Shop.org 2015 e o futuro da Internet

O Shop.org deste ano foi na Philadelphia, terra de Rocky Balboa e berço da independência dos Estados Unidos. Com a participação de 5.000 pessoas e 300 expositores, o destaque ficou por conta da penetração do Mobile (já não é mais tendência, virou pura realidade como a nova plataforma dominante) e da chegada das tecnologias do “futuro” (que de futuro não tem nada, pois já estão bem presentes).

O presidente da NRF, a federação do varejo americano, abriu o evento comentando a relevância do setor para a economia, sendo responsável por 1 a cada 4 empregos, atualmente. Comentou também sobre os esforços que vêm sendo feitos na área de cybersecurity e patentes, como proteção às propriedades intelectuais.

Em seguida, sempre é escolhido para falar um varejista local. O selecionado foi o CEO da QVC, que fez uma palestra muito interessante conectando a experiência de compras com entretenimento e comunidade. A palestra dele chamou ainda a atenção pelo fato de terem comprado recentemente a Zulily, que havia sido a última a palestrar no evento do ano passado. Os principais pontos abordados por ele foram:

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Vamos aos tópicos principais que resumem o Shop.org 2015:

  • Mobile é a prioridade número 1 para os varejistas virtuais

Assumindo a dianteira em relação a omnichannel, marketing, site merchandising, expansão internacional e site replatform, que são os próximos na lista de prioridades.

  • Embora seja a prioridade número 1, os varejistas virtuais ainda estão pelejando para conseguir lidar com a complexidade da migração para o Mobile

Atribuição, usabilidade, responsividade, modelo de negócios e estrutura organizacional são os fatores críticos que fazem com que a venda média em smartphones seja de 12% com um tráfego médio de 30%. Para tablets, a proporção é mais suave (16% e 17%, respectivamente)

  • Mobile influencia mais as vendas off-line do que as vendas online!!!

Embora contra-intuitivo é a realidade!

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  • Conteúdo está de volta

Para que a experiência do consumidor seja completa são necessários mais investimentos em conteúdo. Destaques para: Instagram e Pinterest UGC + Vídeos e Fotos em alta qualidade + Tutoriais e Reviews de Experts + Vídeos How-to + Conteúdo social propagado + Blogs.

  • O feijão com arroz ainda é muito importante

Principais fatores considerados pelo consumidor antes de realizar uma compra nos últimos 3 meses: custo de frete + busca + ratings e reviews + imagens dos produtos + carrinho salvo + imagens alternativas dos produtos + demonstrações em vídeo.

  • Feriados e datas comemorativas nunca foram tão importantes e… caros!

73% dos consumidores americanos reportaram que compraram menos em lojas físicas porque haviam comprado online no feriado de Thanksgiving! Alta expectativa de descontos e promoções! Volumes maiores, margens menores…

O Amazon Prime Day representou 1,5 vez um dia comum. O CyberMonday foi 2,2 vezes. Já o dia dos solteiros na China (11/11) movimentou 8,9 vezes mais do que um dia normal!!!

  • Novos objetos interessantes capturam nossa atenção mas não o nosso bolso

Os wearables (tecnologias vestíveis), mobile digital wallets, subscription boxes e smart home devices despertam interesse, porém ainda estão na curva inicial de adoção

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O último ponto se conecta com a principal palestra do evento, que foi feita pelo CEO da Singularity University, Salim Ismail, que é o autor do livro Exponential Organizations. Leitura recomendada para todos que trabalham ou se interessam por E-Commerce, Plataformas Digitais, Internet, Futuro, Tecnologia, Inovação, Vale do Silício e temas correlatos.

A principal tese dele é que as companhias formatadas para o sucesso no século XX estão fadadas ao fracasso no século XXI, porque o mundo está experimentando uma onda exponencial e, portanto, as empresas precisam se tornar organizações exponenciais para que possam se adaptar e sobreviver.

A Lei de Moore já previu o impacto da força exponencial em diversos aspectos de nossa vida cotidiana que serão reconfigurados nos próximos anos: saúde, água, energia, meio ambiente, alimentação, educação, segurança, pobreza, tecnologia e tantos outros.

Recentemente, foi feito um seminário na Singularity University com executivos top de diversas companhias (como Shell, SAP, Coca Cola, Google, Nokia, Hershey’s, entre outras) e o levantamento mostrou que 75% deles tinham pouco ou nenhum conhecimento dessas tecnologias revolucionárias que estão em curso. Após o seminário, a conclusão é que 80% destas tecnologias trariam impacto “game-changer” em até 2 anos e 100% delas em até 5 anos. 100% dos executivos traçaram planos de ação imediatos.

E quais são estas tecnologias disruptivas? Seguem alguns exemplos:

  • Internet das Coisas (IoT :: Internet of Things)

Os primeiros 20 anos da internet que conhecemos foram formados pela conexão de pessoas a máquinas. O novo paradigma será o aumento exponencial da conexão de máquinas a máquinas (M2M). Em 2020, haverá mais de 50 bilhões de devices e, em 2030, a comunicação M2M responderá por mais de 50% do total.

  • Biotecnologia

Diversas inovações irão revolucionar a saúde. Sequenciamento do DNA, cura inimaginável de doenças, alteração genética de embriões, brain computer interfaces e até o armazenamento dos seus sonhos serão possíveis com a biotecnologia exponencial.

  • Veículos selfdrive

Outra revolução ocorrerá no transporte de pessoas e mercadorias com os veículos autodirigíveis. Google Car, Tesla, Uber, entre outros players, serão responsáveis por reconfigurar tudo que conhecemos a respeito desse assunto. Existem alguns dilemas éticos no meio do caminho, que certamente serão endereçados.

  • Energia solar

O custo da energia solar está caindo exponencialmente e em alguns anos sua adoção será massiva, pois além de abundante, será incrivelmente barata. O que será possível fazer com uma energia que tende ao infinito?

  • Realidade aumentada e realidade virtual

Considerada uma das três tecnologias com alto impacto no varejo e no e-commerce nos próximos anos, a realidade aumentada/virtual promete oferecer novas experiências ao consumidor, pois permite que ele veja e interaja com os produtos e serviços que deseja possuir antes mesmo de tê-los em suas mãos.

  • Drones

Considerada a segunda das três tecnologias com alto impacto no varejo e no e-commerce nos próximos anos, a utilização de drones já é realidade em fase piloto em algumas companhias como a Amazon (Prime Air) e o Google (Projeto Wing), porém é na startup Matternet que residem as maiores apostas. Com um drone autônomo (que não precisa de piloto) desenhado exclusivamente para transporte de mercadorias de até 1kg, num raio de 20km, seu custo por entrega é de US$ 1,50 para um tempo médio de entrega de 10 minutos contra US$ 11 em 40 minutos do melhor entregador (hoje em dia) nos EUA.

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  • Impressoras 3D

Considerada a terceira das três tecnologias com alto impacto no varejo e no e-commerce nos próximos anos, as impressoras 3D prometem revolucionar a concepção e recebimento dos produtos por parte dos consumidores. Imagine não precisar esperar o produto chegar na sua casa, pois você poderá imprimi-lo diretamente? Imagine poder digitalizar seu corpo, sua casa, seu carro, seu gato e ter produtos customizados para eles? Admirável mundo novo ou Jetsons?

Frase de Bill Gates

“Normalmente nós superestimamos as mudanças que virão nos próximos dois anos e subestimamos as mudanças que ocorrerão nos próximos dez”.

A sociedade está preparada para as mudanças exponenciais que virão? Veremos nos próximos anos.

Por aqui, seguem minhas previsões do que vai acontecer em 2036:

  • minha filha não vai tirar carteira de motorista quando fizer 18 anos
  • vou imprimir em 3D 50% das minhas compras em casa ou num hub próximo de casa. Os outros 50% chegarão por drone ou Uber selfdrive
  • antes de eu fazer qualquer compra (online ou offline) terei experimentado o produto por realidade virtual/aumentada
  • energias alternativas como solar e eólica serão mainstream deixando combustíveis fósseis como peças de museu
  • vou saber quais doenças tenho alta probabilidade de ter em 2056 para me prevenir desde 2036
  • vou passar minhas férias em Marte

 

Luis Vabo Jr em out/2015

5 coisas que você precisa saber sobre o Shop.org 2014

O Shop.org se consolida como o segundo maior evento de e-commerce do mundo e nesta edição de 2014 em Seattle contou com 5.200 participantes, 250 expositores e quase 200 brasileiros, que é a maior delegação internacional.

Esta é a quarta vez que vou a eventos de e-commerce nos Estados Unidos e acredito que foi a melhor. Compartilho abaixo os principais aprendizados que tive:

1) Números sobre E-Commerce, Varejo e Conversão

  • A indústria de e-commerce americana é 25 vezes maior do que a brasileira. A previsão é de faturar 300 bilhões de dólares em 2014
  • A indústria de e-commerce representa hoje 9% do total do varejo americano. Lojas de departamento caíram para 5% e perdem share para o online há 13 anos consecutivos
  • A conversão americana via smartphone (1%) ainda é baixa se comparada com desktop/laptop (2,7% com tendência de queda) e de tablet (2,1% estável), porém tem franca tendência de alta

2) Cenas dos próximos capítulos: Amazon, Alibaba e Marketplaces

Para uma plateia de 3.000 pessoas, o palestrante perguntou: “quantos aqui possuem pelo menos um device da Amazon?” Resposta: 80%

Em seguida, perguntou: “quantos aqui são assinantes do Amazon Prime?” Resposta: 90%

Tive a oportunidade de ler o livro “The Everything Store” (recomendo fortemente!), assisti no Shop.org à palestra do autor Brad Stone e tive uma reunião com a Amazon na sede global em Seattle. É impressionante a constância dos assuntos. Aqui você encontra o resumo.

Outras informações impressionantes:

  • Onde começa a compra online nos USA :: Amazon 53%, Google 11%
  • Crescimento: eBay 8%, Amazon 22%, Alibaba 100%
  • Usuários: Amazon 250 milhões, Alibaba 500 milhões
  • Faturamento da Alibaba é 2,5 vezes maior do que a Amazon
  • Tráfego em marketplaces :: Brasil 20%, USA 33%, China 90%!!!
  • Governo chinês criou uma área especial para importação dos produtos dos sellers americanos para o marketplace da Alibaba (Tmall)

 

3) Omnichannel é o desafio dos próximos anos

  • 70% das pessoas que compraram na loja física da REI.com, pesquisaram o produto/categoria no site da REI.com até 7 dias antes
  • Relato interessante de lojas virtuais que estão aplicando um novo modelo de comissionamento dos vendedores das lojas física e virtuais :: metas de vendas unificadas e se for feita uma venda online para entrega num raio de até 5 km2 de uma loja física, o vendendor da física também é remunerado

 

4) Mobile é a nova plataforma dominante

  • Tráfego mobile/touch :: Walmart 50%, Target 50%, Best Buy 39%
  • Vendas mobile :: Zulily 50%

 

5) Como competir: diferenciação, experiência do cliente, personalização, big data, precificação dinâmica

Provocação para as lojas virtuais que não são top10 do mercado:

  • Are you smarter?
  • Do you have big budgets?
  • Do you have a stronger brand?

Como a resposta é provavelmente “não” para as 3 perguntas, as lojas virtuais não-top10 ou de nicho devem buscar fatores de diferenciação, que propiciem experiências personalizadas aos clientes, lançando mão de big data e precificação dinâmica para obter vantagens competitivas.

Recomendo olharem os modelos de negócios inovadores destas lojas virtuais americanas :: Birchbox, Zulily, Houzz.

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Parte da delegação brasileira no stand do E-Commerce Brasil no Shop.org 2014 em Seattle

 

Luis Vabo Jr em nov/2014