7 coisas que aprendi no Vale do Silício

 

Os mulçumanos precisam ir uma vez na vida à Meca. Quem precisa se encontrar espiritualmente, pode fazer o Caminho de Santiago de Compostela. As crianças que vão à Disney sentem a magia em suas vidas.

Se você é empreendedor, você tem que conhecer o Vale do Silício!

Localizado numa faixa de aproximadamente 60km do sul de San Francisco até o sul de San Jose, esse conjunto de pequenas cidades no coração da Califórnia é o oásis do empreendedorismo mundial.

A Era da Informação que vivemos deve sua origem e consolidação às mentes brilhantes que construíram produtos, serviços, softwares, hardwares, processos, descobertas, inovações incrementais e principalmente as disruptivas, neste local único e especial no mundo.

Lá nasceram Apple, Google, Facebook, Intel, HP, Sales Force, eBay, Evernote, Twitter, Linkedin, Netflix, Yahoo e diversas outras empresas pequenas, médias, grandes e gigantes, B2B, B2C, B2B2C, de hardware, de software, que crescem absurdamente, que são rentáveis ou não, que são vendidas, compradas, fundidas, que fazem IPO, empresas que são líderes e referências em diversas indústrias e mercados globais.

Palo Alto, Menlo Park, Mountain View, Cupertino, San Bruno, Santa Clara San Jose e adjacências abrigam o que há de melhor desse universo. Andando pelas ruas de lá, quando você cruza com alguém, só há 4 opções: ou a pessoa é empreendedor, ou é investidor, ou engenheiro de software ou aluno de Stanford!

Tive a oportunidade de visitar recentemente o Vale e me quesitonei: por que o Vale é assim? O que fez com que ele chegasse nesse nível de excelência? Seria possível replicar esse modelo no Brasil?

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Curti a sede do Facebook (em Menlo Park)

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Com a bicicleta do Chrome na sede do Google (em Mountain View)

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Na rua Loop Infinito número 1, sede da Apple (em Cupertino)

1 – A oportunidade é a origem de tudo

O empreendedor do Vale sabe que todos os problemas do mundo já foram resolvidos! Porém, ele é antes de tudo um inconformado que afirma que a maneira que os problemas foram resolvidos não está boa… e propõe então uma alternativa melhor. A identificação de uma oportunidade a partir de um problema ou necessidade é a origem. No Brasil, às vezes ocorre uma inversão: primeiro o empreendedor define o produto e depois tenta encaixar uma oportunidade.

2 – Cultura empreendedora

Em Stanford, os alunos são estimulados a empreender desde o primeiro dia de aula. Os cursos não são desenhados para preparar os jovens a serem empregados de grandes multinacionais ou funcionários públicos. O foco deles é aprender a aprender. E o aprendizado é aplicado a resolver problemas que podem resultar na criação de novos empreendimentos!

3 – “Get out of the building”

Esse é o mantra de Steve Blank, o guru das startups. Testar, testar, testar, validar hipóteses, criar protótipos e produtos mínimos viáveis. Os empreendedores do Vale saem de suas Torres de Marfim, vão para a rua gastar sola de sapato e buscar a hora da verdade com o cliente! Um protótipo rodando vale mais do que 50 páginas de um Plano de Negócios!

4 – “Fail fast”

Em minutos você consegue abrir uma empresa nos Estados Unidos e em dias você consegue fechá-la se não der certo. Vamos comparar com o Brasil? Meses para abrir e anos para fechar. Por lá, não há medo do fracasso, pois o fracasso de ontem é o aprendizado de hoje para o sucesso de amanhã!

5 – Custo Americano?

A infraestrutura de transportes, telecomunicações, energia, logística, segurança… funciona. As startups têm incentivos fiscais reais. Os mercados consumidores de qualquer segmento são enormes, logo há mais oportunidades. O governo americano evita criar empecilhos e malabarismos como temos por aqui, pois sabe que são as pequenas empresas que geram empregos, inovação e giram a economia.

6 – Ecossistema empreendedor maduro

Investidores-anjo, investidores seed, venture capitalists, aceleradoras, incubadoras, organismos de fomento ao empreendedorismo, startups recém-criadas, startups em franco crescimento, empresas gigantes, universidades… o ecossistema empreendedor do Vale do Silício é maduro e explosivo!

7 – A importância do “give back to society”

Na semana que estive em Palo Alto, ocorreu o 50th International Selection Panel da Endeavor.

A Endeavor é uma organização global de fomento ao empreendedorismo, cuja missão é promover um ambiente que fortaleça a cultura empreendedora, permitindo a conexão de empreededores de alto impacto com aqueles que já trilharam um caminho de sucesso.

Neste evento em Palo Alto, 36 empreendedores de alto impacto de 13 países emergentes estiveram presentes sendo avaliados na última etapa para serem selecionados para integrarem a explosiva rede Endeavor.

O Brasil tinha 2 representantes:

1 – Joaquim Caracas da Impacto Protensão :: um exemplo de como o Brasil é capaz de gerar inovação, inclusive em áreas técnicas como a Engenharia Civil. A tecnologia inventada pelo Caracas é um método construtivo que permite que uma obra seja feita mais rápida, com melhor qualidade, mais barata e ambientalmente mais sustentável do que se fosse feita com os métodos os tradicionais.

2 – Leonardo Simão da Bebe Store :: loja virtual líder no segmento de bebês no Brasil, o Leo é um empreendedor vibrante e apaixonado. Sua trajetória é inspiradora e a maneira como inova no e-commerce brasileiro serve de exemplo para todos. Sua capacidade de execução é acima da média e sua ambição certamente o levará a alcançar seus objetivos.

Parabéns ao Caracas e ao Leo que agora fazem parte de uma rede de mais de 850 empreendedores em mais de 530 empresas de 18 países!

Essa foi a principal lição que aprendi no Vale do Silício: o poder de fazer parte de um ecossistema! O impacto acontece quando você se insere em redes e assim pode multiplicar seu aprendizado, seu negócio, sua liderança, seu sonho. Recomendo a todos!

Luis Vabo Jr em nov/2013

2 comentários sobre “7 coisas que aprendi no Vale do Silício

  1. Vabo, uma parte muito legal do seu post trata-se do ponto: estar conectado à um ecossistema. Sabemos que o Vale é o lugar ideal para os principais empreendedores e empresas inovadoras no mundo. Porém, é claro que existem diversos outros espalhados pelo mundo, em países onde o desenvolvimento tecnológico é a base para a vida em sociedade. Trazendo este conceito para o Brasil, vemos algumas iniciativas surgindo com o objetivo de promover o ecossistema Startup, porém como não temos a infraestrutura e a cultura adequada, tais iniciativas acabam sendo um tanto quanto tímidas. Para um empreendedor no Brasil hoje, na sua concepção, onde é o melhor lugar para estar e quais são os pontos de referência para buscar know-how e networking do mundo empreendedor (instituições, movimentos, etc)? Obrigado e parabéns pelo blog! Ouvi sobre a sua página na B2W e resolvi buscar mais informações.

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    • Olá Felipe, muito obrigado pelo seu comentário!

      O melhor lugar para se estar é onde o empreendedor encontrar um problema claro e real para resolver! Em qualquer lugar do mundo, haverá desafios e oportunidades e cabe ao empreendedor encontrar recursos para viabilizar a criação e construção do empreendimento que vai resolver esse problema!

      Boa sorte em sua jornada empreendedora!

      Abraços
      Vabo

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