explicar;

3 – entendeu completamente o oposto do que você quis dizer.

E aí? Depois que testar me conta o resultado pelo direct do @vabo23. Ficarei feliz se for 1 e farei o possível para ajuda-lo caso o resultado seja 2 ou 3. 

Existem 7 tipos de ouvinte

Cada pessoa ouve de uma forma em determinado momento e posso te dizer que todos nós conhecemos e já fomos um destes 7 tipos abaixo.

Leia e confira se você se identifica ou lembra de alguém!

Tipo 1: O cara de paisagem

É a pessoa que só olha para você, mas não está te ouvindo. Supostamente está prestando atenção, mas na verdade não está.

Tipo 2: O desfocado

Ele não está prestando atenção no que está sendo dito, e você sabe disso. Diferente do “cara de paisagem” que até engana que está prestando atenção.

Tipo 3: O racional

Este ouvinte não leva em consideração a sua emoção e tem respostas exatas quando você está desabafando. Não demonstra empatia, interrompe imediatamente.

Ele pode ser comparado ao IBGE: é aquele que gosta de trazer números, estatísticas para explicar tudo.

Tipo 4: O do contra

Ele é parecido com o racional. Mostra que você está errado, questiona e quebra o diálogo provando que ele é o certo.

Tipo 5: O ansioso

Interrompe a sua fala e tenta encerrar rápido os assuntos.

Tipo 6: O egocêntrico

Ele costuma dizer que: “o meu pior é melhor”. Gosta de competir para provar que a desgraça e sofrimento dele é pior que o seu.

Tipo 7: O conselheiro

Quando você leva algum problema ou desafio para ele, imediatamente ele já tem todas as soluções para você. Esse tipo pode dificultar que as pessoas se abram e expressem suas emoções.

Qual tipo de ouvinte é você ou de quem você lembrou enquanto estava lendo? Me conta no @vabo23.

Comunicação não-violenta é empatia

A comunicação não-violenta, mais conhecida com “CNV”, consiste em falar sem machucar e ouvir sem ofender.

Não quer dizer que devemos engolir sapos, mas que devemos ser respeitosos! Ela é o caminho para co-criar pontes com o outro. É quando você se conecta com a pessoa a partir do que vocês têm em comum.

E é, também, um excelente recurso, no qual as relações podem ser criadas pela convergência, não pela divergência.

Nosso instinto nem sempre nos permite a comunicação desta forma, principalmente em situações desagradáveis para nós. Mas é preciso trilhar um caminho de autoconhecimento, onde cada indivíduo começa a entender suas ações e reações naturais e passa a agir de forma diferente.

Marshall Rosenberg, psicólogo e especialista em comunicação não-violenta, diz que “por trás de todo comportamento existe uma necessidade”. Ou seja, se estamos sendo violentos, estamos agindo de acordo com uma necessidade que nos leva a tais atitudes.

Ele diz também que “todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”.

Portanto, a CNV tem como objetivos separar fatos de julgamentos, reconhecer situações desconfortáveis (que expressam vulnerabilidade), conseguir entender as necessidades que não foram atendidas e começar a fazer novos acordos de convivência.

Enquanto a comunicação violenta é quando você ataca o ser humano em vez de atacar uma situação que a seu ver poderia ter sido diferente, na CNV o objetivo é se comunicar a partir do fato e não a partir da pessoa.

Um conselho muito bom para começar a praticar a CNV é: não grite, não suba seu tom de voz. Melhore o seu argumento.

Simpatia é diferente de empatia

Há pessoas que confundem simpatia com empatia, porém é diferente.

Empatia é criar espaço para as pessoas se abrirem. 

Existem pessoas com uma simpatia vazia. Em determinadas situações, elas dizem a outros que vai ficar tudo bem, mesmo quando é nítido que a situação é irreversível (exemplo: morte de um parente ou pessoa próxima).

Como alguém pode afirmar isso, sendo que não sabe se vai ficar tudo bem? 

Prefira optar por ser genuinamente empático e diante das situações difíceis, dizer a alguém que vai ouvi-lo e estará com ele mesmo que nada fique bem.

Estratégia do pedido de empatia

Você sabia que pode pedir empatia de uma forma sutil e delicada?

Existe uma estratégia que consiste em explicar um fato que está te incomodando, expressar seus sentimentos diante da situação, explicar os seus motivos e fazer um pedido para que o cenário se altere.

Resumindo cada passo em uma palavra, temos: fato, sentimento, explicação e pedido.

Aqui vai um manual desta estratégia que você pode utilizar:

Quando você… – fato

Me sinto… – sentimento

Porque… – explicação

Será que você poderia… – pedido de empatia

O perigo da empatia

Tudo isso dito, existem cuidados a serem tomados quando você começa a exercer empatia.

Você pode começar a gerar favoritismos, que consiste em favorecer quem está mal com alguma situação e descontar em quem foi violento ou causou este mal.

Deve-se evitar esta tentativa de encontrar culpados. Foque em estar presente com a pessoa que está mal e você ama. Caso contrário, você pode acabar sendo tomado pelo desejo de ser violento também.

A solução para quando a própria empatia está conduzindo à violência e somente querendo achar culpados é conectar compaixão. Não significa ter pena das pessoas, mas sim a vontade genuína de que a pessoa se livre do sofrimento dela.

Isso gera desapego do fato concreto e gera uma visão holística sobre toda a situação para que você possa ajudar efetivamente a pessoa a sair do sofrimento.

Aqui vão algumas indicações para que você possa começar a se aprofundar mais no assunto:

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