Educação e a falta de incentivos: os desafios para a prosperidade no Brasil

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Já falei anteriormente, aqui no blog, sobre a mãe de todas as crises, que é a crise educacional.

Contudo, mais do que não educar empreendedores e líderes, o país tampouco oferece incentivos para mudar essa realidade.

É um problema ainda muito enraizado na nação, mas um primeiro passo para a mudança é saber mais sobre esses desafios e se questionar: o que poderia ser diferente?

A Educação é o maior problema do Brasil? 

Como diz a UNESCO, “o objetivo da Educação é contribuir para que o indivíduo encontre seu verdadeiro potencial e/ou ajudar a construi-lo. Além disso, a Educação também se concentra nos valores, atitudes e comportamentos que permitem a todos aprender a viver pacificamente juntos no mundo”. 

Uma pessoa sem instrução não pode ler e escrever e, portanto, está fechada a todo o conhecimento e sabedoria que pode obter através de livros e outros meios.

Em outras palavras, ela é desligada do mundo exterior. 

Por outro lado, um homem educado vive em uma sala com todas as janelas abertas para o mundo exterior. 

Portanto, uma boa Educação decidirá o futuro de um indivíduo, de uma sociedade e, consequentemente, de um país. 

O direito à Educação foi consagrado pela primeira vez em nossa Constituição Federal de 1988 como um direito social (artigo 6o da CF/88). Porém, ter na constituição que a Educação é um direito não a torna disponível magicamente com a qualidade necessária para todos. 

Aproximadamente 95,3% das crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos frequentam regularmente a escola (EBC 2019). Isso significa que aproximadamente 50 milhões de crianças e adolescentes ocupam as escolas do país. Logo, recursos estão sendo gastos, pois essas crianças estão frequentando a rede de ensino, mas os resultados não estão sendo alcançados. 

Dado o que gastamos com Educação, temos um retorno adequado? 

O setor público, atualmente, gasta 5,4% do PIB em Educação, acima da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da América Latina. 

No entanto, enquanto a Colômbia, o México e o Uruguai gastam menos por estudante do que o Brasil, esses países apresentam melhor desempenho nos testes Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) da OCDE, sugerindo que há espaço para melhorar a eficiência dos gastos. 

Na avaliação do Pisa em 2018, o Brasil ficou na 65ª colocação dentre os 79 países participantes, considerando a soma das médias obtidas em ciências, leitura e matemática. Já escolas de elite brasileira avaliadas isoladamente estão em 5º lugar  no Pisa.

O que poderia ser feito diferente para mudar os resultados? 

Qualquer que seja a causa, deve-se dar um passo atrás e tentar enxergar uma fotografia maior, não só da Educação, mas do pensamento estratégico.

Deve-se ter um quadro claro :

  1. Do que você vai fazer
  2. Por quê
  3. Como 

Caso contrário, vai gastar tempo, dinheiro e perder a oportunidade de mudar a vida de uma pessoa. 

Para uma criança, será decisivo se ela recebeu uma Educação de qualidade. A oportunidade será maior ou menor. 

Então, se fizer de qualquer jeito, não só estará jogando dinheiro fora, como também está gastando o tempo e a vida da criança e jovem – e isso não volta mais. 

Ser eficiente é uma questão de ética. Deve-se fazer um planejamento visando o resultado, baseando-se em ações efetivas para resolver o problema. 

Por que o sistema educacional brasileiro é falho? 

  • Histórico do país: em 1950, tínhamos 50% de analfabetos; nesse mesmo ano a Argentina tinha 14% e os EUA 3%. Atualmente, ainda temos 9% de analfabetos e 30% são analfabetos funcionais 
  • Qualidade da Educação 
  • Problema sistêmico (em todas as escolas) 
  • 98% das crianças no Brasil estão na escola, porém a qualidade de ensino é ruim 
  • De cada 10 crianças que entram na 1ª série do ensino fundamental, só metade termina o ensino médio 
  • Dos outros 50% que permanecem, de cada 10, apenas 3 sabem português (ler e compreender um texto) e só 1 sabe matemática (operações básicas) 
  • Falta de planejamento, estudo e gestão 
  • Insistência em manter uma metodologia sem resultados

O que a outra metade que não chega até o fim do seu período de ensino vão fazer? 

Na melhor das hipóteses, eles irão para o mercado informal. Na pior, serão marginalizados (prostituição, drogas, roubo), pois até para os empregos formais mais simples são necessários alguns anos de estudo e ensino médio completo.

Consequências da ineficiência e da falta de resultado na Educação:

  • Perdemos vidas 
  • Gasto de no mínimo 15 bilhões só do Fundeb, com alunos repetentes. O custo geral é bem maior, pois cada criança que deixou de aprender vai ser um dependente crônico do Estado 
  • Perdemos em produtividade. Um estudante americano equivale a 5 brasileiros. Somos equivalentes aos japoneses de 1964 
  • Custo econômico, social e político (voto errado) 

 

Como  obter resultados diferentes? 

Porque os empresários quando vão fazer uma boa ação desligam o botão estratégico? 

Eles deveriam manter esse botão ligado, pois o problema é em atacado, ou seja, em larga escala, e não será resolvido com medidas de varejo, artesanais. 

Filantropia é algo bondoso, mas no momento, o Brasil precisa mais do que isso. Precisa de competência e resultado e precisa parar de terceirizar tudo para o governo, pois isso dá muito poder a eles.

A falta de incentivo é mais um obstáculo

Quer saber se o Brasil – ou qualquer outro país – está a caminho da prosperidade? 

Faça 2 perguntas:

  1.  Se Mark Zuckerberg tivesse nascido no Brasil ele iria QUERER fundar o Facebook?
  2.  Se Zuckerberg quisesse criar o Facebook, ele CONSEGUIRIA fazer isso no Brasil?

A 1º pergunta se refere aos INCENTIVOS CORRETOS para os geradores de empregos: o país valoriza e dá os incentivos ao empreendedorismo no país? 

A 2º  pergunta se refere ao AMBIENTE DE NEGÓCIOS: o governo facilita ou atrapalha a vida de quem quer tirar a empresa do papel?

Essa seria uma maneira simples, mas eficiente, de descobrir se um país está na direção certa. 

Se a resposta for “não” para uma das duas perguntas, estamos em um mau caminho. 

No caso do Brasil:

1.  Se Mark Zuckerberg tivesse nascido no Brasil ele iria querer fundar o Facebook? 

Assim como os jovens mais promissores dos Estados Unidos vão para Ivy League (um grupo de universidades que inclui Harvard, Yale, Princeton etc.), nossos futuros engenheiros sonham em ir para o ITA, POLI-USP ou IME. 

Até aí tudo bem. Mas é no começo da escolha profissional que começam as diferenças.

Logo no início do curso, nossos Zuckerbergs descobrem que um concurso para Auditor Fiscal tem um salário inicial de R$ 18 mil. Um concurso para advogado do Senado, R$ 30 mil. Enquanto isso, ele descobre que, na carreira privada, um salário de trainee nas melhores empresas é algo entre R$ 5 mil a R$ 7 mil. 

Além do salário inicial maior, a carreira pública oferece estabilidade. Se vier crise, ninguém é demitido. Diante dessa escolha, o que um jovem faz? 

Para ele, é a oportunidade de ter uma renda alta e estabilidade. A consequência é que viramos o país dos concurseiros. Os altos incentivos desses cargos sufocam a vocação empreendedora dos  Zuckerbergs. 

Mas vamos supor que ele quisesse deixar um legado e insistisse em empreender.

2. Se Mark  Zuckerberg quisesse criar o Facebook, ele conseguiria fazer isso no Brasil?

Aí começaria a burocracia.

  • Leva 62 dias para abrir um negócio no Brasil (na Argentina são 12, para efeito de comparação) 
  • Levamos 1.501 horas para pagar impostos (no Chile são 300 horas) 
  • Ficamos em 124º no ranking de facilidade de fazer negócios de 190 países

Ou seja, no Brasil, a resposta para as duas perguntas iniciais é NÃO e NÃO: não há os incentivos corretos ao empreendedorismo. Aqueles poucos que decidem seguir esse caminho são atrapalhados diariamente e precisam pedir licença para gerar emprego. Mudar isso é trabalhoso. 

Mas podemos começar por:

  1. Acabar com o prêmio salarial de 96% do funcionário público federal em relação ao privado na mesma função 
  2. Facilitar, e não atrapalhar, a vida do gerador de emprego 
  3. Investir em uma Educação que forme empreendedores, e não empregados

E aí, talvez, teremos o SIM para as duas respostas. Não é tudo, mas é um começo.

A Educação tem papel importante tanto para o indivíduo como para o país

Por meio da Educação, cada indivíduo aprende coisas novas, expande seus horizontes, aprende a questionar o certo e o errado, tomar decisões, reforçar a confiança, progressão em sua carreira e faz com que seus sonhos se tornem realidade. 

Quando se tem pessoas bem educadas, os recursos são usados de forma mais eficiente, exercem seus deveres e cobram seus direitos, há uma vigilância para manter a liberdade, são menos dependentes do Estado e, como andam com as próprias pernas, contribuem com o crescimento do país. 

Nosso mundo moderno se orgulha de reconhecer, pela primeira vez na história, a igualdade elementar entre todos os humanos, porém pode estar prestes a criar a sociedade mais desigual de todas. 

Um país desenvolvido conseguirá capacitar as pessoas para que aprendam a trabalhar com as novas tecnologias, a aprender a reaprender, o que gerará mais riquezas. Já nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, isso pode ser o oposto, pois eles não conseguiram preparar sua mão de obra, e isso gerará mais pobreza e mais desigualdade. 

Educação gera Educação e ignorância gera ignorância.

O economista Paul M. Romer foi agraciado com o Nobel ao demonstrar que o crescimento econômico se dá a partir do capital humano, gerando assim inovações, tecnologias, aumento da produtividade e bem estar social. Ou seja, com Educação. 

Se queremos resultados diferentes para a Educação brasileira, devemos urgentemente modificar o que não está dando resultados positivos, tomar as rédeas da situação, deixando de terceirizar tudo para quem já provou sua incompetência. 

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Escrevi esse texto baseado na leitura dos posts do economista Leonardo Siqueira (instagram @leonardosiqueirabr) e na entrevista de Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, para o podcast O Primo Rico de Thiago Nigro.

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