Eu não lembro quando foi a primeira vez na vida que pensei em ser Pai, mas lembro que naquele momento senti que seria pai de menina e que você se chamaria Letícia.
Algumas décadas depois disso, o Universo nem disfarçou e me enviou a Esposa ideal que seria a sua Mãe.
Alguns anos depois disso, recebi a notícia que sua Mãe estava grávida de você. Foi alegria, misturada com medo, misturada com a certeza de que era você, Letícia, que estava a caminho. A alegria com o medo com a certeza só não foram maiores que o Amor que você trouxe junto com a total disrupção de nossas vidas. Li mais de 10 livros, assisti cursos online, fizemos tudo que os médicos, pedagogos e demais profissionais orientaram, combinei com sua Mãe como iríamos agir, quais eram os valores da nossa família, nos preparamos para a sua chegada.
Alguns meses depois disso, você nasceu. Sabíamos que nossa vida iria mudar, mas somente alguns dias, semanas, meses e agora 3 anos que pudemos ter a dimensão na prática do tamanho da disrupção.
Você chegou chegando, do seu jeitinho furacão, conquistando a todos, desafiando todos os livros, cursos e mentorias. Algumas noites sem dormir, entrou na escola, ficou dodói…
E hoje, 3 anos depois da sua chegada, posso te dizer que realmente não sou mais o mesmo. Não é que os livros estavam errados, mas sim que os livros são apenas um modelo de realidade. Uma bússola, um mapa. Eles não são a realidade.
A realidade é você me chamando 3:00 da madrugada, gritando PAPAAAAAI, deitando no meu colo, sorrindo para mim, testando os limites, dançando comigo, tagarelando sem parar, me dando abracinho, grudando na sua Mãe, beijando seu irmãozinho humano e sua irmãzona peluda.
Na teoria, nós definimos que a sua educação seria baseada em disciplina positiva, atenção plena e comunicação não-violenta.
Na realidade, eu já furei combinados com você, já fiquei no celular na sua frente e já gritei com você. Te peço perdão, Lelê. Estou aprendendo a ser seu Pai.
Ontem à noite ao te colocar para dormir, eu te contei a história da Princesa Let Let, do Príncipe Pip Pip e da porquinha Aryane. Agradecemos a Jesus pelas 3 coisas que você mais gostou do seu dia. Você disse que é corajosa (apontando para o coração), forte (fazendo o muque), calma (com a mão na cabeça) e gentil (com o gesto de namastê). E foi quando decidi escrever essa carta para você.
Para dizer que você é muito mais do que o meu sonho adolescente de ter uma filha poderia imaginar. Para dizer que te amo e que vou te amar para sempre simplesmente por você existir. Obrigado por ser minha maior professora, meu maior desafio e proporcionar para mim a maior experiência humana nesse planeta.
Beijos do seu Pai,
Vabo
