Como a pandemia do COVID-19 pode nos ensinar a sermos a melhor versão de nós mesmos

No final do mês de abril, fiz uma live no meu Instagram @vabo23 com o Dr. Carlos Mario, psicanalista e criador do @psicanalisedescolada.

Nós conversamos sobre este momento de pandemia, que trouxe a todos muitas incertezas e medo do futuro, e sobre o que é necessário fazer diante desta nova realidade.

O papo foi super bacana e, se você perdeu, não se preocupe! A seguir, separei alguns destaques, para que você saiba quais são os principais pontos de atenção nesse “Novo Normal” e comece a se preparar para o que virá pós-pandemia. 

Vamos lá?

É preciso aprender a lidar com as zonas cinzentas da vida

O isolamento social tem provocado uma série consequências difíceis. O ser humano está começando a perceber sua vulnerabilidade diante de um vírus tão pequeno, mas tão poderoso, capaz de interromper vidas e virar de ponta-cabeça a rotina desta geração.

Mais do que nunca, estamos refletindo sobre a brevidade da vida e nutrindo uma preocupação mais responsável a respeito do que temos feito dela e de como a aproveitamos. 

Da mesma forma, estamos levando um choque de realidade, que rompe com nosso sentimento de superioridade sobre a natureza e com o ego gerado pelos avanços tecnológicos já realizados.

A humanidade entendeu que não é capaz de todas as coisas, que não tem controle sobre tudo e que não pode parar aquilo que a natureza impõe. E, obviamente, mudanças dessa magnitude geram algumas preocupações, como não saber quando tudo isso vai passar e como estaremos quando passar, enfim.

A empatia é nossa principal arma de combate 

A impossibilidade natural de prever o futuro tira o sono de muitos, mas especialmente daqueles que perderam seus empregos, entes queridos e que viram ruirar suas empreitadas e planejamentos.

A urgência de adaptação a uma nova rotina tem sido motivo de estresse, ansiedade e desequilíbrio. Houve um aumento considerável do desgaste mental, porque estamos ainda mais conectados, além da necessidade de conciliar trabalho, casa e estudos, o que colocou muitos que nunca trabalharam remotamente em situação de desespero.

Um termo trazido pelo Dr. Carlos durante a live foi a palavra “desamparo”. Todo ser humano nasce desamparado, como uma condição natural que só pode ser remediada através do cuidado uns pelos outros, da solidariedade e empatia.  

Este cuidado é capaz de manter as pessoas vivas, pois cada ser humano possui limitações que precisam ser complementadas por aqueles que estão ao seu lado.

Portanto, só é possível clarear a visão através da ajuda mútua e reflexão profunda sobre o que estamos vivendo.

Devemos resistir para não sucumbir

Não somente agora, durante a pandemia, mas em qualquer situação de crise, precisamos nos fortalecer e nos preparar para imprevistos. 

É preciso ter resistência. Isso, claro, não significa começar a ignorar e desrespeitar todos os decretos e conselhos de órgãos superiores, que trabalham incansavelmente na luta contra a disseminação do vírus. Não é resistir às informações, à ordem, mas sim lutar pela vida, lutar pelas pessoas e, mais do que nunca, descobrir – ou redescobrir – nosso papel na sociedade. 

Aproveite este momento para fazer estas reflexões e repensar o que fazer da vida.

Aprenda algo novo, a que antes você não tinha a possibilidade de se dedicar. Tenha paciência com aqueles que estão próximos, respeite os processos e busque informações de fontes seguras.

“Mas, Vabo, o que isso tem a ver com resistência?” 

Tudo! Encontrar pontos de equilíbrio e buscar desenvolvimento é fundamental para que você não fique parado e esteja apto a se adaptar da melhor forma possível às mais diversas realidades.

Os períodos de instabilidade exigem que estejamos munidos de conhecimento para esta adaptação. Por isso, é essencial que eu e você tenhamos como pilar a busca pela educação. O aprendizado deve ser constante e dessa forma não haverá possibilidade de estagnação.

Este processo se torna ainda mais gratificante quando realizado juntamente com outra pessoa. 

Pense naqueles que estão próximos a você. Como vocês podem contribuir para o crescimento, para refletir e repensar a vida, propor mudanças e novas formas de expressar as relações humanas? 

Resista ao incerto com a certeza de que está fazendo algo bom!

Devemos estar sempre em busca de alternativas

Em nossa live, o Dr. Carlos Mario também comentou sobre o conceito que o filósofo francês Gilles Deleuze, juntamente com Felix Guattari, trabalhou na obra Anti-Édipo, chamado “linhas de fuga”. 

Uma pessoa ter essas linhas significa que ela tem alternativas para, justamente, não sucumbir no meio de uma crise. É como se, em vez de seguir apenas uma rota para casa, você mapeasse várias rotas. Assim, quando uma for bloqueada, você tem outras. 

Ou seja, aquele que tem linhas de fuga, está pronto para inovar e se reinventar.

Por isso, busque alternativas para o seu trabalho, para sua renda fixa, para sua renda complementar. Além do que você faz, profissionalmente, quais hobbies poderiam se tornar uma fonte de renda? Como você pode contribuir com outras pessoas?

Também é importante buscar alternativas para o seu lazer, vida social e cuidados com a casa e com a família. Dividir tarefas, desenvolver novos hábitos, ir atrás de novos hobbies – tudo isso pode transformar este primeiro impacto negativo em algo extremamente positivo!

Mas onde buscar essas alternativas? Como projetar algo novo?

Não há uma resposta concreta e nem fórmula mágica. É preciso estudo, dedicação e seriedade para enfrentar os desafios. Leia livros, faça pesquisas, tenha um mentor, procure exemplos de pessoas que superaram a crise, filtre as informações e comece algo novo, do seu jeito e no seu tempo. 

Ali no #VaboIndica, você encontra várias indicações essenciais para despertar sua criatividade e gerar novas ideias!

Além disso, deixei uma recomendação especial no final deste artigo para te ajudar a dar o primeiro passo 😉

A dificuldade de hoje vai formar quem seremos amanhã

O caminho para o crescimento não é fácil. Pelo contrário: sempre que pergunto para uma pessoa em quais momentos ela percebeu maior desenvolvimento na vida, a resposta nunca foi, até hoje, nos momentos felizes e de sossego.

É fato que são os desafios da vida que aceleram nosso desenvolvimento. Ao passar por dificuldades, nosso instinto humano anseia por procurar saídas e estratégias de superação.

Por isso, nessas horas, é sempre importante estar acompanhado de pessoas que nos entendem, que possuem objetivos similares ou comuns aos nossos.

A caminhada se torna mais fácil quando percebemos que não precisamos passar pelo sofrimento sozinhos e temos alguém para dividir o fardo. Faz toda a diferença quando na guerra temos alguém junto na trincheira.

Precisamos descer do pedestal

Ao compartilhar suas ideias, ao contar o que estão planejando, muitas pessoas têm receio de que outros possam roubá-las. 

Engana-se quem pensa assim. Quando uma ideia é compartilhada, quando seu idealizador pede opiniões, é aí o momento em que ele pode validar seu projeto e saber se dará certo, se será viável..

A pandemia é o momento ideal para descermos do pedestal e começarmos a nos ajudar. É preciso que as pessoas decidam caminhar juntas, trocando suas ideias, seus conhecimentos e suas habilidades. 

Uma mentalidade egocêntrica reduz a grandiosidade das experiências, das trocas, e limita o que uma pessoa pode realizar na vida.

O que levaremos da pandemia

O momento de quarentena exige muita responsabilidade e diversos cuidados, em relação à higiene, mas também à saúde mental.  É importante pensar nesta fase como um aprendizado para a vida. Cada momento, hoje, representa uma etapa de aprendizados e mudanças.

Por exemplo: nós já aprendemos a valorizar mais os pequenos detalhes da vida, as coisas que estão próximas e criamos novos hábitos de higiene. Também entendemos a importância de ajudar o próximo e se colocar à disposição, mas também aprendemos a respeitar os limites.

Nossa mentalidade foi transformada no sentido de como construímos nossas relações com outras pessoas e também com a natureza. Ficou claro que não somos os donos do mundo e por isso, é mais importante estar primeiro a serviço de algo, em prol de alguma causa. 

É preciso, então, dar continuidade a esses aprendizados, pensar em como o ser humano continuará produzindo de forma menos ameaçadora para o planeta e para nossos companheiros, e como cada indivíduo estará posicionado na sociedade em prol dessas mudanças positivas.

É preciso valorizar e entender que, possivelmente, as maiores maravilhas do mundo podem estar ao seu lado, na sua casa. Elas podem ser seu pai, sua mãe, cônjuge, amigos, irmãos, colegas de trabalho.

É preciso se lembrar que o mais importante, você já tem à sua disposição, e é você mesmo!

Momentos de crise e imprevistos são os mais oportunos para que você desenvolva suas soft skills e reflita sobre o que você pode transformar em si para, então, transformar sua realidade.

Na corrida pela mudança, queira apenas ser melhor que você mesmo

É praticamente impossível mudar o mundo inteiro sozinho; porém, a sua própria mudança está ao seu alcance!

Sabemos que não temos o controle de nada a não ser, no máximo, de nós mesmos. Estamos em situação de vulnerabilidade constante neste mundo. Então, em vez de procurar mudar o mundo todo, podemos, com muita dedicação mudar a gente.

Busque ser a sua melhor versão todos os dias. Reveja seus conceitos, valores e crenças. Troque feedbacks com quem estiver ao seu lado e procure levar adiante tudo o que tem aprendido. 

Esta é a atitude mais importante para mudar o mundo: aprender a ser a melhor versão de você mesmo!

Para encerrar, deixo aqui a recomendação prometida: o TED imperdível do Steven Johnson, “De onde vêm as boas ideias”.

E para conferir na íntegra a conversa incrível que tive com o Dr. Carlos Mario, é só clicar no vídeo abaixo!

12 lições da filosofia de investimentos de Henry Ellenbogen

O Brazil Journal, do brilhante Geraldo Samor, publicou um artigo mostrando as 12 lições da filosofia de investimentos de Henry Ellenbogen, ex-CEO do T.Rowe Price e fundador da Durable Capital Partners. É considerado por muitos o “próximo Warren Buffet”. Conheci Henry pessoalmente em uma reunião em Baltimore, em julho de 2017, e fiquei impressionado com a sua velocidade de raciocínio e visão robusta de negócios.

Compartilho abaixo as 12 lições da filosofia de investimentos de Henry Ellenbogen:

1- “Eu gosto quando a empresa cria um produto, um serviço ou estratégia que é único e visionário a ponto de mudar sua indústria.”

2- “O apelo das small caps de alto crescimento que compro é que elas recompensam os investidores pacientes e buy-and-hold.” “O truque é identificar companhias e ter paciência para segurá-las. As duas partes são igualmente difíceis. Às vezes uma das melhores coisas que faço é resistir ao desejo de negociar as ações.”

3- “Eu costumo ter um filtro de alta qualidade. Eu foco na geração de caixa livre por ação. Essas companhias tendem a ser capazes de financiar seu próprio crescimento. Isso em geral faz com que elas sejam menos voláteis com o passar do tempo.”

4- “Eu olho para negócios que estou confiante que conseguem crescer seus resultados em taxas acima da média — 15-20% — pelo menos pelos próximos 10 anos. Consistência é a chave. Eu fujo de companhias quentes com alto crescimento e que ganham todas as manchetes. Essas ações geralmente despencam e lutam para se recuperar quando o crescimento desacelera ou os investidores encontram algo mais excitante. Crescimento sustentável me dá a disciplina para segurar uma ação ano após ano.”

5- “A capacidade de aumentar o faturamento num ritmo de dois dígitos é muito, muito difícil de se fazer ao longo de um período extenso de tempo e ser capaz de aumentar a riqueza em 20% ou mais é extremamente raro.” “Temos 250 ações, e entre as nossas top 20 posições é raro encontrar um nome que tenha sido adicionado ao portfólio nos últimos três anos. Há uma cauda muito longa na parte inferior, com tamanhos de posições menores que 0,25%. Essas tendem a ser empresas de early-stage — algumas delas de capital fechado — e há um grande risco de fracasso.”

6- “Warren Buffett diz que os juros compostos são uma das chaves para sua riqueza. Mas é também o crescimento dos lucros compostos em longos períodos de tempo que dá grandes retornos. Uma companhia cujo lucro cresce em média 20% ao ano por 10 anos verá seu resultado multiplicar por seis nesse período graças ao crescimento composto, e eu espero que sua ação cresça no mesmo ritmo.”

7- “Se conseguimos encontrar uma ou duas empresas ‘outliers’, e — esse é um grande ‘e’ — se tivermos a disciplina para segurá-las por um longo período de tempo, essa é a maior parte da batalha.”

8- “Companhias que requerem muito capital emprestado têm dificuldade de manter taxas consistentes de crescimento. Geralmente elas não conseguem pegar empréstimos com taxas de juros favoráveis quando elas mais precisam do dinheiro — durante reversões da economia.”

9- Uma pergunta que fazemos aqui é: ‘o management tem o mindset necessário para guiar a empresa para um segundo ato, que é o que é necessário para transformá-la num negócio bilionário?’” “De vez em quando encontramos um negócio bilionário?’” “De vez em quando encontramos um negócio que pode se tornar muito maior que também é gerido por alguém com a capacidade de torná-lo maior.”

10- “Cometemos nossa parcela de erros.”

11- “Temos uma visão de qual é o valor justo. Usamos intervalos em oposição a pontos absolutos.”

12- “…prestamos atenção ao ambiente macro, mas não é o que direciona nosso foco. Estamos buscando companhias que acumulam riqueza ao longo de períodos extensos de tempos, através de ciclos econômicos.”

As 5 melhores mentorias da minha vida

Neste texto, eu falei um pouco sobre porque, para mim, a mentoria é parte essencial para o desenvolvimento de qualquer profissional, seja ele empreendedor ou não.

Muitas vezes, ao longo da minha própria jornada, eu me deparei com “ruas sem saída”, seja nos negócios ou na vida pessoal, e contar com a ajuda dos meus mentores foi o que me fez transformar a visão que eu tinha sobre os meus negócios e entender o que de fato importa para mim, qual é o meu propósito, e o que fazer para alcançá-lo.

Por isso, separei as 5 mentorias mais marcantes da minha vida e o que aprendi com elas, para te inspirar também 😉 

Um agradecimento especial à Endeavor, que me proporcionou essas experiências e aprendizados!

1. Eric Young, Vice-Presidente Global de Pricing da Amazon

Em 2014, eu era sócio de uma empresa de prestação de serviços de inteligência de preços para o e-commerce e estávamos começando a implementar a solução de precificação dinâmica aqui no Brasil. 

Já desde essa época, esse era um dos recursos mais valiosos da Amazon e eu descobri que, na rede da Endeavor, tinha um mentor que o era o braço-direito do Jeff Bezos, o CEO e fundador da Amazon. Só para você terem uma noção, o Jeff Bezos tem um time 7 pessoas (tipo um “entourage”) que respondem direto para ele. Uma dessas pessoas era esse mentor Endeavor.

Obviamente, eu logo vi que seria uma excelente oportunidade de conversar com os caras que fundaram o e-commerce como conhecemos hoje.

Só que tinha um porém: a Amazon é conhecida por não receber muitas visitas em sua sede global em Seattle. Por outro lado, no fim daquele mesmo ano, em outubro, ocorreria o Shop.org 2014, na mesma cidade.

Eu não ia deixar essa chance passar.

Em fevereiro, eu comecei a acionar meus contatos na Endeavor em Nova York e pedi para tentarem marcar uma reunião dali a 8 meses com ele. Como ele era muito high level, eu sabia que seria bem difícil conseguirem me encaixar.

Alguns follow-ups depois, recebi do Nick Martell, da Endeavor Global, a confirmação de que ele conseguira uma reunião mentoria para mim com o Vice-Presidente Global de Pricing da Amazon, junto com o Diretor Global de Monitoramento da Concorrência. Ou seja, duas pessoas que estavam muito mais voltadas para o que eu precisava e que me receberiam na sede da Amazon!

Vale destacar que, naquele ano, a Amazon estava no auge. O Bezos tinha entrado na lista dos mais ricos do mundo, a empresa se consagrava como a referência mundial em e-commerce e eu tinha acabado de ler “The Everything Store: Jeff Bezos and the Age of Amazon”.

Mesmo assim, esses dois profissionais desocuparam a agenda deles e dedicaram 1 hora e meia da vida deles para falar dos meus desafios, problemas e oportunidades.

Lições aprendidas

Empatia é o pilar do encantamento

Ter dois profissionais de alto escalão da Amazon, que estavam pelo menos 6 anos à nossa frente, querendo ouvir a minha realidade, é a prova de que a cultura da empatia é o que realmente faz a diferença no seu serviço. Se antes eu já admirava o trabalho dessa gigante, nesse dia, eu fiquei encantado – e estou até hoje.

Outra lição importante que aprendi com essa experiência foi: construir uma rede de contatos é construir pontes que podem te levar muito mais longe do que você imagina.

Afinal, não tem como pagar por esse tipo de conteúdo ou por essa mentoria. Só pela rede de contatos (networking), que eu consegui chegar até a sede da Amazon. 

Quer conferir o que mais eu aprendi nesse dia inesquecível? Então não deixe de ler também as 6 lições aprendidas na sede da Amazon em Seattle!

2. Humberto De Biase, Head de Marketing da Lenovo

E por falar em encantar, uma das mentorias mais memoráveis da minha vida foi com o Humberto De Biase.

O que me chamou muita atenção no Humberto é que, normalmente, as mentorias duram em torno de uma hora, máximo de uma hora e meia. Quando fui falar com o Humberto, que na época era Head de Marketing da Lenovo, a mentoria durou mais de 3 horas, porque ele ficou tão empolgado com os resultados, os desafios, as metas que estávamos batendo que nem vimos a hora passar!

Lições aprendidas

Ele deu vários insights sobre produto, posicionamento, como dar o próximo passo para atender os nossos clientes, seja ele varejista ou fabricante – porque, embora a Lenovo seja fabricante, ele tinha uma noção de varejo também.

Utilizamos os insights do Humberto para evoluir nossa visão, estratégia e modelo de negócios.

Me chamou muito a atenção também a disposição que ele tinha de dedicar o tempo dele para ajudar a gente a resolver os nossos problemas, então com ele eu aprendi qual que é realmente o papel de um mentor, que é ser alguém que se coloca à disposição para ajudar nos desafios daqueles que buscam melhorar continuamente.

3. Dorival Oliveira, VP do McDonald’s

Eu tinha estudado no mestrado como que o McDonald’s decidia abrir uma lanchonete, isto é, como a empresa decidia em que bairro, em que esquina, instalar uma filial ou franquia.

Eles fazem uma análise gigantesca de diversos elementos demográficos, econômicos e sociocomportamentais – fluxo de pessoas, horários de maior movimentação, o que tem por perto em termos de transporte, comércio etc. – até que finalmente decidem: “beleza, vai ser nessa esquina, desse bairro, com essa confluência aqui de pessoas e cruzamentos”. 

Só que aí passava um mês e o Burger King abria uma unidade em frente. Ou seja, o McDonald’s liderava o processo, e o Burger King não precisava gastar aqueles milhões fazendo a mesma pesquisa simplesmente porque se abria um McDonald’s ali, o BK sabia que teria demanda.

Nós estávamos vivendo um processo parecido na nossa empresa de e-commerce; nós tínhamos criado um segmento novo, que não existia ainda no e-commerce brasileiro, e, depois de 3 anos sozinhos no mercado, começaram a aparecer os primeiros concorrentes.

Um deles, em especial, estava sempre em cima da gente, tentando copiar tudo. Se era cliente nosso, ele oferecia o serviço pela metade do preço; se era funcionário nosso, ele dobrava o salário. Ou seja, tudo aquilo que a gente demorou para desbravar o mercado, eles já foram direto, sem precisar gastar muito tempo ou dinheiro estudando, exatamente como ocorria com McDonald’s.

Baseado nisso, eu lembrei que o Dorival, VP do McDonald’s também estava na rede da Endeavor e presumi que seria uma boa pedir uns conselhos para ele.

Lições aprendidas

Pode parecer estranho porque não tem nada a ver lanchonete e hambúrguer, com nosso mercado na época, mas a lógica de concorrência era a mesma. Eu acionei o Dorival, contei essa história e ele simplesmente virou para para mim e perguntou: “Vabo, quais são as três coisas mais importantes para você, no seu negócio?”.

Minha resposta foi:

  1. Nosso time. Eu preciso ter no nosso time pessoas que nós consigamos atrair, engajar desenvolver e inspirar. Precisamos ter pessoas alinhadas com o propósito, com a cultura, com o sonho e com a missão do nosso negócio.
  2. Nosso produto resolvendo a dor do nosso cliente. Nós precisamos resolver o problema do nosso cliente, então nossos produtos, serviços, ferramentas, sistemas precisam, efetivamente, ajudar o cliente a ter melhores resultados, facilitar a vida dele, para que o cliente do nosso cliente possa ser melhor atendido. É uma cadeia de satisfação. Se o cliente do cliente estiver satisfeito, nós atingimos nosso objetivo.
  3. Nosso relacionamento com o cliente. Na nossa visão, mais do que atender bem o cliente e resolver seus problemas, era preciso encantar e surpreender, criando um relacionamento de longo prazo com os clientes, porque sabíamos que isso gera um valor enorme. Dado que a gente é mal atendido normalmente na maior parte do tempo, se formos capazes de encantar o cliente é o que faria a diferença para que ele lembrasse de nós.

Diante disso, o Dorival virou e falou: “tá bom, Vabo. Então foca nisso e esquece do concorrente! Acabou a mentoria! =]”.

Acabou mesmo… ou seja, depois a gente só aprofundou nessas questões.

A grande lição, portanto é: você tem que monitorar o seu concorrente, tem que saber o que ele está fazendo, mas ele não pode ser motivo para você travar. Enquanto o seu foco for seu time e seu cliente, e o foco dele for você, provavelmente ele vai estar sempre atrás.

4. Diego Martins, da Acesso Digital

O Diego era, reconhecidamente, uma pessoa que tinha um grande desejo de construir um local incrível para a galera trabalhar. Ele imaginava a empresa dele como uma mistura de Google com Ambev – Google no sentido de ser cool, inovador, e Ambev no sentido de entregar resultado, bater meta, meritocracia.

Ele criou esse ambiente na Acesso Digital, e a mentoria com ele foi muito importante porque ele começou com uma pergunta profunda: por quê?

Como eu mencionei no caso do McDonald’s, a coisa mais importante para um líder, o ativo mais importante que ele tem, é o seu time. E aí o Diego quis saber o porquê de eu acreditar isso: por que o time? Por que focar nas pessoas?

Lições aprendidas

Foi uma pergunta que eu precisei responder de forma 100% verdadeira e ele entendeu que era realmente genuíno o meu interesse, e não porque é uma coisa bonita, que está na moda…

Nessa mentoria, ficou claro que a verdadeira vantagem competitiva de longo prazo, para qualquer organização, é a capacidade que ela tem de construir uma cultura forte de alta performance baseada em valores e princípios em comum.

E aí nós começamos a derivar disso os rituais, programas, processos, sistemas que implementamos a partir dali para construir essa cultura forte.

Aliás, esse tema foi complementado pela mentoria seguinte:

5. Pedro Chiamulera e Bernardo Lustosa, da Clearsale

Como eles eram muito bons na construção de cultura organizacional, eles viraram nossos mentores-padrinhos!

Eles têm uma cultura muito forte na Clearsale e também trouxeram uma série de exemplos, atividades e rituais que compartilhavam e tangibilizavam essa cultura com o time, então o time estava sempre orientado a uma forma correta de entregar resultado, alinhada pelos seus princípios e valores.

Lições aprendidas

O Pedro, o Bernardo e o Diego foram as principais referências em relação à importância de a gente ter um time e uma cultura fortes, construindo isso como a principal vantagem competitiva sustentável de longo prazo da nossa organização.

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No meu Instagram @vabo23 estou sempre compartilhando os passos mais importantes da minha jornada e trocando ideias sobre people skills, liderança, empreendedorismo e a vida, em geral 🙂

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Novas formas de dar aulas – oratória, preparação e técnicas para a Escola Digital

Tive a honra de falar para mais de 3.000 professores do ensino básico de vários lugares do Brasil sobre minha visão dos desafios e o futuro da Educação. Fico muito feliz de poder dar minha contribuição para essa missão tão nobre que temos de educar as crianças, jovens e adultos. Se quiserem conhecer mais detalhes, segue aqui o link:

Como se tornar um lifelong learner

Lá no insta do @alemdafacul, eu e Gui Junqueira (@guijunqueira), fundador da Gama Academy, batemos um papo mega importante sobre o que futuro nos reserva como profissionais e o porquê de modelos tradicionais de aprendizado não fazerem mais jus aos desafios do mercado digital.

E um dos tópicos mais bacanas que surgiram na nossa conversa foi sobre o lifelong learning – ou o aprendizado vitalício.

Lifelong learners são as pessoas que nunca param de aprender. Mas, para se tornar um, é preciso questionar crenças e modelos que te acompanharam a vida inteira.

Por isso, preparei um texto especial, inspirado por essa live, sobre o que é ser um lifelong learner e compartilhando algumas dicas sobre o que é necessário para desenvolver essa mentalidade. 

Vamos lá?

O que é ser um lifelong learner

Ser um lifelong learner é se livrar das crenças promulgadas pelo modelo tradicional de educação, onde rola essa noção de que, uma vez terminada a escola e, depois, a faculdade, você está pronto para a vida. 

Mas, sendo um lifelong learner, a pessoa pressupõe que vai passar a vida inteira aprendendo, estudando. Essa é uma mentalidade diferente de aprendizado.

O modelo tradicional é linear no sentido de que você escolhe uma especialização e, teoricamente, segue essa especialização para sempre. Você se dá bem em Física, então obrigatoriamente você vai ter que ser um Físico, um Engenheiro, porque é para isso que a escola está te preparando. Só que, hoje, isso está ainda mais distante da nossa realidade como profissionais e seres humanos. 

Nós temos diferentes recursos a nosso alcance, diferentes caminhos. Eu não necessariamente preciso abdicar de outros caminhos para seguir um só, eternamente. 

Se a vida não é uma linha reta, por que a aprendizagem seria?

Ser um lifelong learner significa não fazer faculdade?

Muita gente tem essa dúvida – fazer ou não faculdade? –  justamente por conta desses pontos levantados. A faculdade não é mais uma obrigação. Você pode ter uma carreira de sucesso sem um canudo.

Porém, é recomendável? A faculdade não é mais necessária?

A verdade é que depende muito – de cada pessoa e das skills que cada um quer desenvolver.

Há ocupações que exigem um curso regulado – Medicina, por exemplo -, porque lidam com o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos regulados. Não dá pra fazer Medicina online, recebendo uma cobaia na sua casa e praticando operação cirúrgica à distância, né?

Mas existem outras skills que hoje vale muito mais a pena você saber aplicá-las, entender a necessidade de resolução de problemas em diferentes contextos, e usar essas skills, do que necessariamente você ter um pedaço de papel atestando que você sabe usar essas skills. 

Entre o conhecimento absorvido e a prática realizável, é onde está o aprendizado. Ele vem desse esforço de você aprender a teoria e praticar, se esforçando e tendo resultado, seja positivo ou negativo.

Logo, em vários casos você não precisa de uma faculdade para ter essa iniciativa de ir atrás de um conhecimento, absorvê-lo, colocá-lo em prática e colher os resultados. 

A vantagem da faculdade é você ter um espaço de curadoria desse conhecimento e contar com facilitadores para o entendimento e aplicação desse conhecimento. É um espaço para você fazer networking, fazer amigos – nossos amigos da vida muitas vezes vêm da faculdade, porque depois que você começa a trabalhar, é mais difícil construir determinadas relações -, então de forma alguma a faculdade é descartável.

O que é fundamental (e isso de parte tanto das universidades quanto dos alunos) é entender que o modelo tradicional – linear, focado em hard skills, por exemplo – não é favorável ao tipo de adulto e de profissional que precisamos formar hoje.

O custo-benefício da faculdade vem sendo muito questionado por isso. A gente precisa partir do pressuposto de que o aluno, principalmente o aluno adulto, é capaz de ir atrás do seu próprio conhecimento e faz isso ativamente. A gente está o tempo inteiro consumindo conteúdo, por exemplo. Como a universidade, então, pode complementar e desenvolver essa dinâmica, enriquecendo o conhecimento do aluno, estimulando-o a colocá-lo em prática dentro da sua própria realidade?

Porque, esse é outro ponto, o modelo tradicional de educação muitas vezes é excludente. Cada aluno vem de uma realidade – umas mais favoráveis, outras nem tanto. Como desenvolver um caminho de aprendizagem que permita a diferentes perfis de alunos absorver e praticar esse conhecimento?

Fazer uma faculdade continua sendo um passo importante para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional na medida que facilita o processo de aprendizagem, oferecendo insumos para seus alunos e criando oportunidades para que seu conhecimento seja aplicado. 

É muito recomendável que você se matricule em uma universidade e pegue o seu canudo – sabendo, porém, que de forma alguma ele determina suas capacidades ou dita o caminho que você vai percorrer pelo resto da vida.

Com faculdade ou sem faculdade: faça sua própria ementa

A heutagogia é parte fundamental do lifelong learning.

Isso porque a heutagogia, também conhecida como aprendizagem autodirecionada, é uma estratégia de aprendizagem centrada no aluno, que enfatiza o desenvolvimento da autonomia, da capacidade e do desenvolvimento de habilidades particulares, em diferentes contextos de conhecimento.

Nesse caso, os alunos contam com mentores, em vez dos professores tradicionais. Além disso, em vez de simplesmente concluir as tarefas atribuídas por professores, esses alunos procuram áreas de incerteza e complexidade nas disciplinas que estudam. Os mentores ajudam fornecendo contexto para a aprendizagem e criando oportunidades para que os mentorados explorem completamente seus assuntos de interesse.

Ou seja, heutagogia é planejar suas trilhas de desenvolvimento e criar seu próprio caminho

E ela se diferencia da Pedagogia e da Andragogia justamente nesse ponto: você determina o seu aprendizado, ao invés de seguir um caminho pré-estabelecido. 

Para te ajudar a construir sua ementa e desenhar sua jornada, arranje um mentor que esteja a um ou, no máximo, dois níveis acima de você (para não haver muita discrepância) ou um par que esteja no mesmo nível e que tenha motivação intrínseca e tempo disponível para um puxar o outro ao longo da jornada de aprendizagem. 

O nome dessa técnica é follow the path, e pode ser aplicada tanto em contextos acadêmicos – na faculdade – quanto profissionais, no seu dia a dia de trabalho.

Eu escrevi um artigo onde falo sobre como encontrar um mentor e estruturar uma mentoria. Dá uma lida!

Slash de carreira: os benefícios de ser um lifelong learner

O conceito de slash de carreira é outro que vai na contramão da noção de que se você escolheu uma profissão, vai praticá-la, linearmente, pelo resto da vida.

Na verdade, estamos caminhando para um futuro cada vez mais populado de profissionais slash.

O profissional slash é aquele que tem sua renda oriunda de múltiplas carreiras, com o objetivo de equilibrar o que “ama” com o que “precisa fazer”. O termo foi popularizado pela escritora nova-iorquina Marci Alboher no livro “Uma pessoa / Múltiplas Carreiras: O Guia Original das Carreiras Slash”

Isso significa que múltiplos aprendizados serão combinados para criar profissionais únicos, com diferentes cruzamentos de conhecimento.

Um profissional de vendas apaixonado por Cinema, por exemplo, pode cruzar seus conhecimentos de storytelling com as skills necessárias para ser um bom vendedor e encantar seus prospects com um pitch completamente original.

Um educador que manja de edição de áudio para podcasts tem, nas mãos, uma oportunidade única de usar formatos variados para promover a aprendizagem e, por que não?, criar o seu próprio podcast sobre Educação.

Mais e mais somos capazes de combinar diferentes aptidões e paixões para desenvolver serviços, produtos e modelos únicos no mercado. A mentalidade do lifelong learner vai se diferenciar justamente porque cria essa disposição para aprender, testar e cruzar conhecimentos constantemente.

Por que ser um lifelong learner

Sendo um lifelong learner, você:

  • Desenvolve hard skills e soft skills de forma equilibrada, favorecendo múltiplas habilidades
  • Se torna um profissional com capacidades diversas, podendo trilhar diferentes caminhos
  • Trabalha a sua autonomia, se apropriando dos seus conhecimentos de forma mais efetiva
  • Pode transformar suas paixões em fontes de renda
  • Se torna mais independente, como profissional e como pessoa
  • Está mais preparado para o futuro

O processo de aprendizagem vem favorecendo o fator humano, social e emocional, estimulando a troca, a convivência, a interação, a criatividade e o questionamento.

Para ser um lifelong learner, encare o aprendizado não como um fim, mas como um caminho que deve se estender por toda a vida! 

Quer ver na íntegra a troca super valiosa que tive com o Gui Junqueira? Dá play no vídeo abaixo!

Comunicação Não-Violenta: como co-criar pontes com o outro

“Todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”

Marshall Rosenberg

Comunicar-se com empatia é essencial não só para uma liderança mais eficiente, mas também para a construção de relacionamentos melhores e mais saudáveis com as pessoas.

Nesse sentido, um dos pilares da comunicação empática é a Comunicação Não-Violenta, ou CNV.

Desenvolvida pelo psicólogo, professor e escritor Marshall Rosenberg, seu objetivo é promover uma comunicação fundamentada pela empatia para trocas mais positivas seja no âmbito pessoal ou profissional.

Eu sou adepto de seus ensinamentos, por isso quis dedicar um texto exclusivo para o tema! Espero que gostem!

O que é a Comunicação Não-Violenta?

Também conhecida como comunicação compassiva, a Comunicação Não-Violenta se baseia no princípio de que “todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”.

Em outras palavras, a minha relação com qualquer pessoa é definida pela minha comunicação, que denota um comportamento, que por trás há uma necessidade. Ou seja:

Minha necessidade > gera um comportamento > que é comunicado > e define uma relação.

Uma relação baseada na CNV, portanto, se desenvolve pela empatia na medida que parte do reconhecimento das necessidade – minhas e do outro – e da comunicação dessas necessidades de forma clara, visando, na medida do possível, a satisfação de ambos os lados.

Para entender melhor como essas necessidades podem ser reconhecidas e comunicadas, vale falar sobre os 3 tipos de empatia.

Os 3 tipos de empatia

A empatia pode ser dividida em:

  1. Empatia cognitiva – que é quando você consegue compreender como a outra pessoa vê o mundo
  2. Empatia emocional – que é quando você consegue sentir como a outra pessoa se sente
  3. Empatia solidária ou compassiva – que é quando não apenas compreendemos e sentimos, mas nos movemos espontaneamente para ajudar a outra pessoa, considerando suas emoções

Logo, a Comunicação Não-Violenta compreende que essas 3 empatias podem ser combinadas na construção de relações que beneficiem ambas as partes, uma vez que parte da compreensão mútua e do entendimento mútuo das necessidades um do outro.

Os princípios e definições da Comunicação Não-Violenta

A CNV se baseia nos seguintes princípios:

  • Falar sem machucar e sem ouvir sapo
  • Ouvir sem se ofender
  • Enxergar além do comportamento do outro e decifrar o que te incomoda nele
  • Enxergar os pontos em comum com o outro, e se conectar com eles
  • Resolver conflitos através dessa conexão

Partindo desses princípios, chegamos às definições:

  • É um caminho de autoconhecimento
  • É um paraquedas de autoconsciência
  • É um caminho para co-criar uma ponte com o outro, mesmo durante uma briga

Os objetivos da Comunicação Não-Violenta

Finalmente, combinando os princípios com as definições, temos os objetivos da CNV, que são:

  • Evitar uma comunicação ofensiva, separando fatos de julgamentos
  • Reconhecer as emoções desconfortáveis, expressando vulnerabilidade
  • Revelar expectativas e necessidades que não estão sendo atendidas
  • Firmar um acordo que viabilize a convivência futura, sabendo ouvir efetivamente
  • Promover autenticidade e praticar a empatia

Exemplos práticos de Comunicação Não-Violenta

Mas como a CNV pode se traduzir no dia a dia?

Em primeiro lugar, é preciso aprender a separar fatos de julgamentos.

No ambiente de trabalho, por exemplo, quando você diz “fulano é desorganizado”, “fulano não trabalha direito” – essas frases são julgamentos. É preciso se atentar aos fatos, por exemplo: “este trabalho que fulano entregou está abaixo do que eu gostaria”,  “suas entregas estão aquém das nossas expectativas”, “ficou faltando fulano fazer X, Y e Z para entregar um bom trabalho”.

Ou seja, você foca no ato, na ação, e não na pessoa.

A comunicação violenta ocorre quando você ataca o ser humano ao invés de atacar a situação, porque você generaliza sua interpretação de um ato  para o âmbito pessoal. Você reduz a pessoa a uma ação específica.

O mesmo vale para casais, amigos, família… É preciso tratar os fatores de incômodo pelos atos, evidenciando o porquê de determinadas ações terem desencadeado esse incômodo.

Aprenda a ser vulnerável!

Não é fácil, obviamente. Para nos conectarmos de forma não-violenta, nós precisamos abraçar e expressar nossa vulnerabilidade.

Tem um TED do qual eu gosto muito chamado “O Poder da Vulnerabilidade”, da Brené Brown. Fica a dica!

Muitas vezes, reações violentas – gritar, ofender, xingar etc. – são tentativas de esconder suas vulnerabilidades.

Afinal, vulnerabilidade é exatamente o ato de você perceber que você não está dentro do Castelo, que você não tem todas as respostas do universo, que, se você é líder em uma empresa, você não sabe o que vai acontecer na semana que vem… 

Às vezes, você tem a melhor intenção do mundo, mas as coisas dão errado e você não sabe consertar. Faz parte. É preciso admitir que você não tem controle sobre a maioria das coisas no universo, e não reagir a essa falta de controle de forma agressiva – especialmente se sua reação envolve outra pessoa.

A verdade é que se permitir ser vulnerável é abrir as portas para se conectar com outra pessoa. Admitir suas fraquezas, o que você não sabe, o que te incomoda, o que te deixa acordado(a) à noite – é aí que as pontes são construídas, porque você expõe suas necessidades por meio da comunicação, permitindo que o outro faça um movimento para atendê-las, estabelecendo essa relação.

Exercício de Comunicação Não-Violenta – Fórmula da Assertividade

Para praticar a Comunicação Não-Violenta, lembre-se dessa fórmula da próxima vez que você sentir um incômodo provocado pelo outro em qualquer relação sua:

  • “Quando você faz/diz [inserir aqui o fato que te incomoda]…
  • “…eu me sinto [inserir aqui a emoção que o fato provocou em você]…
  • “…porque [inserir aqui a explicação sobre como o fato se associa à emoção]…
  • Será que você poderia [inserir aqui a sua necessidade, na forma de um pedido claro à outra pessoa]?”

Por exemplo:

“Quando você não cumpre com nosso cronograma, eu me sinto irritado(a) porque temos um compromisso com o cliente, que me pressiona. Será que você poderia se atentar às datas de entrega combinadas e se esforçar para cumprir com o que ficou combinado?”

Ou:

“Quando você não me ajuda em casa, eu me sinto triste, porque eu também estou cansado(a) e sob pressão. Será que você poderia lavar louça/fazer compras/lavar a roupa para que essas tarefas não sobrecarreguem nenhum dos dois?”

E lembre-se: empatia é tratar o outro como o outro gostaria de ser tratado!

Vamos construir um futuro com maior empatia e conexão entre as pessoas? 🙂

Recomendações de leitura sobre o tema:

No meu Instagram @vabo23 estou sempre trocando ideias sobre people skills, liderança, empreendedorismo e a vida, em geral 🙂

Segue lá e me conta o que você achou deste texto!

Inteligência Emocional e Saúde Mental no seu dia a dia

Essas são as melhores ferramentas de inteligência emocional para você manter e melhorar sua saúde mental:

  • Manter uma alimentação saudável e hidratação constante
  • Praticar esportes, exercícios físicos e atividades físicas
  • Priorizar o sono e o descanso do corpo
  • Praticar períodos de downtime, também chamados de “ócio criativo”
  • Praticar uma arte (música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia ou outras)
  • Escrever diário de bordo de emoções e diário de bordo de gratidão
  • Fazer terapia com profissionais qualificados (psicólogos ou psiquiatras)
  • Participar de uma comunidade e priorizar relacionamentos de qualidade
  • Fazer trabalho voluntário
  • Não acreditar na sua voz interior quando ela traz pensamentos autossabotadores, crenças limitantes e profecias autorrealizáveis: Síndrome do Impostor (“eu não sou capaz”, “eu não mereço”)
  • Meditar e praticar a presença (descanso e higiene da mente)

Mentoria: por que você deve fazer? Como encontrar um mentor?

two woman looking at laptop screen

Desde a Grécia Antiga, e talvez ainda antes disso, as pessoas buscam umas às outras para aprender e ensinar. A mentoria está impregnada na história humana através de figuras clássicas como Platão e Sócrates, Jesus e seus apóstolos e Freud e Jung; já na ficção, Dumbledore e Harry Potter, Gandalf e Frodo, até mesmo Heisenberg e Pinkman, de Breaking Bad, são grandes exemplos de mentores e aprendizes.

Você certamente já teve mentores. Pode ter sido um professor – o mentor mais óbvio -, pode ter sido um amigo, pode ter sido até aquele primo que te deu vários conselhos bacanas em determinado período da sua vida. 

Nossa vida é um caminho tortuoso e desconhecido, e muitas vezes precisaremos de ajuda para atravessá-lo. Esse é o papel do mentor. 

Mas é importante que você saiba escolher – deliberadamente – seus mentores e o foco de sua mentoria, para que essa troca seja uma curva crescente na sua vida. Embora, sim, você esbarre em alguns mentores ao longo da sua jornada, se você quiser tirar o melhor de cada oportunidade, é preciso ser mais consciente e proativo.

Por isso, vamos começar pelo básico: entendendo, de fato, o que é um mentor?

O que é um mentor

O termo tem sua origem na “Odisseia”, de Homero: Mentor era amigo de Odisseu (Ulisses), que, ao partir para a Guerra de Tróia, deixou Mentor como guardião de seu filho, Telêmaco. Ele ficou responsável por educar o garoto, até que Ulisses retornasse – daí sua associação com o termo tutoria

Já o substantivo “mentor”, no dicionário, é definido como:

Mentor, s.m.

1. Pessoa que, pela sua sabedoria ou experiência, ajuda outra como guia ou conselheiro.

2. Pessoa que inspira outras.

Repare, portanto, que a mentoria não se resumiria a um ambiente estritamente educacional, como muitos acreditam devido à cultura dos preceptores (tutores de crianças de famílias ricas, muito comum até o século XX) ou dos instrutores. 

Repare, também, que o termo é amplo o suficiente para que qualquer um possa ser um mentor, ou ter um mentor. Por isso, é necessário senso crítico na hora de buscar ativamente a mentoria, a fim de que ela de fato tenha os resultados positivos que você espera, te ajudando a evoluir conforme suas metas e os desafios enfrentados.

Eu gosto de dividir em dois tipos de mentores, portanto:

  • Mentor indireto – é aquela pessoa que te inspira, te aconselha, te ajuda a evoluir sem que você busque essa mentoria ativa ou pessoalmente. Aqui, podemos englobar as figuras que admiramos, como artistas, empreendedores, líderes mundiais etc. Exemplo: conheço investidores profissionais que possuem o Warren Buffett como mentor (indireto) porque já leram tudo que ele escreveu, porém nunca estiveram pessoalmente com ele 
  • Mentor direto – é aquela pessoa cuja sabedoria você busca ativa e pessoalmente, isto é, você já parte do princípio de querer aprender algo com ela. Aqui, temos os professores, gestores, colegas de trabalho, monitores etc.

Ambos podem te ensinar muito, mas, naturalmente, quanto mais próxima e individualizada for a mentoria, melhor. Por isso, recomendo não se contentar só com mentores indiretos – vá atrás de mentores que possam te ajudar com seus desafios pessoais, e não só aqueles mais genéricos. Estes, inevitavelmente, terão de ser mentores diretos. 😉

Por que fazer mentoria

Muitas vezes, ao longo da minha própria jornada, em me deparei com “ruas sem saída”. Seja nos negócios ou na vida pessoal, é desesperador. Às vezes você sabe exatamente o que quer e aonde quer chegar, mas não faz a menor ideia de qual caminho seguir. Ou às vezes você sequer sabe aonde pode chegar com tudo o que tem e não consegue nem dar o primeiro passo rumo ao seus sonhos e ao seu propósito.

O que você faz?

Voltando à Grécia, você conhece a história do Labirinto de Creta e de como Teseu venceu o Minotauro?

O Labirinto de Creta foi construído pelo brilhante arquiteto Dédalo a pedido do Rei Minos, com o intuito de prender o Minotauro, personagem mitológico com corpo humano e cabeça de touro. Nessa época, como tributo ao rei de Creta, a cidade de Atenas era obrigada a oferecer 7 rapazes e 7 moças para alimentar o Minotauro, periodicamente. 

As 14 vítimas eram atiradas no labirinto e até podiam tentar sair, mas ninguém nunca conseguiu, muitas vezes morrendo para o labirinto antes mesmo de se depararem com o Minotauro.

Até que um dia Teseu, filho do rei de Atenas, Egeu, se ofereceu como uma das vítimas para poder derrotar o Minotauro. Quando chegaram a Creta, Teseu conheceu Ariadne, filha do Rei Minos, que o presenteou com um novelo de linha para que Teseu demarcasse o caminho percorrido no labirinto e, após derrotar, o monstro, conseguisse sair.

Muitos mais do que a derrota do monstro, a história de Teseu e o Minotauro é marcada pela inventividade de sua fuga do labirinto.

E é justamente esse o grande atributo de um mentor: te dar o novelo de linha que vai te ajudar a escapar de seus labirintos pessoais!

Você não precisa superar todos os seus desafios sozinho, e vai bater bem menos cabeça com um mentor ao seu lado. Te garanto!

Como fazer mentoria: um passo a passo

Antes da mentoria

Passo 1: identificando suas necessidades

Quais são seus desafios pessoais e profissionais? Qual é o seu labirinto? Por que você não está conseguindo sair dele? Quais habilidades você quer desenvolver? Qual é o seu propósito? Quais são suas metas a curto, médio e longo prazo? Quais características você sente que te faltam para alcançar esses objetivos? 

O primeiro passo é mapear suas necessidades e o porquê de você estar buscando uma mentoria. Suas expectativas devem ser muito claras para não haver frustrações – da sua parte ou do mentor. 

Afinal, vocês precisam partir de um lugar-comum: preciso de ajuda com X; eu tenho Y e você tem Z – como chegamos, juntos, até X?

Passo 2: escolhendo o seu mentor

O primeiro passo é identificar a pessoa que você gostaria de ter como mentor baseado no seu propósito de vida e nos seus objetivos pessoais e profissionais. Mas tenha em mente que a mentoria é sempre uma via de mão dupla. É preciso que mentor e mentorado estejam igualmente envolvidos um com o outro.

A melhor forma de escolher um mentor, portanto, é escolhendo uma pessoa que tem uma característica, uma habilidade que você admira ou que tenha passado por uma experiência similar àquela que você quer desenvolver e que, por outro lado, você possa complementar com suas próprias habilidades, características e experiências.

Isso não significa que se você precisa de um mentor para vendas, por exemplo, você deve se forçar a ensinar alguma coisa que ele não saiba, ou que ele não precise, só para equalizarem a troca. Não encare a mentoria apenas pelo viés do conhecimento técnico.

Um mentor pode se beneficiar muito da sua companhia simplesmente porque você está em um ramo que ele desconhece – e que, naturalmente, passará a conhecer graças à troca contigo; um mentor mais velho, por exemplo, pode aprender muito mentorando alguém 10, 15, 20 anos mais novo; já um mentor que não tem o hábito de ler ficção frequentemente pode aprender com você, um aficionado por literatura fantástica, bastante coisa sobre storytelling.

Existe até o conceito da mentoria reversa, que significa que uma pessoa teoricamente menos experiente e mais jovem é escolhida para mentorar alguém mais experiente. Exemplo: imagine um presidente de uma grande corporação que você conhece recebendo aulas de TikTok de seu filho de 14 anos =)

O importante é que, para encontrar um mentor interessado em você, você também seja interessado na pessoa e se disponha a ajudá-la em alguma necessidade que essa pessoa tenha, ainda que subjetivamente. 

Uma alternativa é recorrer a uma ponte que facilite essa conexão – como instituições em comum. Eu, por exemplo, sou Empreendedor apoiado pela Endeavor, então muitos dos meus mentores e muitas das pessoas que eu mentorei são de lá também.

Você pode buscar mentores na sua faculdade, em um curso que você frequenta, no seu ambiente de trabalho ou até em um local que você costuma frequentar – a biblioteca, o clube, que seja. Muito provavelmente, se vocês passam o tempo no mesmo lugar, algum interesse em comum existe, então não descarte essa possibilidade!

Durante a mentoria

Passo 3: estruturando a mentoria

Uma mentoria não é um bate-papo de almoço ou um café na padaria. Isso até pode ocorrer antes ou depois, mas a mentoria, em si, precisa ser objetiva.

Determinem, junto, um tempo de duração e frequência para a mentoria. Pode ser 1 hora, 2 horas, enfim, o que couber na agenda de ambos, mas é imprescindível que os encontros sejam espaçados – até para que você tenha tempo de aplicar seus aprendizados e colher insights para o encontro seguinte. Eu, geralmente, recomendo um almoço de 1 hora ou 1 hora e meia por mês com o seu mentor. 

Na primeira mentoria, não se esqueça de se apresentar, contar um pouco da sua história, dos seus desafios e de pedir para que o mentor faça o mesmo. Em seguida, e ao longo de todos os demais encontros, exponha seus desafios mais específicos, ouça atentamente, anote tudo o que for relevante e, sobretudo, tire quaisquer dúvidas que surgirem ao longo da conversa.

Ao fim, resuma seus aprendizados e peça para que estabeleçam, juntos, os próximos passos. Respeite o tempo da mentoria. Isso fará com que ela seja mais efetiva.

Após a mentoria

Passo 4: avaliando seus aprendizados

Chegaram ao fim do período acordado para a mentoria? Então agora é hora de avaliar o que você aprendeu de forma prática.

O que mudou do encontro 1 para o encontro 5, por exemplo? Como você lidou com os desafios que surgiram? Surgiram novos desafios? Você sente que deu um passo à frente rumo aos seus objetivos? Ou percebeu que precisava, na verdade, dar um passo atrás? Que mudanças efetivas você observou em você e no seu dia a dia ao longo desses 5 encontros?

Você está satisfeito? Se sim, por quê? Se não, por quê? Destaque os pontos positivos e negativos. Que feedback você daria para o seu mentor? Peça feedbacks também! E, se sentir a necessidade de estender a mentoria, veja o que pode ser acordado.

Sobretudo, independentemente do resultado, agradeça ao seu mentor pela disposição e por toda a troca ao longo da mentoria.

Passo 5: fazendo follow up

Não é porque a mentoria acabou que vocês não vão continuar trocando conhecimento. Periodicamente, vale fazer um follow up com seu mentor, seja para contar as novidades ou saber o que ele anda fazendo!

A troca entre um mentor e um mentorado é uma das mais valiosas que existem. Muito mais do que conselheiros, vocês podem se descobrir grandes parceiros em suas jornadas particulares e esse é o tipo de relação no qual vale a pena investir.

Enquanto você puder aprender, aprenda! E se puder ensinar, ensine!

Não há nada mais gratificante para um mentor do que virar aprendiz. 😉

O mentor ideal existe?

Não.

Não existe um mentor com TODAS as características necessárias para te ajudar em todos os aspectos da sua vida. É aquela velha história de “ninguém é bom em tudo”, sempre vai faltar uma coisa ou outra. E isso, na verdade, é ótimo, pois é por isso que nós, seres humanos, somos seres sociais e complementares.

Logo, não adianta você querer encontrar um mentor que vai saber solucionar todas as dores. Você deve ter vários mentores, para vários momentos/desafios da sua vida.

Se possível, eu recomendo buscar um mentor para cada habilidade específica que você quer desenvolver. Assim, os ensinamentos vão se complementar, e você também estará trabalhando seu networking e desenvolvendo – por que não? – sua própria capacidade de mentoria.

Além disso, vale lembrar que as mentorias podem variar entre si. Se com um mentor você investe 1 hora por semana, porque é o suficiente, com outro você pode preferir investir 2 ou 3 horas, dependendo do seu objetivo e da priorização das suas necessidades. 

Não é uma ciência exata. Você vai sentindo com o tempo e conforme a sua evolução. Só não deixe a busca pelo mentor ideal virar um boicote e te impedir de dar o próximo passo!

Dicas para uma mentoria eficaz

Agora que você já tem o panorama da mentoria, vamos relembrar o protocolo para uma mentoria eficaz?

  • Pré-mentoria = mentor e mentorado devem ler 1 página sobre o desafio enfrentado. O ideal é que você (mentorado) prepare esse documento antes da primeira mentoria
  • Durante a mentoria = divida o encontro em 3 partes:
    • Início – apresentações das pessoas e do desafio
    • Meio – falar e principalmente ouvir, anotar, tirar dúvidas
    • Fim – respeitar o tempo, resumir os aprendizados, combinar os próximos passos, agradecer
  • Pós-mentoria = avaliar a mentoria, follow up de 2 em 2 meses

Ah, e uma observação importante: mentores gostam de saber que seus mentorados estão fazendo e como estão aplicando os aprendizados, então não foque apenas nos seus problemas durante a mentoria, hein?

Vou te contar um segredo: sempre quando eu dou uma mentoria, eu aprendo tanto quanto meus mentorados, pois para responder bem às perguntas deles, eu preciso me assegurar de estar preparado! =)

Tenho certeza de que essa vai ser uma das trocas mais importantes da sua vida e desejo todo o sucesso na sua busca por uma mentoria!

Caso tenha dúvidas, estou à disposição!

Se quiser saber mais sobre o assunto, no meu Instagram @vabo23 estou sempre compartilhando os passos mais importantes da minha jornada e trocando ideias sobre people skills, liderança, empreendedorismo e a vida, em geral 🙂

Segue lá e me manda seus desafios por DM que tentarei te ajudar!

Liderança e Comunicação: como se comunicar com empatia

two women sitting beside table and talking

Uma das principais qualidades de um líder é saber se comunicar. Mas quais são as bases de uma comunicação eficiente? Se comunicar melhor é saber falar melhor, escolher melhor as palavras? Como você pode se tornar um líder mais comunicativo e, consequentemente, mais inspirador?

Vamos descobrir!

A característica 0 e a característica 1 da liderança

Quando me perguntam “se você tivesse que escolher qual é a característica número um da liderança, qual escolheria?”, eu costumo dizer que tem a característica 0 antes dela: a ética.

Isso porque a liderança pode ser interpretada, fundamentalmente, como uma relação entre duas pessoas ou mais pessoas, e a sustentação de todo bom relacionamento é a ética, o respeito, a consideração pelo outro.

Mas dado que a ética é a número 0, a número 1 é saber ouvir.

“Saber ouvir” é o que vou chamar aqui de escutatória. Para que a gente possa melhorar, para que a gente possa evoluir, a gente tem que desenvolver nossas habilidades de escutatória.

O termo foi cunhado pelo grandioso escritor Rubem Alves, que diz:

“A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

[…]

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

Deixo esse trecho para você refletir sobre que tipo de líder quer ser 😉

Quando você ouve, você aprende algo novo

O Dalai Lama dizia que, quando você fala, você só está repetindo aquilo que você já sabe, mas quando você ouve, pode ser que você aprenda algo novo.

A definição mais básica de comunicação é “o ato de falar e ouvir”. Mas a maioria das pessoas só quer falar, falar, falar, falar, demonstrar conhecimento, experiência, que sabe… A gente tem muita dificuldade de ouvir.

Já parou para pensar por quê?

Sem dúvida, ouvir é um ato de humildade: “talvez eu não saiba do que essa pessoa tem a dizer”. Mas quando eu paro para ouvir, quando eu paro para escutar ativamente, é uma oportunidade que eu tenho de aprender algo novo. É a possibilidade que eu tenho que fazer uma reflexão.

Parte do problema é que as pessoas pensam que se comunicar é sinônimo de falar, de expor ideias. Mas a comunicação vai muito além disso. Tem a ver com se conectar com outra pessoa.

As 3 regras da comunicação

Existem 3 regras básicas da comunicação.

Primeira regra: é impossível não se comunicar.

É impossível não se comunicar porque a todo momento nós estamos nos comunicando, porque a todo momento nós estamos tendo um comportamento, e comportamento é comunicação. 

Por exemplo, rir é um comportamento que comunica que você achou algo engraçado. Logo, comunicação não tem a ver exclusivamente com a fala – uma comunicação efetiva pode, aliás, não depender de nenhuma palavra. 

Segunda regra: a comunicação não-verbal impacta mais do que a verbal

São três elementos também que compõem a comunicação:

  • Comunicação verbal – é quando eu uso as palavras para me comunicar
  • Comunicação não-verbal: é quando eu me comunico sem palavras (por exemplo, pela entonação)
    • Comunicação corporal: está dentro da comunicação não-verbal e é a linguagem corporal, que pode ser gestos, expressão facial, postura etc.

Sobre isso, o professor Albert Mehrabian traz o conceito do estudo 7-38-55

A comunicação verbal representa apenas 7% de uma comunicação entre dois seres humanos; os outros 93% são a comunicação não-verbal, representada em 38% pelo tom de voz e 55% pela pela linguagem corporal.

Ou seja, é imprescindível prestar atenção nesses elementos, estar mais consciente deles, e não só nas suas palavras.

Terceira regra: toda a comunicação define uma relação entre dois seres humanos 

Isto é, se eu estou me comunicando com você, aqui, existe uma relação criada. Qual é a relação?

Dependendo do contexto, isso vai mudar. Aqui, eu posso ser um conselheiro, um mentor, um conhecido, um amigo… Independentemente da profundidade, fato é que essa relação existe.

Isso é importante para termos noção de que um ruído de comunicação também implica em um ruído na relação. Um líder que não se comunica direito vai ter um relacionamento mais ruidoso com as pessoas, o que nos leva ao próximo ponto:

Comunicação é o que eu disse, ou o que você entendeu?

Naturalmente, a comunicação é estabelecida não com o que o emissor emite, mas sim com o que o receptor recebe.

Não existe uma comunicação de via única, isto é, você não pode resumir o ato de se comunicar apenas ao que você diz para alguém. Se a pessoa não entende o que você disse, sua comunicação falhou. Teve ruído.

Como você previne o ruído? Aprendendo a se comunicar melhor, ou seja, aprendendo a escutar melhor e a passar melhor sua mensagem – seja ela verbal ou não-verbal.

Os tipos de ruídos mais comuns são: confusões entre o verbal e o não-verbal, entre o digital e o analógico, confusões semânticas e diferenças de idiomas.

A importância da escutatória

A escutatória é essencial para momentos-chave do dia a dia, como conversas, reuniões, feedbacks, seja no ambiente de trabalho ou fora dele.

Demonstrar empatia, comunicar-se bem, se fazer entender, entender os outros, fluir os diálogos, gerar confiança e demonstrar atenção e respeito por quem estiver falando com você. 

Além disso, ela facilita a conexão com outra pessoa, e não apenas a comunicação. Ou seja, ela te ajuda a aprofundar as relações construídas através da comunicação.

Sobre esse tema, eu sempre pergunto aos meus alunos: você prefere ser interessante ou ser interessado?

Uma boa forma de desenvolver a escutatória é trocando, por exemplo, o “você gosta de…?” por “o que você acha de…?”; substituindo o “eu acho que…” por “qual a sua opinião sobre…?” Perguntas abertas incentivam a troca de experiências!

Como se comunicar de forma mais clara?

Primeiro, desenvolvendo a empatia e treinando a escuta ativa:

  • Foque no que está sendo dito, anote!
  • Olhe nos olhos da pessoa!
  • Faça perguntas, demonstre interesse!
  • Faça pequenos gestos diga palavras de confirmação (balançar a cabeça, “aham”)
  • Ao longo da conversa, repita brevemente que foi dito
  • Ao final, resuma com suas palavras os principais pontos

Se comunique com empatia

Para isso, você pode usar o START da Empatia:

  • S = Smile and greet warmly (sorria e cumprimente gentilmente)
  • T = Tell your name/role/what you expect (diga seu nome, seu papel nessa comunicação e as expectativas para essa troca)
  • A = Active listening and assist (escute ativamente e preste assistência no que puder ao longo da comunicação)
  • R = Rapport/relationship building (construa uma conexão e desenvolva seu relacionamento com a pessoa com quem você se comunica)
  • T = Thanks (agradeça!)

Quer aprofundar seus conhecimentos em comunicação e empatia?

No meu Curso de Oratória, você pode aprender como desenvolver a sua escutatória para ser um comunicador melhor!

Além disso, no meu Instagram @vabo23 estou sempre compartilhando os passos mais importantes da minha jornada e trocando ideias sobre people skills, liderança, empreendedorismo e a vida, em geral 🙂

Segue lá e me manda seus desafios por DM que tentarei te ajudar!

Se você busca vaga em startup, não perca esse vídeo!

Tive a honra de receber o convite do Diego Marrara Ranciaro e do Mark Facciolla, do Distrito.me, em que pude compartilhar algumas dicas valiosas sobre como se portar em entrevistas de emprego em startups. Procurei trazer insights e vivências relevantes para ajudar vocês! Vejam no vídeo abaixo. Se tiverem alguma dúvida, não deixem de me enviar um direct pelo Instagram @vabo23.