Educação e empreendedorismo: as duas forças capazes de mudar o mundo

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Ano passado, tive a honra de participar de um podcast com o Hernane Ferreira Júnior, o EMCONSTRUcast.

Foi um bate papo longo e muito interessante sobre educação e empreendedorismo, além de ter tido o espaço para contar sobre minha trajetória como empreendedor. 

Se quiser conferir na íntegra, é só dar play ao fim do artigo! A seguir, separei os pontos altos do nosso papo para você conferir:

Minha trajetória empreendedora

Sempre digo que sou um produto do ecossistema empreendedor da PUC-Rio, faculdade na qual estudei Engenharia de Produção e, desde cedo, resolvi fazer as matérias relacionadas a Empreendedorismo.

Nelas, não era só o professor que falava: os alunos podiam construir junto e simulavam o ambiente da empresa dentro de sala de aula. 

Também fiz parte da empresa júnior, que muito contribuiu para minha formação empreendedora. Além disso, trabalhei na incubadora da faculdade, local no qual incubei minha empresa mais tarde. E, por fim, voltei à PUC-RIO para dar aulas, depois de fazer um mestrado em administração na França.  

Meus pais também tiveram enorme participação na minha trajetória empreendedora, pois ambos empreendem e sempre me apoiaram. 

Fundação da Sieve

Quem realmente fundou nossa empresa, a SIEVE, foi meu sócio, Salvini, que a desenvolveu a partir do TCC dele na mesma faculdade em que me formei. Sempre falo que ele a começou do 0 e eu do 0,1, pois entrei logo nos primeiros meses. Foi quando começou a trajetória da empresa de tentar encontrar um problema grande e real, e um mercado, que no nosso caso foi o e-commerce. 

Isso ocorreu entre 2010 e 2011, época em que não se discutia lean startups, canvas, mas. quando olhamos para trás, seguimos toda aquela metodologia. 

Nosso produto era um software (robozinho) que percorria todos os sites na internet, pesquisava os produtos em todas as lojas virtuais, automatizando o processo e, por fim, trazia a informação de qualquer produto e qualquer preço em tempo real.

Isso foi importante para fornecer às empresas informações sobre os concorrentes e para os fabricantes monitorarem as lojas virtuais. Nós fomos os primeiros a fazer isso aqui no Brasil, e lá fora tudo surgiu na mesma época em que fazíamos aqui no país. Portanto, nós criamos um segmento no e-commerce que não existia, o modelo de inteligência de preços. 

No período de startup, conseguimos os primeiros clientes e começamos a crescer a base.  Após esse período, passamos a ser uma empresa que tinha compromisso com o cliente de não só entregar os produtos, mas atendê-los da melhor forma. Nessa época, chegamos a ter 90 colaboradores na Sieve e, após a fusão com outras empresas, tínhamos um time de 300 pessoas. 

A fusão ocorreu entre a Sieve e outras 4 empresas, que tinham aportes do mesmo investidor. Todas elas atendiam ao e-commerce, mas em segmentos diferentes, e assim foi criado o Sieve Group. 

Fundimos para ter mais musculatura no mercado, mas, depois que montamos o plano, as pessoas que conversamos viram o valor do empreendimento e resolveram fazer uma proposta para comprá-lo.

A compradora foi a B2W, que era o maior grupo do e-commerce do Brasil à época. E não foi uma simples aquisição, foi aqui-hirer, pois fizeram a aquisição de 100% do grupo e também dos talentos, dos produtos, das tecnologias… Eu e meu sócio viramos diretores da B2W e os principais líderes do Sieve Group passaram a ter desafios maiores. 

Após um período de 2 anos na B2W, fui convidado pela Stone para ser o Diretor de Pessoas, onde fiquei por mais 2 anos. Isso fechou um ciclo, onde tive experiências em Startup (Sieve), empresa grande (B2W) e em uma scale up – empresa crescimento acelerado (Stone), ambientes totalmente diferentes.

Na Stone, de um time com 80 pessoas, incialmente, passamos para 4000 em 3 anos, com um impacto enorme no mercado tradicional. Minha principal função na Stone era não atrapalhar: para isso, tínhamos uma estrutura muito descentralizada, na qual a ponta tinha muita responsabilidade para execução. Assim, formávamos novos líderes.

Meus principais aprendizados

Nosso maior aprendizado foi a importância do time, pois só conseguimos fazer as coisas por ter criado uma cultura de excelência, transparência e crescimento. Fizemos isso trazendo pessoas melhores que a gente para construir um sonho maior.

Se o empreendedor não consegue trazer pessoas melhores que ele, ele vai ser o gargalo da empresa, porque o crescimento é tão acelerado que é humanamente impossível que todas a pessoas consigam acompanhar esse fluxo, então a receita vai crescendo sempre mais rápido que o talento. Eu preciso obrigatoriamente contratar pessoas melhores, aprender com elas e todo mundo aprende junto. 

Por isso, demitir o ego é fundamental. Um bom líder precisa ser um bom liderado. 

Além disso, um aprendizado importante é que o cliente não só tem razão: ele é a razão da empresa.

Outro aprendizado foi sobre os feedbacks. O ideal não é massacrar as pessoas naquilo que elas não foram bem, você deve dedicar mais tempo no que a pessoa vai bem e apenas administrar o que ela não vai (transformar algo ruim em algo “ok”). Pois, naquilo que a pessoa vai bem, ela pode ter potencial para se tornar a melhor. Tem uma avenida de crescimento à frente dela.

Educação e empreendedorismo

Educação e empreendedorismo são as duas principais forças capazes de mudar o mundo.  Você criar uma empresa é uma excelente forma de empreender, mas não é a única. Ser empreendedor é muito mais do que isso.

Empreender é uma atitude de vida, é querer transformar a realidade, encontrar seu propósito, lutar por um sonho e reunir todos os recursos que você tem para viabilizá-lo. 

Para empreender é preciso se dedicar ao projeto com o objetivo de servir alguém. O projeto tem que ser mais do que você e externo a você.

No meu caso, por exemplo, sempre tive vontade de conectar os dois mundos: empreender e educação empreendedora. 

No sistema educacional brasileiro, mesmo nas faculdades consideradas tops de linha, focamos muito nas hard skill, que são as competências técnicas. Mas quando a pessoa sai formada e começa a trabalhar, a empresa cobra que ela saiba trabalhar em equipe, falar em público, inteligência emocional, dar feedback, trabalhar sobre pressão. Isso é o que é o que faz diferença no dia a dia, as chamadas People Skills. Portanto, o sistema educacional precisa trabalhar ambas. 

Para mim, a People Skill mais importante é a ética – ter honestidade, ter integridade, não tolerar nada desonesto, mesmo nas pequenas coisas.

Outra People Skill muito importante é o autoconhecimento – saber como lidar com as situações, como você reage a elas, o que você quer pra você, qual o seu propósito, qual o seu sonho.

Além disso, temos a inteligência emocional – ter consciência das nossas emoções e dos nossos sentimentos, para poder sair do modo automático. Moramos no país com o maior índice de transtorno de ansiedade no mundo. E a depressão é a segunda maior causa de morte no país. Na depressão, a mente foca no passado; já na ansiedade, a mente foca no futuro, portanto a solução é focarmos cada vez mais no presente.

Uma sugestão para desenvolver isso é meditação. Faço mindfulness, ao menos 10 minutos por dia, e isso mudou minha vida. É importante para diminuir nossa carga de pensamentos saber estar presente. 

Outra coisa que eu gostaria que todos guardassem: absolutamente todas as People Skills podem ser desenvolvidas. É preciso ter uma mentalidade de crescimento – conseguir se desenvolver em tudo. Você não vai ser o melhor em tudo, isso é impossível. Mas tendo vontade e disciplina você consegue se desenvolver naquilo que é mais importante para você.

O futuro da educação

O nosso sistema educacional foi desenhado apenas para transmitir conhecimento. Isso vai mudar.

No futuro (que já é presente), a escola vai deixar de ser transmissão de conhecimento e a sala de aula vai ser uma simulação da vida real – construção do conhecimento coletivamente e resolução de problemas práticos. 

Isso não quer dizer que as pessoas não devem mais fazer faculdade. Porque a faculdade não é só conteúdo, tem também a construção de um networking. Mas o modelo educacional está se reinventando para que o aprendizado seja centrado no aluno, ou seja, ter menos aulas expositivas e mais atividades voltadas para a prática.

Na minha opinião, existem dois métodos para aprender: fazendo algo ou aprender ensinado (flipped classroom). Para isso, devemos mudar o modelo de professor atual: ele tem que ter didática e conhecimento prático. Estudou, praticou, vai ensinar.

Por isso, quero transformar o Instagram na maior sala de aula do Brasil. Sensibilizar as pessoas para a importância das People Skills e do empreendorismo para a vida delas. 

Lições finais

Sucesso é uma palavra perigosa. Quando você acha que tem sucesso, é o princípio do fim. 

Realização é voltar para casa e botar a cabeça no travesseiro, porque as esferas da sua vida estão bem equilibradas. 

Acredite em você. Sim você consegue, sim você merece. Para de preguiça, vai lá e faz aquilo que você quer. Junte-se a pessoas boas e use o tempo para construir algo maior que você e que sirva a alguém.

No meu Instagram @vabo23 estou sempre compartilhando os passos mais importantes da minha jornada e trocando ideias sobre Educação, people skills, liderança, empreendedorismo e a vida, em geral.

Segue lá e me manda seus desafios por DM que tentarei te ajudar!

Quer conferir o poadcast completo? Dá play abaixo!

 

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