Carta aberta aos empreendedores: é hora de dizer “não” aos atalhos

Nesse momento de inflexão na vida política brasileira, é hora de dizer NÃO aos atalhos!

Veja a carta aberta publicada no portal da Endeavor:

Empreendedores devem ser o motor da mudança e o exemplo que queremos multiplicar pelo país.

Há 20 anos a Endeavor foi criada com uma crença fundamental: multiplicar a força do exemplo de empreendedores que apoiamos para inspirar e mostrar o caminho do crescimento a todos aqueles que já estão no jogo ou iniciando as suas trajetórias à frente de um negócio.

Vivenciamos agora um momento especialmente crítico da nossa história, onde o mau exemplo dado por empresários que deveriam ser a nossa fonte de inspiração contamina negativamente a percepção da sociedade sobre quem produz, emprega e inova. Mais do que isso, o mau exemplo espalha a crença de que só é possível construir um grande legado empreendedor transigindo as regras do jogo.

Felizmente isso é a exceção num país com quase 10 milhões de empreendedores como o Brasil. Em vários momentos, estes heróis enfrentam o fantasma da burocracia e do peso do Estado na forma de mudanças tributárias diárias, lentidão nos processos de licenciamento e ofertas de um caminho com menos solavancos e mais atalhos para aqueles que aceitarem corromper os agentes públicos. A imensa – e silenciosa – maioria de empreendedores trabalha duro todos os dias para tirar as ideias do papel e construir um sonho que impacte cada vez mais pessoas, carregando consigo todo o entulho burocrático brasileiro, que precisa urgentemente ser removido.

Fazer as coisas do jeito certo, sem tomar atalhos, é imprescindível aos empreendedores e ao país.  Temos muito orgulho de apoiar mais de 100 empreendedores que nos últimos anos cresceram a uma taxa de 26% ao ano e vão gerar 10 mil novos empregos em 2017, ao mesmo tempo em que assumiram um compromisso público pela ética na atuação como donos de negócios. Eles mostram que é possível, sim, crescer pela via correta, mesmo que mais longa e esburacada. São exemplos de um Brasil que dá certo que nos orgulha e que poderia ser multiplicado se encontrássemos aqui um ambiente de negócios mais amigável.

Em um momento conturbado, em que valores e ética empresarial aparecem em segundo plano no noticiário, conclamamos todos os empreendedores do país a não tomar atalhos e, com seu bom exemplo, ajudar a criar um ciclo virtuoso de prosperidade para todos.

E, que da próxima vez que alguém disser que há um jeito mais “fácil”, a decisão de não transgredir seja a única opção. Você, empreendedor, precisa ser o agente da mudança com as suas atitudes.

 

Fonte :: https://endeavor.org.br/carta-aberta-aos-empreendedores-e-hora-de-dizer-nao-aos-atalhos/

A meia maratona de Amsterdã

Um dos grandes segredos da vida é a busca pelo equilíbrio. Não existe OU, existe E. Ou seja, você tem que saber lidar com sua vida profissional E sua vida pessoal. Com seu trabalho E sua família. Com a sua diversão E com a sua dedicação. Com a sua espiritualidade E com a sua materialidade. Com o esporte E com a cervejinha do final de semana e por aí vai…

Segue abaixo um excelente texto do Nizan Guanaes que nos leva a boas reflexões.

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“A meia maratona de Amsterdã”

No dia 18 de outubro (conto com suas orações e torcida) vou fazer a meia maratona de Amsterdã, a minha primeira maratona. Esses 21 km são a medida de uma reinvenção profunda. E Cecilia Meirelles diz que a vida só é possível reinventada.

Tinha 160 quilos caminhando a galope para 200. Fumava, comia e bebia em demasia, apesar do brutal histórico cardíaco-familiar. Meu pai e quase todos os seus irmãos morreram do coração. Alguns, bem cedo, como meu pai, aos 45 anos.

Passei a primeira parte de minha carreira cuidando só da carreira e esquecendo todas as outras dimensões da vida que, inclusive, refletem muito na vida profissional.

A revolução profunda em mim e em meu corpo resultou numa revolução que jamais imaginei. Meu propósito original era sobreviver. Mas fui descobrindo uma vida mais profunda, intensa, saborosa e sofisticada.

O livro “On Managing Yourself”, publicado pela Harvard Business School, é para mim o que há de mais moderno. A última palavra em gestão. Harvard, e não um livro de autoajuda, mostra que a melhor medida empresarial é a gestão da própria vida pessoal. Clayton Christensen, o guru da inovação, abre o livro com um artigo explicando que criou uma métrica para medir a própria felicidade depois de perceber nos encontros de sua turma de Harvard que, a cada ano, os colegas voltavam mais ricos e mais infelizes. E o propósito da vida, segundo Aristóteles, é ser feliz.

A vida de Nizan, 170 quilos, era essa vida abandonada. A vida empresarial é um moedor de carne. Se você não a domina, ela engole você. Ela engole seu corpo, sua família, suas relações. Ela come tudo.

Muitas vezes o sucesso não consegue ser sustentado porque o corpo, e a alma, a cabeça, são destruídos antes por toda essa pressão profissional. Aí a vida entra em parafuso e, com ela, a vida empresarial. O que esse esplêndido livro de Harvard propõe é que gerenciar a própria vida é a medida empresarial número 1.

Certa vez fui convidado por Bill Gates para falar de Brasil em evento global na sede da Microsoft, com CEOs do mundo todo e do calibre de Warren Buffett e Jeff Bezos. Como o evento começava às 7h, às 5h, fui à academia do hotel e vi uma cena que me marcou para a vida toda: a imensa academia e sua piscina estavam lotadas. Todos os CEOs do mundo estavam ali, tomando a primeira e mais importante decisão empresarial do dia: cuidar da vida.

Não há só uma revolução tecnológica em curso. Há uma revolução humana. Na alimentação, no cuidado com o sono, no controle da mente, da alma, das emoções. Só que antes esse assunto ficava nos cadernos de saúde dos X Ele hoje está aqui no caderno de negócios, pois é aqui que a Harvard Business School está colocando essa pauta.

E essa pauta ajuda muito a se relacionar melhor, a liderar melhor, a decidir melhor, a performar melhor, a ter mais resiliência numa crise como essa. Mas só é possível vencer nessa dimensão se você se dedicar a ela com a mesma obstinação dedicada ao seu sucesso empresarial.

O fato é que com essa nova vida a minha produtividade aumentou muito, e ganhei mais força para enfrentar a crise. Em tantos dias em que não há motivo para ser feliz, minha corrida diária me faz lembrar que a vida é boa, independentemente do câmbio.

A alegria do homem está dentro do homem. Isso não está só na Bíblia, mas na gestão mais moderna e eficaz que se propõe hoje.

Nizan Guanaes

Como você pretende mudar o mundo?

Tive a alegria e a honra de ser escolhido professor paraninfo dos formandos do Domínio Adicional de Empreendedorismo 2016.2 da PUC-Rio. Compartilho abaixo o discurso que fiz:

2016-12-16-12-18-58

 

 

Bom dia!

Gostaria de cumprimentar os alunos, professores, familiares e amigos que vieram aqui hoje nos prestigiar.

Como você pretende mudar o mundo?

Essa é a pergunta que eu faço no primeiro dia de aula para o meus alunos de Empreendedorismo.

Alguns têm a resposta na ponta da língua. Outros dizem: “quero ajudar os outros”. E muitos respondem: “nunca parei para pensar. Não faço ideia”.

Sempre faço esta provocação, porque o empreendedor é um agente de mudanças no mundo. E o mundo aqui é qualquer coisa entre você e o planeta, pois quando você decide empreender, querendo ou não, você vai mudar algum mundo. Nem que seja o seu próprio.

Então esta pergunta, acima de tudo, é um convite.

Mas, afinal, o que é empreender?

Na nossa visão, empreender não é apenas abrir uma empresa, mas sim uma atitude de vida. É aplicar os seus recursos mais preciosos (seu tempo, sua energia, sua saúde) a favor de um propósito e em busca de um sonho. É deixar um legado para nossos filhos e netos.

Vocês chegaram ao fim deste ciclo do Domínio Adicional, então gostaria de compartilhar alguns aprendizados:

– Conhecimento é a chave para o sucesso. Nunca pare de estudar, nunca pare de aprender!

– Sua rede de contatos é para a vida toda. Procure cultivá-la!

– Estratégia é principalmente decidir o que não fazer. Tenha foco e disciplina!

– Você não pode deixar que o medo de errar te impeça de fazer o que deve ser feito! Então esteja sempre disposto a errar, pois se você não está errando é porque está indo devagar demais!

– Não se preocupe com o TER ou com o SER. Priorize sempre o FAZER, porque desta forma o SER e o TER serão consequências naturais!

– Dá o mesmo trabalho sonhar pequeno ou sonhar grande, então sonhe sempre muito grande!

– E quando for sonhar grande, aprenda a domar o risco, porque sonhos sem riscos produzem conquistas sem méritos!

– Encontre um propósito pelo qual vale a pena lutar e que te faça acordar todo dia de manhã com muita vontade de encarar os obstáculos!

– Trabalhe muito duro, pois este é o único caminho para prosperar, pois nada vai cair do céu…

Para concluir, eu gostaria de dizer que nós, professores, acreditamos em vocês! Nós acreditamos que vocês têm a força e a paixão para mudar o mundo! Vocês têm a capacidade de encontrar novas soluções para os diversos problemas locais e globais que enfrentamos hoje.

Nós acreditamos que enquanto vocês empreendem, vocês fazem a vida ser melhor para todos nós. E estamos muito animados para continuarmos apoiando vocês neste processo.

E lembrem-se que mais importantes do que suas qualidades, habilidades, o diploma que você vai ter na parede ou seu sobrenome, o que demonstra quem realmente vocês são, serão sempre as suas escolhas.

Por isso, novamente eu te pergunto: como você pretende mudar o mundo?

Muito obrigado!

Geração Y e seus desafios no mercado de trabalho

A Geração Y ou Millenial (nascidos entre 1980 e 1998) está enfrentando uma série de desafios tanto na entrada quanto no seu desenvolvimento no mercado de trabalho.

Os desafios são tanto reflexo da forma como foram criados pelos seus pais, quando pelas constantes mudanças que o mundo tecnológico e globalizado impõe a esses jovens.

Não reconhecer e aprender a lidar com o impacto das mídias sociais e dos smartphones como aspectos viciantes na vida desses indíviduos, pode levá-los a graves doenças como depressão, ansiedade, síndrome do pânico.

Para maiores detalhes do diagnóstico desse fenômeno dos nossos dias atuais, recomendo assistirem ao Prof. Simon Sinek abaixo (aquele mesmo, criador do Golden Circle):

 

Never ring the bell !

O comandante da SEAL, a tropa de elite americana, William McRaven, discursou para uma turma de formandos da Universidade do Texas.

Abaixo estão as 10 dicas que ele deu. São dicas de perseverança, liderança, empreendedorismo, trabalho em equipe e ousadia para mudar o mundo!

Vale a pena ver o vídeo completo!

  1. Comece o dia arrumando sua cama!
  2. Encontre as pessoas certas para ajudar você!
  3. Atitude e coração podem ser mais fortes que outras vantagens
  4. Siga sempre em frente!
  5. Não tenha medo do ‘circo’!
  6. Seja criativo e inovador!
  7. Não fuja dos tubarões!
  8. Dê o seu melhor, mesmo nos momentos mais sombrios!
  9. Cante, mesmo quando estiver com lama até o pescoço!
  10. Nunca desista! Nunca toque o sino!

 

Do what makes you great!

“E a minha lição é essa: não me importo nem um pouco!

Você não pode deixar o medo de errar, ou o medo da comparação, ou o medo do julgamento, te impeça de fazer o que te torna grande!

Você não pode ser bem sucedido sem esse risco de errar, você não pode ter voz sem o risco da crítica e você não pode amar sem o risco da perda!

Você precisa ir em frente e tomar esses riscos!

E as pessoas te dirão para fazer o que te faz feliz, mas muito disso tem sido trabalho duro e eu não tenho sido sempre feliz. E eu não acho que você tem que fazer apenas o que te faz feliz, eu acredito que você tem que fazer o que o torna grande!

Faça o que é desconfortável e apavorante e difícil mas que compensa no longo prazo!

Esteja disposto a errar! Se permita errar! Erre no caminho e no local onde você gostaria de errar! Erre, levante-se e erre de novo!

Por que sem essa luta, o que é sucesso mesmo?

Até onde eu sei, temos apenas uma vida. Nessa vida, você precisa confiar na sua própria voz, suas próprias ideias, sua honestidade, sua vulnerabilidade, e nessa jornada irá encontrar seu caminho!

Não é que você não tenha que ter medo, apenas não permita que o medo te detenha!

Viva assim da melhor forma que conseguir e eu garanto que você vai olhar para trás e verá uma vida bem vivida!”

Charlie Day

 

 

 

 

Empresa é que nem filho: a gente cria para o mundo

 

Para muitos empreendedores, o processo de venda e sucessão na empresa costuma ser doloroso. Minha experiência mostra que não precisa ser assim.

O trajeto é conhecido: um empreendedor identifica um problema, vê a oportunidade de resolvê-lo de forma inovadora, monta uma empresa, cresce forte, recebe uma oferta irrecusável de compra (ou de fusão) e decide aceitar. Até aí, nada de novo. São muitos os casos de gente que segue esse caminho.

Mas, e depois? O que acontece? Do momento da sucessão — que é delicado e super importante na carreira de qualquer pessoa que tenha criado uma empresa — não existem tantos registros assim. Não existe uma ferramenta, ou um manual específico com o que fazer e o que evitar. O que existe é a experiência de cada empreendedor e o melhor que cada um pode se prestar a realizar depois.

Como tive a oportunidade de viver essa situação, gostaria de compartilhar alguns aprendizados e percepções que podem te ajudar a lidar com esse momento de transição em uma empresa.

O negócio nunca é só seu

É comum me perguntarem como é que eu me “desapeguei” do negócio que vendi. Para responder, costumo falar do início da Sieve: quando meu sócio e eu criamos a empresa, tínhamos uma certeza – a de que o negócio surgiu para resolver um problema claro e real do e-commerce. Assim sendo, nunca tivemos essa percepção de que a Sieve era só nossa, porque também era dos clientes cujos problemas queríamos solucionar (lojas virtuais e fabricantes).

Além disso, queríamos que cada membro do nosso time (os Sievers) se sentisse feliz e motivado por trabalhar na Sieve. E, pra que isso acontecesse, o compartilhamento da cultura organizacional tinha que ser total, sem restrições. Ou seja, o negócio também era da nossa equipe.

Por isso, a questão do “desapego”, no meu caso, não teve tanta importância. Então, minha principal orientação, aqui, é que:

VOCÊ, EMPREENDEDOR(A), DEVE TER CONSCIÊNCIA DE QUE SEU NEGÓCIO É COMO UM FILHO. EM UM MOMENTO, VOCÊ É TOTALMENTE RESPONSÁVEL POR ELE. MAS DEPOIS, ELE CRESCE, SE DESENVOLVE, SAI DE CASA… VAI PARA O MUNDO.

Chega o tempo em que o negócio não depende mais só de você. No nosso caso, como sempre tivemos essa mentalidade, nunca foi uma questão delicada essa de vínculo muito estreito com a operação. Isso tornou mais fácil e mais leve o processo de sucessão, tanto interno quanto externo.

Fizemos fusões e vendemos. Mas continuamos tocando o negócio

Muita gente também se pergunta também sobre “o que fazer” após a conclusão de uma venda. Quais passos devem ser dados.

Novamente, não existe uma receita de bolo. Até porque depende muito do momento em que a empresa está. No caso da Sieve, nós continuamos tocando o negócio como executivos. A equipe e a operação continuou sob nossa responsabilidade. A principal diferença é que, com a chegada de novos sócios, o sonho grande aumentou.

Aliás, a questão do sonho grande, aqui, é super importante, porque a minha orientação quanto aos próximos passos para gestores que passem por essa experiência sempre será a de ampliar esse sonho grande. Sempre digo para buscarem parceiros em linha com os seus valores e objetivos, além de um modelo de negócio que permita que o sonho se expanda ainda mais.

Empreender não é só abrir uma empresa

Por falar em sonho grande, quero propor uma reflexão um tanto filosófica: para mim, empreender é muito mais do que abrir e tocar um negócio.

É UMA ATITUDE DE VIDA, E QUE, POR ISSO, É INDISSOCIÁVEL DO LEGADO QUE PRETENDEMOS DEIXAR.

Faço essa reflexão porque também ouço muitas perguntas sobre como, depois de vender um negócio, o(a) empreendedor(a) pode continuar contribuindo com o ecossistema. Sobre como pode disseminar a cultura empreendedora.

Além, evidentemente, da possibilidade de ele abrir outro negócio, existem outros caminhos que ele(a) pode trilhar também.

No meu caso, procuro “irradiar” esse espírito das mais diversas formas. Por exemplo, dando mentorias na Endeavor, para orientar quem está passando pelos desafios que passei. Também costumo ministrar palestras ou escrever artigos contando histórias e aprendizados, como esses que estou compartilhando com você. Investimento-anjo é uma vontade futura.

Isso serve até para mostrar ao pessoal mais jovem que empreender não é um bicho de sete cabeças. Que, por mais que não estejamos no Vale do Silício ou em Israel, é possível, sim, criar um negócio de valor e com crescimento de alto impacto aqui no Brasil.

Também tenho a oportunidade de ser professor de empreendedorismo na PUC-Rio. Dou esses exemplos apenas para mostrar o quanto, para mim, é forte a causa. E, a meu ver, o momento da venda foi importante nessa trajetória. Porque, quando empreendedores não são mais os únicos responsáveis por um negócio, podem se dedicar a outro campo fundamental para as transformações que todos queremos ver: a educação.

Por último, o investimento em novos empreendedores é uma bela possibilidade. Que o digam empreendedores como Hernán Kazah, fundador do Mercado Livre, que hoje se dedica a procurar companhias latino-americanas para investir por meio da Kaszek Ventures. Ou como Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, que também se tornou Venture Capitalist e faz parte do conselho de várias organizações sem fins lucrativos. Ah, e eles também dão mentorias.

No fim das contas, pode ser que você coloque uma grana no bolso e queira tirar umas férias. Pode ser, inclusive, que isso te ajude a “desapegar”. Mas um empreendedor verdadeiramente de alto impacto não dispensa uma oportunidade de devolver à sociedade. Além dos novos projetos que certamente surgirão, sempre haverá quem possa se beneficiar da experiência que você viveu. Não deixe de passá-la adiante!